22/01/2005

Ainda a propósito de choques...

Também não pude deixar de ficar chocado com este azar...


Mui Nobre Cidade

CANTO
PARA A JUSTA ACLAMAÇÃO DE VISEU

Palavra declamada em pedra,
que à arte mineral e pura se deu,
senhorial e descobridora,
com sílabas de granito
se abriu ao mundo:
foi além e acolheu-se
ao mar antigo e à terra estranha,
à gente remota e afeiçoada.
Daquela janela saudosa,
como verso que se faz poema
no curso vário, secular,
do alto se desvelou e viu,
e a novo canto se deu:
arte viva, grã cidade, Viseu.

Poema de José Valle de Figueiredo

Também eu te canto, Cidade minha...

O Caminho de Viseu

Saí da Casa de Marta. na ilharga
do mistério que é ser óleo. perspectiva:

uma face deste chão: beira de uma alma
adormecida no granito ainda quente
sob um leito rupestre de vinho.
Segui pegadas de broa que S. Pedro
foi largando a abençoar os pardais: a soltar
os caminhos em direcção ao Fontelo
onde doze druídas tentam deus: convencê-lo
a por ali ficar se ele quiser provar
uvas mais doces do que as dele: ver homens
por ele não criados. e ainda mais felizes que ele.
Quando cheguei: uma sé inteira iluminada
de figos e amoras. me esperava
aconchegou-me no seu colo. por entre
o sussurrar de ladainhas ancestrais
e ainda antes de adormecer a eternidade
vi ao longe três cavaleiros atravessarem
uma porta de cristal: iam semear a boa nova
deste lugar. onde a vida aprendeu a ser barbo
castanheiro e mulher. iluminura apenas: tanto faz.

Poema de Jorge Branquinho

Linda Cidade Museu

Estado de Choque...

Depois do choque fiscal está ai o choque de gestão... Do outro lado a aposta é no choque técnológico! E, chocado estou eu com tanta falta de visão para o País! Chocado estou eu por ver que nenhum politico, da esquerda à direita, se entende sobre os problemas graves de Portugal. Chocado estou por ver que no horizonte não se vislumbra nada de novo. E, mais chocado estou por saber que já estamos na cauda da Europa!
E.T: Os brasileiros já aplicaram este processo, como poderemos ler em http://www.indg.com.br/choquedegestao/apresentacao.asp. O resultado que deu não faço ideia. Quem terá ido lá em férias?

Será que ninguém consegue iluminar este País?

Ainda sobre a GAMVis

A GAMVis começa a mexer... No minimo com as ideias das pessoas, o que já não é mau. Nos tempos sombrios que correm é sempre louvável encontrar uma opinião atenta e esclarecida sobre o que quer que seja. O Azevedo Pinto tem feito publicar no Jornal do Centro uma critica interessante sobre a GAMVis, já aqui a outros propósitos citada. Desta feita aponta uma estratégia que na sua opinião poderia ser seguida pela área metropolitana de Viseu. Ora leiam:
(...)
Diversos estudos na União Europeia demonstram que as cidades que lideram a competitividade económica e os sistemas urbanos são os motores mais importantes do desenvolvimento regional. Viseu tem que assumir esse papel e não o pode delegar, por simples obrigações e arranjos político partidários, em filiais ultraperiféricas. Uma orientação estratégica inovadora e alternativa deveria centrar-se nas seguintes opções:
(1) Investimento forte em recursos humanos qualificados – Desenvolvimento de um Centro de Conhecimento – " Viseu Cidade do Conhecimento";
(2) Desencadear o acesso às novas tecnologias da informação e da comunicação. Estou a falar de acções de conectividade interna e externa da GAMVIS;
(3) Estimular a progressão da cadeia-valor das actividades tradicionais (transformação de recursos naturais, abate e conservas de carnes, vinho e transformação de madeira, entre outros), nomeadamente através da intensificação da incorporação tecnológica e dos recursos à investigação e inovação partilhadas e ainda os recursos de cooperação empresarial.
(4) Diversidade económica – o sucesso comercial e o reconhecimento empresarial, dos produtos e das marcas, por exemplo – a marca Dão no sector dos vinhos - são resultado da diferenciação através da inovação, através de novos produtos com uma nova engenharia, novos materiais e estudos de mercado sólidos.
(5) Qualidade de Vida – Importante trabalhar-se no sentido de se elevarem não apenas os parâmetros tradicionais: Número de Médicos por 1000 habitantes; Nº de Camas de hospital por cada 1000 habitantes; Mortalidade infantil por cada 100 habitantes; Habitação; Percentagem de população abastecida por água ao domicílio; Percentagem de população servida por sistemas de Drenagem de esgotos; Percentagem de população servida por sistemas de recolha de resíduos sólidos; Despesas correntes em Ambiente, como também factores que cada vez mais devem assumir maior importância, embora bastantes mais difíceis de quantificar, como sejam as qualidades estéticas e culturais das áreas péri-urbanas o acesso ao espaço rural, à tranqüilidade – por exemplo "Viseu Cidade Verde" . Como ainda, referênciais não apenas associados ao nível de vida material (PIB per-capita regional ou IPC – Índice de Poder de Compra Regional), mas também à saúde, segurança, acesso à educação e assistência médica.
(6) Finalmente, a capacidade estratégica para mobilizar e implementar estratégias de desenvolvimento no longo prazo. No fundo um Plano Estratégico suficientemente inovador e mobilizador. Um planemaneto estratégico participado pelas populações e pelos cidadãos, não fechado e decidido nos aparelhos político-partidários, integrador no médio e longo prazo centrado nas capacidades endógenas e gerando novas oportunidades futuras.
(...)
Gostei em especial da ideia Cidade Verde e Cidade do Conhecimento. Não faço ideia qual será o caminho que a GAMVis irá construir. Igual a este aqui proposto não é mau, antes pelo contrário. Melhor também se aceita!!!

