02/04/2005

A minha Pátria é a minha Língua...

Tarde de chuviscos... e à medida que vou clicando de link em link vou descobrindo coisas engraçadas pela internet. E, já reparei que a nova geração, os jovens dos 13 aos 20 dominam a rede! São já um produto destas tecnologias e estão em força por todo o lado, até nos blogs e em especial nos fotlogs e nas deviantarts, pelas comunidades globais como lhes chamam. E, esta malta revela uma sensibilidade interessante para o mundo mas em contrapartida escrevem por hieroglifos, têm um código de linguagem que se vai enraizando na net ao arrepio de toda e qualquer norma gramatical, semântica e oxalá não invadas as escolas. Ora reparem nas coisas que eles dizem por lá:
"O dextinuh une e xeparah pexoax mx mxm ele senduh tao forte, e inkapaz d faxer kom ke exkexemox pexoax ke por algum momento nox fixeram mxm mt felizex..." =))**! Apanharam? Falam sobre o destino... e num ou noutro discutem problemas sérios e com bastante acuidade! Noutros casos, é isto:
obligaduh amoreh vunituh =D fikei taum imuxiunada...n tava nd a xpera e dou aki d carax kom estah montagem lindah taum bem feitah =D baxtah xer feitah plo meu amoreh vunituh...a minha pinxexinha lindah k eu adoluh =D amoleh tou mxm imuxiunada adurei muntu =D eu tb fix uma a ti mx a minha tava beda feia e ja foi a dois diax...mx u ki kuntah amoleh e a intenxao... num keruh ver mais tu tixt...mim naum gosta nd...naum ligx pinxexinha lindah ixuh paxa kum u tempuh =D naum desperdixex u teu tempuh amuaditah kom koisas k naum merecem a tua tristexa...e owa amoreh vunituh...mim priocupa-x muntu kom tu tabem?
E esta? Perceberam? Mas, olhem que é assim que os nossos jovens se comunicam! Como vamos fazer para combater isto? Oh Camões, vem cá abaixo ver isto!!!

Cá pelo burgo...

Os jornais fazem eco de que se configura nova luta entre David e Golias pelos destinos da cidade, mas até lá, face ao tempo que falta não nos doa a barriga. Para já só se fala de candidatos a candidatos, que é uma coisa muito em voga. Certo é que o outro que não me queria ver por cá pela cidade volta lá para Lafões e eu por cá me fico... Os cães ladram mas a caravana passa!
Dei logo conta da "tanga do 1º Abril" do Jornal do Centro! Então, lembra a alguém fazer promessas de cortar o bigode se o Sporting não ganhar o campeonato? Oh, meus amigos! Se for por isso ainda vamos ver o "homem" de pontas retorcidas no bigode!!


Cidade luz...

Onde está a chave da cidade?

Ao escrevermos algo, ao deixarmos a tinta imprimir as ideias temos que ter o cuidado de não serem as palavras piores que o silêncio. Num blog quem escreve expôe-se, mostra o que pensa e dá a conhecer as suas motivações, anseios, dúvidas, sonhos, etc. E o risco de sermos mal interpretados e julgados "sem contraditório" existe. E, tenho a ideia de que isso na nossa cidade tem custos! Mas vamos deixar de questionar por esse motivo? Ainda há tempos alguém me dizia que em Viseu a "a estupidez é infinitamente mais fascinante do que a inteligência. A inteligência tem limites, a estupidez não...". É muito redutor colocar as coisas desta forma e continuo a acreditar que a cidade tem uma imensidão de potencialidades latentes à espera que alguém as descubra e impulsione. Mas também como ultimamente não tenho assistido a nenhuma "visão estratégica" consolidada, pensada e divulgada do que pode ser a cidade, mantenho reservas num pensamento e noutro. É certo que continuo a ver a cidade crescer todos os dias, que vejo obras e cimento por tudo o que é sitio, que vejo projectos a rebentar por aqui e por ali mas também vou cimentando a ideia de que isso faz parte apenas da mecânica que a cidade já se obriga e não provêm de uma visão alargada do que se pretende que a região seja daqui a 20 ou mais anos. Provávelmente, o não acompanhar mais de perto estas coisas conduz-me a tal ideia. A cidade e as estatisticas o mostram. Continua viva e enérgica mas por quanto tempo? Haverá espaço para tanta superficie comercial, para tanta aposta nos serviços sem que em paralelo se façam apostas no investimento industrial ? Haverá compradores para tanta habitação nova que, como cogumelos, surge ao redor da cidade sem que o centro histórico não fique cada vez mais em ruinas? O novo comércio que vai surgir resolverá o problema do desemprego na cidade ou só irá criar a médio prazo mais desempregados provenientes do pequeno comércio tradicional? São estas só para ilustar a ideia, entre muitas outras, algumas das dúvidas que me assistem e, por isso, no beneficio da dúvida, digo que por vezes as palavras são piores que o silêncio. Mas também calados por vezes se cai no erro. Duma coisa contudo tenho absoluta certeza, agora ainda podemos escolher o que semear na cidade, mas daqui a uns anos seremos obrigados a colher aquilo que plantámos!


