18/04/2021

O Mercado 21 de Agosto, enquadramento e perspectivas para o futuro

A cidade e o concelho de Viseu vivem uma certa angústia, (bem notória) advinda de uma total desorganização de pensamento da cidade quanto ao seu futuro. Os infelizes acontecimentos recentes e a longa pandemia que se vive agravam este sentimento. A falta de uma liderança coerente e de um pensamento estratégico urbano, provoca diversas confusões na comunidade acompanhadas de uma falta de transparência na divulgação dos projectos que pretendem mudar a vida quotidiana.

Estas atitudes suscitam dúvidas e perplexidade, receando-se a má gestão dos recursos financeiros associados a opções sem o devido debate público. Os problemas disruptivos da cidade continuam a subsistir no tempo com repercussões na economia local, no conforto dos equipamentos públicos, na imagem e na atractividade da cidade.

O exemplo último mais flagrante reside no mercado 21 de Agosto, localizado dentro de um quarteirão, confronta com diversos logradouros de edifícios de diferentes épocas de construção, passa totalmente despercebido aos visitantes ávidos de conhecer a cidade.

08/04/2021

O blog feito pelos leitores

         Outrora a cidade cingia-se a um velho burgo medieval, espartilhado por muralhas visigóticas e erigido de um afloramento granítico, destacando-se altaneiro por entre as serranias beirãs do âmago da terra mãe.

A névoa matinal caía densa e persistente sobre a Rua Direita, salpicada por uma morrinha gélida que parecia tolher as próprias pedras da vetusta calçada.   

Arquejante, Albino endireitou-se por momentos, as manápulas crespas e enrijecidas pelo frio agarradas ao cabo da pá de valador, aspirando dolorosamente o ar gélido da manhã. Atarracado de corpo, devia também muito pouco à inteligência e viera ao mundo mais despejado pela natureza do que parido do ventre de uma mãe.  Pesaroso, mirou com tristeza e revolta a rudeza das palmas da mãos e os seus dedos grossos e nodosos e pensou na Maria que já se queixava há tempo demais da sua aspereza, furtando-se esquiva aos seus avanços.

Em redor o velho casario espreguiçava-se ainda meio dormente, despertando paulatinamente com crescente bulício madrugador. Cruzavam-se sons e cheiros, frases entrecortadas por saudações matinais e alguns passos ora apressados ora indolentes. Era o percutir na latoaria, o doce odor dos “Viriatos” franqueando as portas da padaria e até o tilintar dos copos no tasco da esquina, emborcados pela malta mais madrugadora.

02/03/2021

A vandalização do Mercado 2 de Maio

A arquitectura é uma das disciplinas mais relevantes na história da humanidade, com a sua função primordial de criar abrigos para proteger o ser humano, as actividades desencadeadas por este e alojar as suas memórias. A par do urbanismo que agrega as diversas singularidades arquitectónicas independentemente das escalas, a arquitectura constrói cidade, preserva património oferece identidade e sentido de pertença aos habitantes da sua urbe.

A memória colectiva, associa-se aos espaços de forte identidade, que ocupam os espaços centrais da cidade, onde o frenesim diário da mobilidade, a par da vida económica, também contribui para a afirmação da monumentalidade dos centros históricos.

O Mercado 2 de Maio, insere-se em todos estes aspectos, com uma implantação favorável no tecido urbano denso da cidade histórico. Fronteiro ao eixo, pedonal de ligação entre o centro administrativo (Rossio), transição e enquadramento e transição visual entre a cidade e os arredores - a rua Formosa. Bem com um eixo de ruptura rectilíneo de confortável transposição da orografia que contrasta com os restantes arruamentos de origem medieval - a rua do Comércio.

28/02/2021

As atitudes ficam com quem as toma!