20/01/2005

A invasão dos bárbaros

Meus Amigos, transpondo umas palavras de Rathenau, parece-me que assistimos à«invasão vertical dos bárbaros». Hoje recebi no meu correio electrónico prova evidente desta afirmação e que a imagem abaixo traduz. Imaginem só que a par da miséria que ainda assiste os povos que recentemente se viram vitimas da revolta da natureza já outros se aprestam a gozar os prazeres que o dinheiro lhes possibilita. Ainda uns limpam o rasto de morte e destruição do maremoto e já outros indiferentes a tal situação procuram o sol e a beleza que, felizmente a natureza ali manteve. Irónico, não é?
Lembra-me a este propósito uma passagem de "Escrever" de Virgilio Ferreira. Aqui fica para nossa reflexão.
(...) É a palavra de ordem para o homem de hoje. Destruir. Tudo. Os deuses, as artes, diferenças culturais, ou a só cultura, diferenças sexuais, diferenças literárias ou a só literatura que leva hoje tudo, valores de qualquer espécie, filosofias, o simples pensamento, a simples palavra - tudo alegremente ao caixote. Entretanto, ou por isso, proliferação das gentes com a forma que lhes pertence, devastação da sida, que foi o que de melhor a natureza arranjou para equilibrar a demografia, droga dura para se avançar na vida mais depressa, criminalidade para esse avanço, juventude de esgotos nocturnos, velhos em excesso e que não há maneira de se despacharem e atulham os chamados lares de idosos ou simplesmente os depósitos em que são largados até mudarem de cemitério, politiqueiros que têm a verdade do erro que se segue e o mais e o mais. É tempo de cair um pedregulho como o que acabou com os dinossauros há sessenta milhões de anos e de poder dar-se a hipótese de a vida recomeçar. Até que venha outra vez a destruição e Deus definitivamente se farte do brinquedo. Entretanto vê se vês ainda alguma flor ao natural e demora-te um pouco a admirar-lhe a beleza e estupidez.


