07/11/2020

Os serviços municipais da Câmara de Viseu – Um retrato de instabilidade

É um lugar comum afirmar-se que os Recursos Humanos (RH) são fundamentais para o prosseguimento da missão e dos objetivos de qualquer organização, seja ela pública ou privada. 

Nas Câmaras Municipais, enquanto órgãos executivos, a Gestão Estratégica dos Recursos Humanos torna-se um investimento necessário para a melhoria contínua na prestação de serviços públicos. Isso, tendo em conta que a descentralização de competências da Administração Pública Central, para as Autarquias Locais, acarreta um aumento de responsabilidades e requer maior capacidade de resposta às demandas sociais. Uma gestão da Administração Local não exige apenas uma outra racionalidade económica e passa também por uma mudança de postura na Administração Autárquica, visando um Serviço Público de qualidade com eficiência, eficácia, economicidade e flexibilidade, sendo fundamental a inovação através da criação de novas condições de interação entre a tecnologia e as dimensões sociais, económicas e culturais, tendendo a uma desburocratização dos serviços e aproximação aos cidadãos.

É ainda necessária, uma restruturação que melhor responda à satisfação das necessidades dos munícipes e ao nível operacional ou técnico, é preciso novas técnicas de gestão dos recursos, sendo que no tocante aos RH há que se olhar para os problemas relativos à motivação, avaliação, remuneração e produtividade. Posto isto e atento ao que aqui neste jornal se adiantou em matéria de RH na autarquia viseense, é notório que o actual executivo denota uma total insensibilidade para esta área essencial na gestão e em especial ao longo do último mandato tem-se sentido uma silenciosa instabilidade na organização dos serviços municipais, com desconfiança pública e dado a queixas sistemáticas.

Ocorreram mudanças com múltiplos ajustamentos na orgânica dos serviços municipais, que já deviam ser percepcionadas nas intervenções urbanas (obras públicas) e na prontidão e rapidez das respostas, bem como no atendimento às iniciativas dos munícipes. Mais evidente isso se torna quando é o próprio autarca a reconhecer a ineficácia de áreas como o Urbanismo e a denegrir o serviço dos seus técnicos, esquecendo até na pressa de arranjar desculpas do facto na má gestão dos seus antecessores (e não é displicente essa crítica), que a responsabilidade última é sempre de quem manda.

Não há por princípio na autarquia de Viseu maus funcionários, o que pode haver é uma má gestão dos RH que leva a que alguns se escondam nesse facto. Já Camões dizia que “um fraco rei faz fraca a forte gente” (III-138) e portanto, poucos viseenses desconhecem as verdadeiras causas de os funcionários da autarquia não serem tão diligentes e profissionais como gostam de ser e são capazes de fazer!

21/10/2020

Viseu Vírus Zero – Uma proposta, 25 medidas!

Perante o cenário que se avizinha o concelho de Viseu devia adoptar um comportamento proactivo de defesa e desde já estudar a melhor forma de combater a 2ª vaga do Covid-19 contribuindo para a saúde da população em geram e dando um contributo sério e um apoio adicional no esforço nacional para evitar o colapso do sistema de saúde em especial no CHTV. Muitas destas responsabilidades cabem ao governo central mas em tempo de pandemia e de urgência não podemos ficar à espera da decisão de Lisboa. Em Viseu terão que ser os viseenses pelos viseenses.

Assim, salvo melhor opinião, fica para quem a quiser entender como sua a proposta de trabalho abaixo cujo objectivo é o de focalizar entidades, empresas e cidadãos no combate ao SARS-COV2 e reunir esforços concentrando recursos para um combate mais efectivo à 2ª vaga do vírus tornando Viseu um concelho de casos zero!

 

Importa uma vez mais, esclarecer, sensibilizar, organizar e normalizar todos os agentes no processo de decisão e de comunicação por forma a que todos os viseenses, da freguesia à cidade, saibam:

• Interpretar os conceitos básicos da pandemia,

• Identificar os sinais e sintomas, vias de transmissão e período de incubação,

• Interpretar o modo de diagnóstico da doença e o tratamento e os factores de risco;

• Identificar as medidas de prevenção geral e no local de trabalho face à COVID-19;

• Definir as medidas de higiene a implementar no dia-a-dia e no local de trabalho.