Chave da cidade. Que portas irá abrir?

Ruas da minha cidade

As ruelas estreitinhas
Vestidas de antiguidades...
As janelas rendilhadas;
Nas calçadas as pedrinhas

Ó linda cidade nova
Deixa cantar esta trova
Aos recantos da cidade
A estas ruas velhinhas

Senhora da Piedade
Senhora da Boa–Morte
Ninguém sabe a sua idade
Seu destino, sua sorte

Ruas da minha cidade
Feitas de recordações:
Cada qual seu pergaminho
Com as suas tradições

Das festas, das procissões
Tantas ruas esquecidas
Da S. Lázaro a S. Martinho
Chão do Mestre, Gonçalinho
Tantas ruas escondidas

Minha altiva Rua Escura
Diz-me quem te escureceu
Se te chamam "triste – feia"
Adoça tua amargura
Se Viseu tem formosura
Foi da Rua da Cadeia
E de ti que ela nasceu !

Ruas vencidas pelo tempo
Abraçadas como irmãs
Ruasinha das Quintãs
Caída no esquecimento

Como tu há tantas outras
Engalanadas com roupas
Esperando que o sol chegue

Uma porta, uma parede
Tão juntinhos os beirados
Tão bonitas as janelas
Com os vasos enfeitados
De floresinhas singelas

A Rua da Árvore, a Prebenda
A do Carmo e outras mais
Bebiam em Santa Cristina
Numa fonte feita lenda
Das épocas medievais
Da tradição e da fé

As escadinhas da Sé,
Silva Gaio, Soar de Cima
Praça velha, dos ferreiros
Praça Nova, a transbordar
Com a feira semanal
Como é bom recordar
Esta herança já perdida,
Em tanta coisa lembrada
Em tanta coisa esquecida !

Os sinos da madrugada
Em tanta torre altaneira
A cidade era acordada
Da Via–Sacra à Ribeira

Ruas que são a saudade
Que trago dentro do peito...
Ruas que tanto respeito
Por lá morar a humildade

Nova rua, Rua Nova
Toda tu um relicário
Empresta-me a voz do Hilário
Para cantar esta trova
(E o violino do Pedrinho
Envolvido em pergaminho)
À linda cidade nova

Cantar as ruas velhinhas
Cantar todos os recantos
Tantas portas, janelinhas...
Tão pequenas as casinhas !
Tanta gente, tanta cor
Tantos e tantos recantos
Tanta criança a sorrir
Tanta paz , tanto amor
Tanto motivo p’ ra ver ...

Quem os lá não descobrir...
É CEGO SEM O SABER !

Viseu, Abril 1980
Ricardo Sandro

Rua do Comércio

Século XXI

Isto não está fácil... Uns dias é o prometido choque tecnológico que tarda em funcionar, nos outros é o choque eléctrico! Bastou uma pequena trovoada e zás... fiquei 3 horas às escuras. Logo á hora de jantar, das notícias e de rasurar aqui mais duas linhas! A EDP por sistema tem-me pregado partidas destas... e a esta hora já não consigo escrever mais nada! Fica para mais logo, se a EDP não falhar...