Uma desgraça alcança outra

19/01/2005

Plágio

Aproveitando o facto de o Pacheco Pereira a esta hora estar na SIC Noticias a participar na quadratura do circulo, plagiei do Abrupto (http://abrupto.blogspot.com/) o texto dum dos seus leitores que transcrevo abaixo e que merece a nossa reflexão:
Os portugueses entram em êxtase de orgulho nacional a propósito de qualquer sucesso desportivo para o qual nada contribuíram e do qual nenhum ganho receberão. Hoje uma sonda repousa em Titã, depois de sete anos de viagem. Nela uma pequena bandeira portuguesa, junto à de outros países europeus, assinala a nossa contribuição para a ESA. Todos os portugueses que pagam impostos deveriam estar muito orgulhosos. Contribuíram para o sucesso desta extraordinária aventura cientifica. E, a longo prazo, de formas hoje nem sequer sonhadas, toda a Humanidade beneficiará. Mas não estão. A maior parte nem sabe que tem lá uma "parte". Só uma pequena, muito pequena minoria está orgulhosa da nossa contribuição. No número dos orgulhosos não se contarão os nossos governantes, pois estamos em risco de ser expulsos de várias instituições cientificas europeias por falta de pagamento das contribuições anuais. Cada país orgulha-se do que quer. Nessa escolha se pode encontrar explicação para muitos outros equívocos. Afinal, as coisas são de uma simplicidade cartesiana: na mediocridade dos nossos orgulhos está a razão do insucesso dos nossos actos.
(Luís Correia)

A Tertúlia de Viriato

A blogoesfera das terras da beira está mais rica. Apareceu mais um endereço novo onde se afirma que aqui, em Viseu e neste Blog (http://tertuliaviriato.blogspot.com/) poderemos todos partilhar, na mesma “pátria da língua”, a procura de um renovado e global alento, através da redescoberta dos fluxos míticos primigénios e dos tonificantes afectos, energias e sinergias, indispensáveis à realização de sonhos e projectos, indispensáveis à poética instauração de esperanças e utopias…
Fica aqui o desafio para participar nesta Tertúlia!

18/01/2005

Eu já tive uma vida... agora tenho um computador e um modem

a estrutura da vida...

Se o Universo está em expansão ...porque é que eu não encontro um lugar para estacionar?!

Quem sabe nunca esquece...

A velhada apresentou-se ontem no programa "Prós e Contras" da RTP. E, meus amigos, para mal dos nossos pecados, fiquei com a ideia que em matéria político-partidária os mais novos têm muito caminho para andar ainda. Aprende-se muito com a idade...

Áreas Metropolitanas - Fundamentos legais

A Lei 10/2003 de 13 de Maio, constitui a base da reforma da organização administrativa que deu origem à GAMVis. Este diploma estabelece a criação, as atribuições e competências e os órgãos das áreas metropolitanas, divididas em dois tipos: as Grandes Áreas Metropolitanas (GAM) e as Comunidades Urbanas (ComUrb).
No processo de instituição das novas entidades administrativas locais, deve salientar-se o primado da vontade como paradigma fundamental.
Para que a área metropolitana seja instituída existe um procedimento a seguir por cada um dos municípios que a venham a integrar, cujas fases mais significativas são uma proposta da Câmara Municipal e a subsequente aprovação na Assembleia Municipal por maioria simples (Lei nº 10/2003, art. 4º, nº 1 e nº 2). Seguidamente, como corolário desta ideia volitiva, as áreas metropolitanas terão de se constituir por escritura pública nos termos da lei civil (Lei nº 10/2003, art. 4º, nº 4), sendo outorgantes os presidentes das câmaras que participem no processo.
Será criada uma Comissão Instaladora (art. 38º, nº 1, da mesma lei) logo após a escritura pública, integrada pelos Presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e por representantes das câmaras municipais que façam parte da área metropolitana. A função desta Comissão Instaladora é o provimento dos órgãos das áreas metropolitanas e a realização da primeira reunião após 30 dias contados a partir da sua instituição. A constituição das áreas metropolitanas deverá ser comunicada pelo município escolhido para sede da área metropolitana ao membro do Governo que tutele as autarquias locais, bem como à respectiva Direcção-Geral e terá de ser publicada na 3.ª série do Diário da República ( art. 4º, nº 5, da mesma lei).
Aliás, no que respeita ao funcionamento dos seus órgãos as áreas metropolitanas têm, também, como regime subsidiário as regras aplicáveis aos órgãos das autarquias locais.
Os órgãos das áreas metropolitanas são (art. 9º, da mesma Lei nº 10/2003):
· - Assembleia;
· - Junta;
· - e Conselho.
Todos esses órgãos serão designados como “metropolitanos” ou da “comunidade urbana” consoante o tipo de área metropolitana que estiver em causa.
A Assembleia é o órgão deliberativo constituída por membros eleitos por método de Hondt, simultaneamente, em todas as Assembleias Municipais.
A Junta é o órgão executivo da área metropolitana, constituída pelos presidentes das câmaras municipais que a integram.
É inegável um predomínio interno da junta quanto à dimensão das competências que lhe estão conferidas por lei. O art. 18º, nos seus nºs 1 a 5, compreende cerca de 53 poderes-deveres funcionais directamente concedidos à Junta, nos domínios da organização e funcionamento da área metropolitana, no planeamento e desenvolvimento, no âmbito consultivo, na gestão territorial e na coordenação e promoção das políticas metropolitanas. Este acervo de competências faz com que o órgão executivo seja o principal responsável pela implementação das acções da área metropolitana.
Para órgão auxiliar da Junta pode esta propor à Assembleia a criação de um Administrador Executivo, sendo que as GAM têm, ainda, como alternativa a criação de um Conselho de Administração com um número máximo de 3 membros, de acordo com o disposto no art. 21º, da Lei nº 10/2003.
Quanto ao Conselho da área metropolitana, limita-se a ser um órgão consultivo com competência para dar pareceres que lhe sejam pedidos pelos demais órgãos da área metropolitana.
As áreas metropolitanas podem-se auto-extinguir por dissolução, fusão e cisão, sendo necessária, em qualquer dos casos uma aprovação na Assembleia por maioria de dois terços, mantendo a sua personalidade jurídica até à aprovação final das contas pelos liquidatários (art. 33º, da Lei nº 10/2003).