20/10/2020

A politica da rolha!

Está instalado um regime persecutório no Rossio, uma atitude intimidatória e lesiva da democracia que visa impedir o exercício da liberdade de expressão por parte dos viseenses e que ocupa hoje os gabinetes do executivo viseense a julgar pelos acontecimentos que correm pela cidade.

Não é de agora a ameaça que o autarca fez publicamente aos vereadores da oposição de que ainda irão “malhar com as costas na Justiça” coagindo a sua acção política para a qual foram, tal como ele, eleitos.

Nesta matéria a curiosidade na cidade de quem será o primeiro a ir malhar com os ossos no banco dos réus mantém-se!

Não é de agora e tiveram um bom mestre, tendo ficado famosa a incitação à violência sobre os fiscais do ambiente para serem corridos à pedrada ou até, no caso pessoal, a litigância de má fé que o então autarca me moveu ao longo dos seu último mandato, incomodado com a critica politica, dado que nos primeiros nunca se sentiu ofendido nos passeios por mim organizados ou com o pão alentejano que tanto prazer me deu poder trazer das planícies do amarelo trigo. Outros tempos que ainda assim me obrigaram a tirar do bolso o que seria para os meus filhos em defesa do meu bom nome e que só a Relação de Coimbra absolveu, dado que em Viseu o compromisso e o medo ditaram o desfecho esperado.

Neste combate à semelhança do que soube agora estar a acontecer com um amigo, as armas não são as mesmas. De um lado está uma poderosa máquina de advogados pagos a peso de ouro pelo erário público e do outro um cidadão anónimo que retirará do rendimento do seu trabalho os custos judiciais e o patrocínio casuístico para não ser imolado na praça pública por aqueles, os mesmos, que detêm uma brutal máquina de comunicação que vigia, filtra, fiscaliza, no novo léxico do “dono disto tudo”, o que esse cidadão expressou nas redes sociais.

14/10/2020

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica - O concelho de Viseu - Opinião IV

Fui desafiado pelo Fernando Figueiredo para escrever umas curtas linhas sobre o Plano de Recuperação Económica. 

Depois de ponderada análise, optei por não ler um novo documento cozinhado nos escritórios do Eixo Lisboa - Porto. Eixo que nos conduziu à situação que hoje vivemos. Eu, como qualquer jovem do interior (nascido nos últimos 40 anos), se quer ter acesso ao elevador social, tem de estudar e trabalhar e referido Eixo Lisboa - Porto ou emigrar como fizeram os avós, os pais e os tios de muitos jovens do interior. O referido Eixo Lisboa - Porto, quase sempre contando com a complacência dos eleitos locais, muitas vezes contando com o apoio dos "nossos" autarcas, deputados, secretários de estado, ministros, tratou de garantir que a ascensão social é missão impossível no interior. Desse modo, lamento Fernando, eu sou do interior, não vou ler mais um papel impresso num gabinete de Lisboa, desenhado à medida dos interesses da capital e do porto, não posso cometer essa traição à minha gente. No entanto, estou certo que aquele plano em nada nos representa, em nada representa os interesses do interior. Por isso não obrigado, estou farto de ouvir as boas intenções de Lisboa e do Porto! Provoca em mim o mesmo tipo de interesse que ouvir um milionário a discutir contra um reduzido aumento do ordenado à senhora que veio de um país subdesenvolvido para lhe limpar a casa e aturar os filhos a troco de 600 euros, mais coisa menos coisa o ordenado do viseense comum. 

11/10/2020

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica - O concelho de Viseu - Opinião III

Na sequência do artigo anterior fica hoje aqui a opinião do terceiro jovem, numa perspectiva diferente de análise do Plano de Recuperação Económica e de Resiliência no que importa à região e a Viseu.