O problema foi na subestação do Viso... e em muitas casas

01/04/2005

Mais uma novela?

A propósito das Universidades dei conta que o Lucien da Arquitectura da UCP de repente desapareceu da cidade. Conheci o Lucien um dia no Centro Histórico de Viseu rodeado dos seus alunos e desde logo me chamou a atenção a forma profissional, entusiástica com que olhava a arquitectura de Viseu e nas poucas oportunidades que tive de acompanhar o seu percurso académico na UCP fiquei com a certeza de que aquele professor fazia parte dos homens de visão larga que imaginam o futuro e tornam mais agradável o presente, até pela atenção que ele colocava no passado. Senti isso na forma como ele me ensinou a ler a cidade. De repente, sem perceber nem o quê, nem o porquê, soube que tinha partido... E, procurei-o pela rede! Leiam o que encontrei...
Aggression and Architectural Education: The "Coup" in Viseu
by Nikos A. Salingaros
Em http://www.2blowhards.com/archives/001666.html tem lá toda a versão duma das partes do problema. Não conheço a versão da UCP, confesso, mas tenho ideia que se perdeu aqui uma oportunidade de ter uma Universidade diferente.
Já o Lucien confessa:
This is such a blessing to be supported by noble and dedicated friends! Thanks to Bill Westfall, Samir Younés, Nir Buras, Audun, Matthew, Julio Cesar, Javier, Inigo, Anne Daigle, and so many others to support the difficult battle of the New School of Viseu! My compassion goes again to the wonderfully enthusiastic and brilliant students (I miss them a lot!) and the absolutely amazingly combative little group of faculty which have taken the challenge to defend our humanist and most contemporary ecological positions on the city and architecture against a most vicious and coward enemy: ignorance, provincialism and globalization, -the worst of contemporary, the most regressive of modernity and the most ridiculous backward-looking of modernism...
Já Cerqueira de Souza in http://arauto.com/viseu/ diz:
The academic world has been shocked and outraged by the recent news from Viseu. Once an internationally acclaimed school of architecture, through the combined effort of the faculty group, now under siege by the Rector (Braga da Cruz) and the local administrator (Passos Morgado) for rea-sons unknown or of a more private nature
e
After three years of hard work the bad guys win! After forcing the resignation of the coordinator and father to the school of Viseu (José Cornélio da Silva) the «architects» of this malevolent plan (Rector Braga da Cruz and local administrator Passos Morgado) took the opportunity to eradicate all the teachers and introduce a set of 15 modernist hard-liners that before the awe of the faculty core proclaimed «the end of the brainwashing».
Os protestos continuam por ali...
Enfim, as Universidades em Viseu (as que existem e não existem) parecem estar mesmo fadadas para as novelas...

31/03/2005

Universidade por um canudo?

Já se suponha que a novela da Universidade Pública iria ter novos capítulos e novas personagens... Os jornais desta semana têm dado conta disso embora seja um assunto que queime e por isso, todos, de um e de outro lado, tentam sacudir a água do capote! No meio os viseenses assistem com pesar a este novo enredo! Ora leiam o que o DRegional de hoje dá conta:"A Concelhia de Viseu do PS lamenta que não exista "qualquer instrumento legislativo de criação da universidade pública de Viseu... afirma não haver qualquer decreto-lei que sustente a nova instituição... A situação da criação da Universidade Pública de Viseu levou já o deputado do PSD, Almeida Henriques, a questionar o primeiro-ministro sobre qual a intenção do actual governo socialista sobre esta matéria,... e considerou que não é justo dizer que o anterior Governo não deixou trabalho feito, lembrando o desenvolvido pela equipa liderada por Veiga Simão e o «plano de acção da universidade pública», onde está a forma de organização, o modelo de gestão e o quadro financeiro. Também o autarca viseense pediu já uma reunião com o novo ministro do Ensino Superior para obter esclarecimentos. Em Novembro, Veiga Simão anunciava que a nova universidade seria constituida pelo Instituto Politécnico e por um Instituto Universitário de Estudos Avançados a criar de raiz.
Afinal, em que ficamos?