Mais um passo em frente na GAM Viseu

Os órgãos da Grande Área Metropolitana de Viseu (GAMVis) tomaram ontem posse, numa cerimónia realizada ao final da tarde. No discurso, o presidente da junta metropolitana, o social-democrata Álvaro Amaro, sublinhou a necessidade das bases gerais da "agenda metropolitana" estarem aprovadas até ao final de Junho, para que alguns dos "investimentos estruturantes" sejam incluídos no Orçamento de Estado de 2006.
No discurso da tomada de posse, Álvaro Amaro destacou a necessidade de se aprovarem as bases gerais de uma "agenda metropolitana", ou seja, um "plano orientador" da GAMVis, que "não deve ser apenas o repositório das necessidades". "Até ao final do primeiro semestre de 2005, era importante que aprovássemos as bases gerais da agenda. É o momento que coincide com a elaboração do Orçamento de Estado para 2006, onde a GAMVis deve rever-se em alguns dos seus investimentos estruturantes", sublinhou, acrescentando que até lá será "accionado o funcionamento do conselho da GAM, órgão consultivo, para que os responsáveis dos organismos públicos sintam também" a vontade em "concentrar esforços e ser eficientes na afectação de recursos".
Álvaro Amaro acredita que desta forma os órgãos da GAM estarão "solidamente preparados para aconselhar bem", quando lhes forem pedidos os pareceres a que a lei obriga, e que serão "capazes de gerir bem os recursos financeiros, nacionais ou comunitários". "Recuso apenas bater o pé por bater o pé! A agenda metropolitana deve conter em si própria não apenas o repositório das nossas necessidades, mas os investimentos estruturantes, que vão para além da escala municipal", argumentou.
Apesar das 52 competências das grandes áreas metropolitanas, o social-democrata realçou que "a grande maioria é pedir pareceres, planear, consultar", tal como "à boa maneira dos tempos que têm existido". "É altura de criarmos aqui uma ruptura. Queremos estruturar, ser consultados, dar pareceres, mas [também] ter capacidade de decisão. E para isso têm de ter os seus próprios recursos, ter acesso ao modelo de gestão do próximo Quadro Comunitário de Apoio 2007/2013", vincou.
Maria Albuquerque In Jornal Público
http://jornal.publico.pt/2005/01/18/LocalCentro/LC25.html
No nosso sistema politico, persiste ainda um modelo administrativo com fortes índices de centralização, ainda que atenuado com o aparecimento das autarquias locais, os municípios e as freguesias. Mas a parte de leão dos poderes administrativos tem permanecido na esfera do Estado-Governo e nas múltiplas entidades administrativas que este dirige, orienta e superintende.
A ideia de que a administração directa se deverá descongestionar de atribuições e competências transferindo-as para outras entidades administrativas dotadas de personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira, parece ter, à partida, ingredientes suficientemente atractivos para estimular a sua aplicação. Mas a unica coisa a que temos assistido é que o grau de dependência da administração directa foi apenas ligeiramente mitigado. A mudança de protagonista tem sido apenas funcional e não essencial, focalizando-se nos interesses organizativos internos da Administração e não no incremento da eficiência da sua actuação.
Para além disso, os entes da administração indirecta estão desprovidos do verdadeiro poder de decidir face ao possante poder de controlo a que estão sujeitos. A sua autonomia decisória é relativa e normalmente limitada no seu regime legal e ainda mais na prática concreta de actuação. Será a pensar nisto que o novo Presidente da GAMVis assume ser necessária a ruptura ganhando capacidade de decisão. Álvaro Amaro, politico experiente sabe que já existem planos estratégicos sectoriais e que não será dificil concentrá-los, vencidas que sejam as barreiras locais que também continuarão a existir, numa única agenda global para a GAMVis. Dificil será como ele já percebeu galvanizar meios e sobretudo conseguir poder decisório que dê resposta às vontades das gentes da área metropolitana sem a interferência centralizadora do poder central. Vai ser preciso bater o pé...