(...)

Abunda no meio mediático político alicerçado no plano de resiliência redigido pelo nosso governo pródigo em promessas infrutíferas, uma unanimidade seguidista sem o respaldo dos nossos representantes locais. Tudo e todos iludem o pobre cidadão na esperança de melhores dias.

O uso abusivo do termo resiliência (que merece uma maior dignificação) sem o menor conhecimento ou sustentação teórica e histórica deste, assume nos escombros desta crise sanitária. A resiliência é explorada pelas ciências sociais nos estudos teóricos sobre a “organização dos sistemas” baseadas no indivíduo, integrado numa sociedade, numa economia, num ecossistema, presente nos núcleos urbanos e território rural e que usufrui de infraestruturas e serviços.

Perante o colapso de entidades prestadoras de serviços e cuidados bem como a economia, a resiliência tem como fim útil, o exercício reflectivo, rumo a estratégias inovadoras com vista a fortalecer, o tecido social, produtivo, civil e ambiental bem preso por “arames” em Portugal e na nossa região. Para todas as crises deve ser definido um ciclo resiliente, infelizmente este está negligenciado e ocultado por quem nos governa e que elucida a imagem.

 


09/10/2020

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica - O concelho de Viseu - Opinião II

Na sequência do artigo anterior fica hoje aqui a opinião do segundo jovem, identificado com uma ideologia liberal e que de forma telegráfica e assertiva analisa o Plano de Recuperação Económica e de Resiliência no que importa à região e a Viseu.



O PEES de António Costa e Silva não se diferencia em nada das dezenas de planos dirigistas centralizadores que foram sendo apresentados ao longos dos últimos 45 anos de democracia, completamente desligados do país real – como não poderia deixar de ser quando são feitos a partir do conforto dum escritório com A/C algures na Baixa Pombalina. Neste documento com quase 150 páginas, diz-se tudo e diz-se nada, tudo e nada é prioritário e não faltam provas do quão desajustadas são as propostas. 

Viseu parece referido apenas 5 vezes no documento e sempre sem qualquer adesão à realidade, como e.g. “o cluster de Viseu como paradigma da cidade do futuro”, “Autarquias Laboratório” que existem no país, como é o caso de Viseu” ou ainda “Viseu, (…) há muito aposta na mobilidade inteligente”. Costa e Silva e eu certamente conhecemos uma Viseu muito diferente, e pelo facto de viver numa há mais de 20 anos, tendo a considerar que não sou eu quem está alheado da realidade. A visão para o Interior é igualmente despegada de empirismo ou de verdadeiras soluções que possam ser aplicadas de forma estruturada e com um calendário próprio, desde logo porque a abordagem parte duma visão idealizada dum território que não existe. 

08/10/2020

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica - O concelho de Viseu - Opinião I.

Atento ao vazio de ideias e ao silêncio que se vive na região e em especial no concelho de Viseu sobre o importante Plano de Recuperação e Resiliência que será a linha orientadora dos investimentos, apoios e politicas económicas e de desenvolvimento nos próximos anos desafiei 4 "jovens" a pronunciarem-se sobre essa matéria. Fica claro que o concelho tem massa critica, que não precisa estar condicionado ao marasmo das ideias de betão de Fernando Ruas ou às redondas opiniões queijeiras de Jorge Coelho mas sem uma voz única de sociedade civil, associações, autarcas e deputados eleitos por Viseu não seremos ouvidos em Lisboa.

O que fica também claro, 46 anos depois do 25 de Abril, é a certeza instalada de que se essa opinião for assumida fica em risco o emprego, o negócio e o quotidiano de quem assim pensa. Essa é a razão pela qual aqui encontram dessa forma eco mas também pela esperança que me transmitem de que ainda seremos capazes de construir um novo concelho e um melhor País.   

22/09/2020

O antigo matadouro de Viseu, um retrato de incúria. Que alternativa?

