Diz-me um amigo no seu email, depois de confessar o seu amor a Viseu, sentimento comum nos leitores do blog (espero eu!) que a "interioridade é ainda em Viseu e infelizmente um handicap forte, que não tem permitido tirar todo o partido possível do progresso que apesar de tudo é assinalável".
Pegando nessa afirmação é fácil afirmar que, apesar do evidente progresso, inúmeras dificuldades continuam a colocar-se na nossa região em matéria de atracção de investimentos, de reconversão e diversificação do tecido produtivo, de criação de emprego capaz de fixar as populações mais jovens, de aproveitamento de recursos naturais e ambientais, de defesa e promoção do seu património arquitectónico, e de tantos outros aspectos que, dia a dia, se repercutem, por vezes de forma bem negativa, na vida de cada um dos viseenses e beirões.
Na política de desenvolvimento seguida encontramos de tudo: florestas de produção, vulgo, eucaliptos e discursos inflamados, campos de golfe e miragens, turismo na serra e incêndios na montanha, zonas industriais desertas e multinacionais enquistadas e incertas numa qualquer área, Politécnicos e universidades com muitos alunos e poucas oportunidades de emprego, e outras tantas quantas situações se poderiam pôr nesta lista de realidades, dúvidas, esperanças, provocações, falhanços e sucessos. E também neste cenário encontramos muitos municípios e autarcas mediáticos a desmultiplicarem o seu protagonismo e a sua acção em prol do desenvolvimento: infra-estruturas, equipamentos, acessibilidades, loteamentos industriais, mercados, centros de saúde, bombeiros, escolas, centros históricos, organização de eventos, casas da cultura, bibliotecas, polidesportivos, piscinas, centrais de camionagem, lares de idosos, mas também excesso de Câmara Municipal-Estado-Providência, subsidiodependência, política assistencialista, e descoordenação de um aparelho estatal demasiado centralizado, hierárquico e sectorializado, e demasiado frágil ao nível local.
De facto, muitas cidades de pequena e média dimensão como a nossa aumentaram a oferta de emprego nas instituições públicas, no pequeno comércio e na construção civil e obras públicas e o ensino médio e superior têm constituído fortes atractores de uma população jovem, embora flutuante, mas mantêm como principal problema o emprego pós-diploma, por exemplo. A não resolução desta questão da criação de emprego e doutras que tenham a ver a iniciativa empresarial e investimento, com a gestão dos recursos naturais e ambientais, com a defesa e promoção do património histórico, turistico, cultural e arquitectónico transforma o nosso aglomerado urbano numa espécie de plataforma giratória, ou centrifugadora, de futuro incerto.
Pensar o Interior e acabar com a "interioridade" implica a criação de regiões que tenham o apoio nacional e comunitário que o seu desenvolvimento exige (naquelas questões) e aqui a GAMVIS terá papel primordial. A não ser assim, o amigo Pina verá por muitos anos ser uma verdade inquestionável a sua afirmação, para mal dos nossos pecados... e da nossa interioridade!