Fado falado... Pode ou não falar-se o fado?

Depois de ter visto na SIC o Pinto da Costa a declamar poemas, até eu me atrevo um dia destes a libertar aqui a minha musa inspiradora. Se é que existe em mim tal ser! Duvido...
Ainda assim, inspirado nesta bela foto da Sé de Viseu à noite vem-me á memória um fado, não cantado mas sim falado que o saudoso Villaret diria assim:

Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar
Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciume e morte
E um coração a bater forte
Uma história bem singela
Bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde
Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos
Debaixo da mesma cama
Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:
Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar
Mas um dia,
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas
O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro
Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele
E o ciume chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha
Tu tens de morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua
Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem e entendem sua dor
Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar
E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris
Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir
Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar
Tem gritos de cor
Há alegria na viela
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os dois
Lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado.

Linda cidade Museu

17/01/2005

A inveja mora muitas vezes ao nosso lado!

José Gil, 65 anos, autor e professor catedrático de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, autor de numerosos ensaios, artigos em revistas culturais, entradas em enciclopédias e livros de reflexão filosófica e a última edição da revista francesa "Nouvel Observateur" considera-o um dos "25 grandes pensadores de todo o mundo". O Público de Domingo publica uma entrevista que vale a pena ler.
Ora atente neste extracto:
(...)
P. - Não agimos, mas também não deixamos ninguém agir. Como funciona esse mecanismo?
R. - O mecanismo da inveja tem a ver com práticas da magia, o "mau olhado", o "quebranto", e também com o que em psiquiatria se chama "transferência psicótica", ou seja, o que passa de uma pessoa para outra e não é verbal. Imagine que você chega ao pé dos seus colegas e diz: "Fiz uma reportagem extraordinária!" E não está a falar por vaidade, mas objectivamente. Mas logo o tipo que está a seu lado diz: "Ai sim? Pois muito bem." E com este tom introduz em si um afecto inconsciente que o vai paralisar.
P. - É um mecanismo semelhante ao do ostracismo?
R. - Exactamente. Cria-se um ambiente que é hostil à iniciativa e que tem um efeito sobre a própria vontade de querer fazer. Isto é generalizado em Portugal. A inveja é mais do que um sentimento. É um sistema. E não é apenas individual: criam-se grupos de inveja. Várias pessoas manifestam-se simultaneamente contra a sua iniciativa. Cria-se um ambiente de inveja. Um grupo determinado age segundo os regulamentos da inveja.
(...)
Há dúvidas sobre isto?

16/01/2005

Noticia de última hora

Contráriamente ao que possam pensar o JN de hoje deve a sua tiragem excepcional não á entrevista do Dr Santana Lopes mas sim à noticia do Blog Viseu Senhora da Beira!
Pois é, estamos a ficar internacionais. Desde o dia 06 de Janeiro que o contador está a funcionar (com a ajuda do Luis Mineiro da Z-Bit e do Canal Viseu) que o Blog tem registado visitas de cibernautas dos Estados Unidos (12%), do Canadá, Brasil, Inglaterra, etc. como poderá verificar se clicar no icon do Nedstat colocado em baixo à direita após os links. Bem, hoje não é 1 de Abril para inventar esta noticia assim mas, mas estou entusiasmado com os resultados... E refuto fundamentais os vossos comentários! Para quando? Vá lá... ajudem a crescer esta ideia! E, vamo-nos encontrando por aqui...