Universidade de Viseu... uma novela com muitos protagonistas, capítulos mas sem fim à vista!

Sobre um ex-libris de Viseu

RUA DIREITA DE VISEU

Comprida e torta
Muita e muita porta
Travessas e ruelas
Quelhas, casas novas, casas velhas
Casebres, palacetes
Cântaros, tachos, panelas
Bombas, estalos, foguetes
Dedais, agulhas, alfinetes
Sementes de nabiça e rabanetes

Pensões, tascas, restaurantes
Pentes, detritos, cascas
Pulseiras, anéis e brilhantes
Carapaus fritos
Malas, malinhas, maletas
Pás, gadanhos, picaretas
Bananas, bifanas
Presunto, chispe, chouriças
Talhos, cartas e baralhos
Avisos p´ras missas
Pós p´ra toda a bicharada
Muita porta ornamentada
C’a existência dependurada!
Plásticos, elásticos
Jardins suspensos de bacios
Garrafões, alguidares, assobios
Cestos e cesteiros
Médicos, barbeiros
Alfaiates, sapateiros
Padeiros, relojoeiros
Oculistas, dentistas
Chapéus de palha
Amolam-se tesouras e navalhas!
Cabeleireiros, confeiteiros
Fotografias, sapatarias
Cervejarias, livrarias
Cartuchos, armas de caça
Muitos peões - sem baraça
Engraxadores
Mantas, cobertores
Brinquedos, lâminas, cornetas
Camisas e camisetas
Doces, marmelada, pitéus
Gravata, cintos, chapéus
Um polícia a cada esquina!
Esferográficas
Bordas d’água, gramáticas
Máquinas
De barbear e fotográficas
Bacalhau, arroz, macarrão
Saldos de fim de estação,
Tudo vendido ao desbarato !
Detergentes, sabão-macaco.
Selos, postais do Eusébio.

Prendas p`ra qualquer sogra !
Charlatães impingem remédio
Vendendo a banha da cobra!...

Linhas, cordas, botões
Organizam-se excursões
Loiças, vidros, jarrões
Muitas coisinhas estranhas
E fumo d´assar castanhas
Fatiotas de Kaki
Paragens no Senta-aí
Tachos, cafeteiras, esfregões
Há sardinhas, berbigões
Apregoam-se lampreias
Tamancos, pantufas, meias
Pisadelas, encontrões
Rádios, frigoríficos, fogões
Gaiolas para canários
Lotarias, cauteleiros, taludas
Casas já barrigudas
E cartazes funerários
Gasómetros, carbureto
Frangos assados no espeto
Polvo, vassouras, feijões
Jornais, revistas, ilustrações
Transistores, canas de pesca
Carne ( retardada e fresca )
Bonecas, quinquilharias
Boticas, drogarias
Perfumes, papel higiénico
Emblemas do Sporting e Académico
Queijos e requeijões
Grupos cénicos, orfeões
Canivetes, canetas, barómetros
Café, bagaço, termómetros
Camisas de fantasia
Melão, tremoço, melancia
Cera, pomada, cola
Resultados do totobola!
Sombrinhas e guarda chuvas
Ligas, soutiens, luvas
Vinho ao copo e ao quartilho
Pão de ló e pão de milho
Móveis, camas, colchões
Salsichas e salpicões
Solas, calfe, cabedais
Calças, sais, aventais
Lâmpadas, candeeiros, anzóis
Artigos p’ra futebois
Martelos, pregos, ferramentas
Chapéus de chuva a dar nas ventas!
Espelhos e castiçais
Arame, ferro, dedais
Artesanato de lata
Passeio p’ró pé e p’ra pata
Objectos de cortiça
Repolhos salsa, hortaliça
Marçanos e costureiras
Magalas, estudantes, sopeiras
Cataratas nos beirados
Chupa-chupa, rebuçados
Ovos, biscoito, gelados
Pastilhas, sanapismos, tintura
Chocolates, fura-fura
Jeropiga, vinhos finos
Tomates, pimentos, pepinos
Floresinhas de papel
Talheres, malgas, pratos
Tudo se vende a granel
...Exposição permanente de retratos, do dia da lua de mel...