Em memória do Capitão Almeida Moreira que sempre denunciou os atentados urbanísticos e arquitetónicos da nossa cidade e, a quem tanto devemos da valorização do património viseense, razão pela qual a História lhe reserva ainda hoje lugar eterno, deixo aqui a imagem dos eleitos (deputados municipais e presidentes de junta) que também ficarão coniventemente ligados à história citadina pelo oposto: por um grave e inadmissível atentado patrimonial e urbanístico, para usar as palavras de Dalila Rodrigues e Odete Paiva (directora do Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém e directora do Museu Grão Vasco, respectivamente) que subscrevo sem reservas!

Entristece-me muito até porque neles se encontram amigos e pessoas que prezo e estimo, mas que num momento fulcral da nossa cidade, enquanto colectivo, foram incapazes de se desligar das lógicas partidárias, dos interesses instalados e da constrangedora protecção do executivo, ao invés da defesa do superior interesse do eleitorado que os elegeu e dos viseenses, que lhes mereceria tal elevação ética e moral.
Serão ainda no tempo co-responsáveis da gestão danosa do município ao terem aprovado um empréstimo a ser pago pelos nossos filhos e netos em nome desse mesmo atentado arquitectónico ambiental e urbanístico que a cidade alguma vez já viu!
Infelizmente, a história de Viseu se lembrará deles pelas piores razões!



23/02/2021

A cobertura da obra ou a obra da cobertura!

A 14 de Maio de 2020 a autarquia de Viseu adjudicou a obra da cobertura do Mercado 2 de Maio à empresa Embeiral.

A 28 de Maio de 2020 na página oficial da empresa a Embeiral Construction dava nota de avançar com mais um forte investimento na sua empresa EMBEIRAL STEEL por forma a reforçar ainda mais a sua capacidade de resposta e capacidade produtiva na fabricação e montagem de estruturas metálicas, com o inicio dos trabalhos da sua nova unidade de produção em Vouzela, na zona industrial de Vasconha, com 4500m2 de área de produção. Um investimento de cerca de três milhões de euros que se espera esteja concluído até ao final do presente ano!




Dias depois a 18 de Junho de 2020 a empresa dava nota que “a obra da Cobertura do Mercado 2 de Maio e espaços envolventes, para o Município de Viseu, foi adjudicada à Embeiral Construction, através de concurso público, pelo valor total de 4,3 Milhões de euros. Uma obra emblemática na Cidade de Viseu com elevada exigência técnica, que muito nos honra.
Empreiteiro Geral: Embeiral - Engenharia e Construção SA
Instalações Técnicas : Embeiral Técnica Lda
Estruturas Metálicas : Embeiral Steel Lda





22/02/2021

Mercado 2 de Maio - contra factos... venham de lá os argumentos!

 Em 12 de Dezembro de 2008 é constituída a POLIS INVEST - INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. - NIPC: 508806500 com sede na Rua Miguel Bombarda, n.º 13 - 1.º H, curiosamente a mesma morada do escritório da esposa do autarca viseense.


São à data administradores administradores da empresa

- António Joaquim Almeida Henriques - (Renúncia em 16-06-2009)
- António Carlos Marques Lemos - (Passa a Presidente em 26-10-2009)
- José Manuel Barata Pinheiro Chambino -
- Pedro Manuel Correia de Rodrigues Filipe - (Renúncia 30-06-2009)
- José Manuel da Silva Couto - (Renúncia 18-05-2009) É hoje o Presidente da Vissaium.
- José Miguel Bento Dias Ferreira – (Entra como vogal 26-10-2009)
- Aldina Neves Coimbra Lemos – (Entra como vogal 26-10-2009)
Em 15-12-2009 a sociedade altera a designação para Polis Invest SGPS, S.A. com um capital social de 2.500.000,00 €. Mantêm-se António Carlos Lemos em representação da acionista Embeiral- Gestão e Imobiliária, S.A. e José Manuel Barata Pinheiro Chambino em nome da acionista Chambino Capital SGPS, S.A.
Em 18 de Dezembro de 2009 foi alterado o pacto social da empresa, segundo o qual a empresa passa a ter um capital social de 4.100.000,00 € os acionistas signatários são:
- Embeiral Gestão e Imobiliário S.A. NIF/NIPC: 504564684
- Erínias – centro de estética e saúde soc. Unip. Lda.
- World Forum, Lda.
- Healthways SGPS, S.A.
- Chambino, Lda.
- Chambino Capital, SGPS, S.A.
Em 22-09-2010 José Manuel Barata Chambino é destituído do cargo de Administrador
Em 20-06-2012 são designados os órgãos sociais para o quadriénio 2012-2015:
- António Carlos Marques Lemos
- Aldina Neves Coimbra Lemos
- José Miguel Bento Dias Ferreira
Em 22-03-2016 ocorre novo aumento do capital social para 7.000.000,00 € (seria interessante junto da conservatória do registo predial verificar a quem pertencem as ações)
Em 27-04-2018 sai Dias Ferreira e fica apenas o casal Aldina e Carlos Lemos no Conselho de Administração.
Em 03-01-2019 a sociedade passa a designar-se Embeiral Vida SGPS, S.A.
Daqui fica claro que Almeida Henriques e os actuais gerentes da Embeiral já existiu uma relação societária! A quem foi adjudicada a obra do Mercado? Adiante…