Para projectar o futuro, a médio e longo prazo, não se pode recorrer a velhos planos e estratégias falhadas como as que nas ultimas décadas estagnaram a região e o país.

Apostar em velhas fórmulas só faz prolongar o marasmo existencial que acomete a nossa sociedade. A compreensão e detecção dos distúrbios, tais como a falência do modo de operação das entidades financeiras (com as suas irregularidades), as económicas (como a obsolência das operações) e sociais (falta de acompanhamento dos mais vulneráveis) no seu devido tempo levam a regressões cujos impactos podem ser difíceis de mitigar ou mesmo impossível de eliminar.

A autonomia é um factor preponderante no desenvolvimento equitativo de uma região, já que em caso de disrupções exteriores, uma determinada estrutura é um ponto distintivo no quadro representativo do País, capaz de exercer ou assumir a função operativa de outras infraestruturas semelhantes. A palavra autonomia com o seu significado e conjugado com a capacidade operativa ou de processamento e a livre iniciativa são as principais bases para colmatar deficiências crónicas que grassam pelo nosso concelho.

Um exemplo ilustrativo que perdura há imenso tempo é o do antigo matadouro de Viseu sito em São João da Carreira, que com o seu encerramento caiu no desprezo crónico dos nossos governantes locais sem a agilização de alternativas fiáveis aos produtores.

19/09/2020

Não confundir Viseu Marca com a Marca Viseu!

A Sábado desta semana destaca as “mulheres de autarcas de Viseu em empregos dirigidos por maridos”. Trata-se de um assunto que não é novidade para nenhum dos viseenses atentos e interessados pela vida política do concelho. Aliás, bastaria ao jornalista da Sábado uma googladela mais afinada para sem dificuldade engrossar o tema e porventura, emprestar matéria de relevo ao MP que até poderá estar já em investigação, tantas foram as visitas que a PJ já realizou ao Rossio, mas vamos circunscrevermos-nos aos factos. 

Ora, sigam estes passos: 

1. Façam uma busca por “Júri Viseu Marca” e logo o motor de pesquisa vos devolverá na primeira linha um pdf relativo a um concurso da Feira de São Mateus. 

2. Se visualizarem o pdf logo no ponto 2 constatarão que o júri do ajuste directo foi constituído por Cristina Almeida Henriques, esposa do autarca como presidente do júri no que foi coadjuvada pelo vereador Jorge Sobrado. 

Ora, não sendo jurista pode a minha análise colher erros técnicos contudo, um leigo reconhecerá com facilidade que o “ajuste directo” em causa está previsto pelo DL n.º 18/2008, de 29 de Janeiro, vulgo Código dos Contratos Públicos e é essa mesma legislação que é avocada neste caso através do art. 24 (vidé ponto 2). De acordo com o Regulamento da Feira de São Mateus, que pode ser consultado no site, a Feira de São Mateus é organizada e realizada pela Viseu Marca “sendo que, a entidade promotora da Feira de São Mateus é a Câmara Municipal de Viseu” e à data o presidente da Câmara Municipal de Viseu é António Joaquim Almeida Henriques, casado com Cristina Almeida Henriques, presidente do júri do supra referido concurso público, advogada, inscrita na Ordem dos Advogados com a cédula activa num domicilio que foi e é utilizado como sede de várias empresas, conforme uma consulta fiscal ao portal da Justiça poderá constatar. O art. 67º, n.º 5 do supra mencionado CCP, determina que “antes do início de funções, os membros do júri e todos os demais intervenientes no processo de avaliação de propostas, designadamente peritos, subscrevem declaração de inexistência de conflitos de interesses, conforme modelo previsto no anexo XIII ao presente Código e que dele faz parte integrante.” A Srª Dra. Cristina Almeida Henriques, enquanto cônjuge do Sr. Presidente da CMV, entidade promotora da Feira de São Mateus, e, enquanto advogada e conhecedora do Direito e das incompatibilidades que decorriam da sua posição enquanto presidente de júri, no âmbito da contratação pública, bem sabia que lhe era impossível subscrever tal declaração de inexistência de conflitos de interesses, a menos que o fizesse com a omissão de vários preceitos legais, nomeadamente, o art. 69º, n.º 1, al. b) do CPP, que impede que os titulares de órgãos da Administração Pública e os respetivos agentes, possam intervir em procedimento administrativo ou em acto ou contrato de direito público ou privado da Administração Pública, quando por si ou como representantes ou gestores de negócios de outra pessoa, nele tenham interesse o seu cônjuge ou pessoa com quem viva em condições análogas às dos cônjuges, não podendo, nos termos do n.º 3 do mesmo artigo, haver lugar, no âmbito do procedimento administrativo, à prestação de serviços de consultoria, ou outros, a favor do responsável pela respectiva direcção ou de quaisquer sujeitos públicos da relação jurídica procedimental, por parte de entidades relativamente às quais se verifique qualquer das situações referidas. Até aqui, senhores advogados, falhei algo? 