Um comércio em cada porta
Seja larga ou seja estreita!
Ó minha Rua Direita.
Não é defeito seres torta!

Viseu - 1973
Ricardo Sandro

Não é defeito seres torta...

30/03/2005

Até irrita...

Este post é o último de hoje. Isto se o "choque tecnológico" funcionar! Enquanto uns já colocam até musiquinhas, coisa que ainda não domino, outros vêm-se aflitos para conseguir colocar um artigo na rede. Fotos, hoje? Nem pensar, desisti depois de muitas tentativas e o Blogger também não está famoso. Esta coisa dos serviços gratuitos tem disto... e, não se pode reclamar! Esperam-se melhores dias...

Avisar já não chega!!!

O Público hoje revela que "os rios são o ecossistema em pior estado de 33 analisados a nível nacional, segundo os dados preliminares de um estudo de investigadores portugueses. Este estudo apresenta os primeiros resultados da Avaliação dos Ecossistemas do Milénio, que é um estudo de avaliação científica internacional promovido pelas Nações Unidas, que equaciona os cenários para os próximos 50 anos em Portugal e no Mundo, e teve hoje lugar em Lisboa e noutras oito cidades mundiais (Pequim, Tóquio, Londres, Nova Deli, Nairobi, Brasília, Cairo e Washington). Em Londres o estudo revela que cerca de 60% dos ecosistemas que apoiam a vida na Terra estão a degradar-se ou a ser utilizados de forma insustentável. O Público diz ainda que "os especialistas concluíram que as grandes alterações dos ecossistemas em Portugal nos últimos 50 anos foram promovidas essencialmente pelo regime de fogo, as mudanças no uso do solo, incluindo abandono das terras agrícolas, florestação e urbanização, a Política Agrícola Comum, os mercados globais e o crescimento económico" e "dos serviços de ecossistemas analisados pelos investigadores, cerca de 70 por cento estão em estado mau ou sofrível." Esclarecedor, não?
Ao mesmo tempo, por cá, a pior confirmação deste estudo. As rádios locais hoje referiam que "vários peixes estăo a aparecer mortos, no Rio Dão na localidade de Vila Corça , perto da Barragem de Fagilde, que fornece água para vários concelhos do distrito de Viseu. Segundo os populares os peixes tęm aparecido aos “montes” nas margens do rio, e ninguém sabe o que originou esta situação"! Esta água é a que chega a nossas casas... Já pensaram nisso!!!

No passa nada??