A mulher de César...

A Viseu Novo - Sociedade de Reabilitação Urbana é uma empresa do Município de Viseu, que surge com um grande desígnio, promover a revitalização social, física e económica de zonas emblemáticas da cidade e que constituem a Área de Reabilitação Urbana (ARU) de Viseu (Aviso n.º 12815/2019, de 9 de Agosto).


No âmbito das suas competências assinou um contrato de aquisição de serviços por ajuste directo (Artigo 20.º, n.º 1, alínea d) do CCP) para a prestação de serviço com vista à elaboração da Operação de Reabilitação Urbana para a ARU de Viseu com a Associação - Observatório Económico e Social das Autarquias Locais OESAL (513349804) por um valor de 17.500,00 €.

20/02/2021

A Central Fotovoltaica de Lupina - Desenvolvimento local sustentável e seguro?

Na busca de transformar o território do município mais sustentável apesar de uma parcimónia administrativa municipal, foi aprovado em reunião de câmara de dia 18 deste mês, mais um investimento com sérias implicações para o ordenamento florestal rural.

Simultaneamente encerrou, o período de consulta aberta e recolha de participações (4) para o projecto de construção da central fotovoltaica de Lupina com 298 hectares de implantação numa zona de fronteira da bacia hidrográfica do Mondego com a do Vouga. 

Num espaço de produção florestal das freguesias de Mundão, Lordosa e da União de freguesias de Cepões e Barreiros está prevista a instalação de módulos fotovoltaicos e de módulos pré fabricados (postos transformadores, postos de seccionamento, 4 armazéns e 1 sub estação).

Esta zona de povoamento florestal foi percorrido pelo incêndio de 2012. Quando vista de perto verifica-se uma alta densidade de regeneração de pinheiro bravo, espécie com 79% de ocupação da área em estudo além de espécies como eucalipto e carvalhos. 

A área em questão, encontra-se enquadrado no Plano municipal de defesa da floresta com atribuição de nível 1 de reabilitação de habitats florestais sendo uma das áreas de perigosidade de incêndio alta e muito alta mais relevantes do concelho.

A pouca intervenção humana no território, favorece a formação de um povoamento florestal generoso na vertente exposta ao rio Vouga, que inclui pelo menos dois cursos de água com povoamentos constituídos por carvalhos e vegetação rasteira típica da região.

É de extrema relevância vincar as várias fases de obra, que consistem no corte de toda a  mancha florestal, construção de acessos internos aos vários sectores, a instalação de redes de cabos aéreos e subterrâneos, módulos fotovoltaicos fixos e módulos seguidores do movimento solar (estes com menor presença no terreno).   

20/12/2020

O CHTV merece o apoio de todos!