 Tal como, o art. 73º do CPA, que determina que os visados peçam dispensa de intervir no procedimento ou em acto ou contrato de direito público ou privado da Administração Pública quando ocorra circunstância pela qual se possa com razoabilidade duvidar seriamente da imparcialidade da sua conduta ou decisão. Acresce ainda, o preceito legal vertido no art. 8º da Lei 27/96 de 1 de Agosto, que prevê a perda do mandato, em situações como as do caso em apreço. 

Todas as incompatibilidades supra referidas e respeitantes à Senhora Dra. Cristina Almeida Henriques, são igualmente aplicáveis ao Sr. Vereador da CMV e Director da Associação Viseu Marca Dr Jorge Sobrado, pelos mesmo motivos, na minha modesta opinião realizada tão só à luz dos factos e sem qualquer outro juízo pessoal. 

 Devia na ocasião este ter-se abstido de integrar o Júri à semelhança do que deveria ter feito a Sra. Dra. Cristina Almeida Henriques. Por sua vez, o Sr Vereador Sobrado, na qualidade de Director desta associação de interesse público, deu emprego à própria mulher, Bárbara Sobrado, delegando-lhe os poderes de direcção, como técnica superior, contra o pagamento de um salário condicente com a responsabilidade do cargo que ocupa, como a Sábado noticia. Bárbara Sobrado, que é simultaneamente sócia maioritária e gerente de uma outra empresa com o mesmo objecto social da Viseu Marca e que pode ser consultado no Portal da Justiça (EstreiaEnredo Comunicação, Lda). 

 A SÁBADO afinal ficou-se pela espuma do que consta na cidade à boca pequena mas ainda assim fizeram o papel que lhes compete. 

Ao MP caberá decidir se existe ou não matéria que ultrapasse a lei. 

O que me incomoda nisto é perceber que a Viseu Marca poderá ser o que no País passe a ser entendido como a Marca de Viseu e os viseenses não merecem isso.

08/09/2020

As famigeradas acessibilidades da Região de Viseu e a acção política local

É vulgar dizer-se que Viseu nasceu de um cruzamento de vias romanas e José Coelho chega a apontar uma dúzia delas. E fala-se nisso para mostrar a importância geográfica, geoestratégica até de Viseu no espaço ibérico. O facto é que o concelho e região de Viseu pela sua localização geográfica, privilegiada em relação ao restante território (proximidade espacial ao litoral e a Espanha) não encontra no seu território um conjunto de acessibilidade que corresponda aos padrões europeus. O IP3 é uma miséria há anos e vai continuar a ser mas de cara lavada com mais uns milhões em cima, as AE resultaram da adaptação vulgar dos ex-IP´s e Viseu cá continua ano após ano, a ser esta encruzilhada em que as vias servem mais para levar que trazer!