Leiam com atenção e vejam o que "eles" pensam de Portugal e dos portugueses... Estamos a precisar de uma "revolução" urgente!
DESARROLLO-PORTUGAL: Lejos de Europa
Mario de Queiroz
LISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periódicamente divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986 el ”club de los ricos” del continente.
Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.
La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.
A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del ”grupo de los pobres” de la UE), Portugal no supo aprovechar para su desarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y económicos. En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en el ranking de la UE.
Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del bloque. ”La convergencia de la economía portuguesa con las más avanzadas de la OCE pareció detenerse en los últimos años, dejando una brecha significativa en los ingresos por persona”, afirma la organización.
En el sector privado, ”los bienes de capital no siempre se utilizan o se ubican con eficacia y las nuevas tecnologías no son rápidamente adoptadas”, afirma la OCDE. ”La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros de Europa central y oriental”, señala el documento. Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema central no está en los montos, sino en los métodos para distribuirlos.
Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servicios. Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas con el resto de los países industrializados.
En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer y las perspectivas hoy indican mayor distancia. ¿Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera de quienes ya tenían más.
Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones. También es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas tienen los sueldos más altos. El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que ”el mercado decide los salarios”.
Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas (1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta teoría. ”Son los propios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado”, dijo.
En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con accionistas minoritarios privados, ”los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia”, explicó Cravinho. Estos mismos grandes accionistas, ”son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los directivos”, lamentó el ex ministro.
La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años ”está siendo pagada por las clases menos favorecidas”, dijo. Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados. El último es el de la crisis del sector automotriz. Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000 dólares. Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus (vehículos que valen más de 200.000 dólares), lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento en la demanda.
Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes para actualizarla. Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos Ferrari por metro cuadrado que Italia. Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos ”están más interesados en la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo”.
Para muchos ”es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del teléfono celular, que la eficiencia de su gestión”, dijo Felipe, aclarando que hay excepciones. ”Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país”, opinó.
La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa. Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas cabezas, manteniendo situaciones ”obscenas” y ”escandalosas”, según el economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello. ”En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose en la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, y deja incólume la nebulosa de los fugitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro”, criticó Metello. La prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheiros, aparecida este martes en el diario Público de Lisboa, que fustiga la falta de honestidad en la declaración de impuestos de los llamados profesionales liberales. Según esos documentos entregados al fisco, médicos y dentistas declararon ingresos anuales promedio de 17.680 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólares), los arquitectos de 9.277 (11.410 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares).
Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, ”le roban nueve a la comunidad”, pues estos profesionales no dependientes deberían contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros. Con la devolución de impuestos al cerrar un ejercicio fiscal, éstos ”roban más de lo que pagan, como si un carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar un kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo”, comentó con sarcasmo. Si un país ”permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y encima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos, significa que el sistema no tiene ninguna moralidad”, sentenció. (FIN/2004)

29/03/2005

Sinistra(rea)lidade rodoviária

Está aí o novo código da estrada e com ele, apesar de alguma polémica na forma e no conteúdo, parece vir subjacente a ideia de reduzir esta guerra civil das nossas estradas. E, pelo nosso burgo? Que se tem feito nesta matéria da prevenção rodoviária? Os números do gráfico abaixo extraído da DGV dão a resposta! Esperemos que com o novo código venham também outros responsáveis e novas ideias que permitam inverter esta terrivel realidade das nossas estradas...


Acidentes com vitimas em Viseu...

É curioso reparar que os acidentes baixaram até 2001 mas a partir daí voltaram a subir! Porque será? Não me digam que deixaram de fazer o trabalho e de ajudar o reformado? Mas o ordenado certamente que o continuou a receber... o resto são números!

Viseu, cidade - jardim

Viseu, cidade - jardim,
Tem cheirinho a alecrim
E cravos em toda a mesa;
Sobre toalha de linho,
Há sempre o pão e o vinho
Desta terra portuguesa...

O passado e o presente,
Faz confundir muita gente,
Como a vetusta cidade,
É juvenil, prazenteira,
Em alegria a primeira,
E velhinha na idade ...

Seus poetas de valor,
Cantaram em seu louvor,
De inesquecível maneira,
Poesias de encantar,
Que nos fizeram sonhar,
Com a princesa da Beira ...

Linda princesa da beira,
Honrada e hospitaleira,
Mostra a quem a visitar:
Onde mora a amizade,
E essa palavra saudade,
E também o verbo amar ...

Sua bandeira real,
De porte monumental,
A ondular com a aragem,
Traz à lembrança seus filhos,
Esses seus grandes caudilhos,
Gente de alta linhagem ...

Terra de heróis e escritores,
De santos e de pintores,
De inesquecível memória,
Que, com pena, pincel e lança,
E com a cruz da esperança,
Fizeram sua história...

Miguel de Almeida (um dos Jograis de Viseu)


Este já tem uns anitos...

De volta...

Mas as notícias parecem ser poucas...

A Sé de Viseu

A Catedral de Santa Maria de Viseu foi construída nos séculos XIII-XIV e no decurso dos tempos foi conhecendo várias modificações. No século XVIII, mais concretamente entre os anos de 1720-1738, sofreu uma vasta acção de renovação, particularmente no interior, que alterou
completamente a sua imagem. Vale a pena visitar este monumento na nossa cidade...