 Poucos serão os viseenses que não tenham uma divida de gratidão para com o CHTV. Muitos acrescentarão a isso também uma critica negativa, mas é só até ao dia em que tenham que recorrer em último recurso àquele serviço. Pessoalmente, os meus filhos mais novos foi ali que viram o mundo pela primeira vez, foi ali que acorri em aflição pensando que a vida ia acabar e renasceu a troco de uma vesícula e ali acorro quando a falta de saúde assim obriga. É ali que encontramos excelentes profissionais, desde o corpo clínico aos voluntários hospitalares passando pelo pessoal de enfermagem, auxiliares e funcionários das diversas áreas de apoio. Não há instituições perfeitas é facto, mas foi ali que durante os últimos anos os gestores hospitalares Alexandre Ribeiro, Ermida Rebelo e Cilio Correia, emprestaram um humanismo ao serviço que o cotou como um dos melhores a nível nacional. A nova equipa de gestão tem igual desafio pela frente a que soma os difíceis tempos de combate ao Covid.

Os recursos humanos disponíveis não estão blindados nem ao vírus nem ao cansaço do combate diário, os equipamentos e os consumíveis são perecíveis, os orçamentos curtos face às necessidades e a única coisa que não mudam são os doentes, todos os dias acorrem ao CHTV. Há dias chamou-me a atenção a preocupação da gestão em humanizar os serviços, através de uma nova candidatura do Sistema de Apoio à Modernização Administrativa (SAMA) através do projecto DIR@CHTV- Desmaterializar, Integrar e Robotizar. É importante, mas no momento não passa de um projecto de intenção. Há todo um caminho a percorrer para tornar isso realidade, até que essa facilidade melhore a vida aos utentes, familiares e profissionais.

10/11/2020

A gestão da crise pandémica em Viseu tem sido “pandemónica”

A experiência da primeira vaga desta pandemia com início em Março e a própria História permitem tirar algumas lições e a primeira é a certeza de que não dura para sempre, iremos vencer mais este desafio.

É provável que a doença Covid-19 continue a existir, mas irá surgir um momento em que deixará de ter condições para se propagar de forma tão contagiosa e passará a ser mais uma circunstância do quotidiano.

Outra lição é de que existirão efeitos secundários de dimensão, quer do ponto de vista social quer económico, e não havendo tratamentos milagrosos tudo o que a governação pode fazer é tentar minimizar estes impactos.

Se alinharmos pela ideia dos negacionistas de que “isto é só mais uma espécie de gripe”, o impacto na economia não deixará de ser negativo e mesmo os que atiram com o modelo sueco para a frente, se tiverem alguma seriedade intelectual constatarão que a Suécia tem um mau resultado na saúde – com quase seis vezes mais mortos por milhão de habitantes do que a vizinha Dinamarca, por exemplo – e na economia o panorama também é mau com o PIB sueco a cair no segundo trimestre de 2020 de 8,6%.

É evidente que não temos economia capaz de aguentar um novo confinamento geral como o de Março e o Estado não tem capacidade para suportar as famílias e as empresas durante esse tempo e portanto, teremos que encontrar um ponto de equilíbrio entre manter escolas e comércio aberto, as empresas e os restaurantes, a agência bancária e o barbeiro, os cafés e os ginásios, etc., mas com a garantia de manter os locais higienizados e arejados, as pessoas fisicamente distanciadas e protegidas com máscara e mesmo assim assumir que haverá sempre risco.

Contudo, combater a pandemia e manter a economia a funcionar ao mesmo tempo é uma falsa dicotomia e haverá sempre prejuízos a lamentar, e na minha modesta opinião de humanista convicto, o que é mau para a saúde é no curto prazo péssimo para a economia. Perguntarão então, o que fazer? A solução passa por ser proactivo e preventivo, tomando em tempo e oportunidade as medidas necessárias para combater a propagação da doença, para evitar a perda de mais vidas e da economia cair ainda mais e mais tempo demorar na recuperação.

A gestão da crise pandémica em Viseu tem sido “pandemónica”, quer pela omissão e inaptidão das medidas do executivo, quer pela incompetência e falta de visão do autarca local secundado pelo silêncio cúmplice da autoridade de saúde, ou até pela ignorada figura do coordenador regional do centro no combate ao SarsCov2.