A oferta de boas acessibilidades, é condição essencial para que a região possa competir através de factores que advêm indirectamente das infraestruturas de comunicação são elas, a competitividade com redução dos custos de transporte, a redução de tempos de duração de viagem e a segurança dos viajante. Isto tudo com a devida manutenção ao piso, adequada sinalização, atenção à sinistralidade, ao volume de tráfego, a correção de traçados ou a construção de variantes às povoações. Todas estas obras são cobertas pelos impostos cobrados através do imposto de circulação e o adicional aos dos combustíveis, entre outros esbulhos ao bolso do contribuinte.

Na região os últimos grandes investimentos ocorreram com a construção da ligação da R 230 Tondela-Carregal do Sal, da A 24 de raiz (a 2ª autoestrada com menos tráfego do país) e da A 25 com a destruição parcial do IP 5, que culminou sem a oferta de uma via rápida sem custos para o utilizador (esmifrado pelas parcerias público privadas em que a ministra da (des)coesão ainda não arranjou uma solução). A região continua à espera da conclusão do IC 12 (Canas-Mangualde A 25), do IC 6 (Tábua-Seia), do IC 37 (Viseu-Seia) e da EN 329 (Vila Nova de Paiva-Moimenta) nada se sabe. Durante os últimos anos aos nossos governantes (incluindo os locais), nunca lhes passou pela cabeça a elaboração de um grande plano de beneficiação de estradas nacionais que visasse a eliminação de traçados sinuosos (as curvas que bordejam os vales dos rios), construção de viadutos para vencer desníveis, construção de variantes às povoações e  adição de faixas para veículos lentos. Muitos kilómetros de estrada beneficiariam deste efeito nomeadamente a EN 231 Viseu-Nelas, a EN 232 Mangualde-Gouveia, a EN 229 Sátão-Aguiar da Beira e a EN 228 Vouzela-Mortágua.

Recentemente a EN229 veio para os jornais, uma vez mais uma questão muito politizada, com a inútil demissão de responsabilidades por parte de todos os agentes políticos, autarcas, deputados eleitos pelo círculo eleitoral, com o contributo involuntário e invisível, da passividade das gentes locais. A desculpa da falta de fundos, mesmo quando o advento dos fundos comunitários jorravam dinheiro para a construção de estradas, os senhores decisores nunca se lembraram de amealhar para mandar efectuar e efectivar estudos de traçados prévios. Para acabar de vez com a chaga, para acabar com uma estrada com elevado volume de tráfego, os atravessamentos de núcleos urbanos (que cresceram exponencialmente nas últimas décadas e que não são qualificados no que concerne ao espaço público), com geometria de via, herdada do início século passado e não adaptada aos veículos que permitem circular em alta velocidade.

A EN229 é também ela o melhor retrato da qualidade dos politicos locais, muito poderosos no Rossio mas completamente ignorados no Terreiro do Paço. Já teve promessas de 4 faixas do PS, Junqueiro pois então quem havia de ser, de protocolos laranja de Ruas a Almeida Henriques e no final, é agora alvo de mais um contrato compromisso que logo que passem as eleições é um contrato pró lixo!