Já tinha saudades de ver isto...

27/03/2005

As coisas que eles sabem...

Diz o Jornal do Centro que um estudo editado pelo Governo Civil de Viseu revela que mais de metade do distrito tem elevado risco de incêndio! Sinceramente, com tanta pompa e circunstância nem sei se valerá a pena rir ou chorar... Mas que revelação esta! Extraordinário! A sério, e eu a julgar que no distrito a maior mancha verde era o Golf Montebelo! Poupem-me... Gastem o dinheiro mas não façam de nós parvos! Esta até vem nos livros de Geografia do 1º Ciclo. 3 anos para chegar a esta brilhante conclusão? Na Net então há disto aos pontapés em sites como o do IGP ou IGEO, por exemplo. Bravo! Não seria melhor terem gasto a massa num estudo para optimizar a plantação de couves em Oliveira de Frades? Razão tem o Pacheco: quem nasce para lagartixa não pode chegar a jacaré!

Tão inédito era o projecto...

Pensando à volta das rotundas

O que têm comum os movimentos de um carrossel, uma máquina de lavar a roupa ou o nosso carro a dar a curva numa das muitas rotundas da cidade?
Fácil, pois em todos é possível distinguir a existência de dois estímulos opostos. São duas acções a que se chama força centrífuga e força centrípeta e como são opostas provocam o que os físicos classificam de inércia.
Por essa razão, nas rotundas da cidade quando um carro está a fazer esse círculo, o carro exerce uma força centrípeta, para dentro, sobre o corpo. O corpo opõe-se a ser puxado lateralmente e, de acordo com a terceira lei de Newton, o corpo exerce uma força para fora, a força centrífuga. A força centrípeta e a força centrífuga são iguais e opostas; uma age no corpo, a outra age no carro, se a memória não me falha nesta breve explicação. Temos pois que a inércia é uma propriedade física da matéria. Todos os corpos são preguiçosos e não desejam modificar o seu estado de movimento: se estão em movimento, querem continuar em movimento; se estão parados, não desejam mover-se. Assim sendo, não será dificil constatar alguma inércia na cidade... Já repararam que a cidade numa perspectiva aérea parece ela mesma uma gigantesca rotunda? E assim, ao pretendermos ser Centro liderante, GAM, encruzilhada de gentes e de valores teremos sempre que contar com a força que nos impele para o exterior e que nos poderá dar a conhecer novos mercados, novas oportunidades, novos desafios, novos saberes mas também haverá forças de acção contrária que conduzem á inércia. Resta saber se no sentido de continuarmos o movimento ou de ficarmos irremediavelmente parados por mais uns quantos anos, como me parece ser a actual tendência! Estarei a ver isto de forma bicuda?
Ora deixa cá dar mais uma volta à rotunda...

Das rotundas

A nossa cidade está cheia delas. Umas mais enfeitadas, outras mais coloridas, umas com belas esculturas, outras apenas graníticas, umas mais redondas, outras mais ovais, enfim... de rotundas temos para todos os gostos e feitios! Mas, como a moda ainda não terminou e quase que aposto que ao atingir-se o número 100 haverá festa rija no burgo, aqui ficam alguns dados a ter em conta na concepção de rotundas. Como seria de esperar, na contrução das rotundas o factor primordial deveria ser a segurança. A componente segurança, varia com o angulo de entrada e com o diâmetro do círculo inscrito (DCI). O ângulo de entrada constitui um parâmetro determinante à segurança da entrada e aoconforto de condução. Pequenos ângulos não fomentam a indispensável redução develocidade, associando-se a entradas tangenciais (e a recusa de cedência de prioridade), enquanto que elevados ângulos de entrada tendem a originar graves conflitos em cruz. Recomenda-se a adopção de ângulos de entrada compreendidos entre os 20º e os 60º, apontando-se idealmente para valores de 30º a 40º. Elevados valores de DCI induzem à prática de elevadas velocidades de atravessamento e a ultrapassagens perigosas. E esta, hem?

Nalgumas rotundas da cidade é de ficar com os olhos em... círculo