A EN 229 é um exemplo exímio do que não deve ser uma via de comunicação, com a agravante de ser um eixo de ligação entre Viseu e o Alto douro Vinhateiro com ligação, a Aguiar da Beira, Sernancelhe, Penedono e São João da Pesqueira, e parte dos percursos decididos pelos condutores que vêm de Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva. Ademais o traçado entre o Sátão e Viseu é suporte das deslocações pendulares diárias e dos veículos de socorro que se deslocam para o hospital de Viseu. Anos e anos de espera, discussão nos gabinetes, passar de culpas, desresponsabilização de obrigatoriedades, encontrou-se soluções amputadas carregadas de polémica, com uma tímida contestação logo tomada por interesses partidários para luta política e na busca de protagonismo. A polémica centra-se no concelho de Viseu, na freguesia de Rio de Loba, com a preconização de uma solução viária, um troço variante para servir com uma única premissa a zona industrial de Mundão e requalificação do restante troço com a contribuição da Câmara Municipal de Viseu e do Sátão. Uma ligação que tem como ponto de partida uma curva da antiga IP 5, um futuro nó de acesso que atravessará o Vale de Fachas, tudo isto já representado no Plano Director Municipal. (ver figura). Este “vale” possui uma importante reserva de subterrânea de água com captações para abastecimento de água potável aos residentes da freguesia, como dois reservatórios de Água dos Serviços Municipalizados, mancha florestal consistente com espaços agrícolas e percurso pedestre (grande rota de mamaltar de Fachas) instalações desportivas sem esquecer o património arqueológico. Também se prevê rasgar o tecido urbano do centro de Rio de Loba, com ligação à circular de Viseu (ver fígura) uma solução com impactos negativos como a poluição ou o ruído. A elaboração do plano director municipal, oculta-se, não se representa graficamente as restrições e condicionantes ambientais e físicas que o extenso território possui, para evitar chatices e aborrecimentos prolongados a algum técnico. Denota-se também um desconhecimento crónico do território e suas particularidades que só se vislumbra com visitas aos locais. Assim legitima-se uma solução com impactos ambientais incalculáveis, sem a exploração de traçados alternativos, respeitando as condicionantes que o território possui, que não prejudique os aglomerados urbanos e que ofereça mais valias já referidas atrás. O edil e restante vereação local escusa-se e omite todas estas atitudes para legitimar outras apostas (como o parque industrial de Mundão), só se preocupa com a sua imagem e com jogo político de passa culpas nem questiona ou negoceia alternativas com a Infraestruturas de Portugal que se serviu do pré traçado para o desenho rigoroso. Deixo aqui um humilde e franco contributo, não muito rigoroso (com possíveis alternativas) com prováveis debilidades ou inconsistências (já que quem contesta também não apresenta alternativas).

 

Foram tidos em conta os seguintes parâmetros:

     Afastamento de localidades;

     Possibilidade de valorização de infraestruturas industriais e logísticas com a aproximação a estas;

     Minimização de impactos negativos na estrutura ecológica, agrícola, linhas de água e zonas de erosão;

     Possibilidade de alargamento futuro no número de faixas de rodagem;

     Desvio de fluxos de trânsito provenientes de outras zonas geográficas.

 

Alternativa 1   

Permite um acesso qualificado ao aeródromo e a Lordosa, permite desviar o trânsito viário para a A24, gozaria de uma orografia favorável com pouco impacto na estrutura ecológica municipal, mas necessitaria de protecção devido à presença de uma cabeceira de uma linha de água. O Traçado inicia-se e aproveitaria numa estrada municipal projectada no Plano director municipal, e alguns caminhos rurais, o traçado é mais extenso, uma verdadeira alternativa à parte mais saturada da EN 229, possibilita um alargamento futuro de vias e maior velocidade praticada. 




Alternativa 2

Permite um acesso qualificado à zona industrial de Mundão, com orografia um pouco desfavorável mais a norte, com impacto na estrutura agrícola que pode ser contrariado pela construção de um viaduto, mas com impacto paisagístico (um possível motivo de satisfação pela população local). O traçado inicia-se e aproveitaria numa estrada municipal projectada no Plano director municipal, o traçado é menos extenso, desvia o trânsito dos aglomerados urbanos da EN 229, a velocidade praticada seria um pouco menor face à alternativa 1.

 


 

Todas estas alternativas implicam um aumento de trânsito na radial de Santiago, mas aproxima os habitantes da quinta do Catavejo e do bairro da Torre ao Centro da Cidade e a qualificação do espaço público da EN 229 na zona de Travassós e da Quinta de São João da Carreira, que tão bem necessita e anseiam os moradores.







Para ilustrar o raciocínio exponho atrás as condicionantes que foram tidas em conta, para mostrar como se deve exercer o desígnio público de transparência para o bem de todos e se possa discutir abertamente. Valem o que valem e também não duvido que quem as devia valorizar as ignora. Pérolas a porcos, dizem-me alguns. Talvez, mas ainda há muitos e muitos e tantos e tantos viseenses que merecem melhor, melhores vias de comunicação e melhores vidas para si e para as gerações vindouras.