“Um exemplo da ineficiência do investimento público são as rotundas que nascem como cogumelos em todas as autarquias. Não existe no mundo inteiro um país com mais rotundas por cada mil habitantes”
Ex-Primeiro-Ministro Prof CAVACO SILVA
Pedem-me uns amigos que vivem e sentem a cidade que ponha este tema à discussão. Terá razão o professor? De facto, nos últimos anos os autarcas desataram a fazer rotundas como se disso dependesse a sua vida. E, não só Viseu! Concelhos mais pequenos como por exemplo, São João da Madeira, tem cento e tal rotundas espalhadas por pouco mais de oito quilómetros quadrados. Nós para lá caminhamos. Consta que a rotunda 100 será motivo de grande festa... E quando não estão a fazer rotundas ou túneis e outros buracos da moda recente, os autarcas estão a autorizar a instalação selvagem de lombas e de semáforos limitadores de velocidade em qualquer sítio. Vai-se por essa Europa fora e vê-se que foram encontradas soluções mais agradáveis e seguras, como a colocação de canteiros de flores que forçam os condutores a abrandar. Mas esses exemplos caem em saco roto, até na nossa cidade "jardim". O que interessa é mandar fazer mais um rotunda e colocar no meio um qualquer horrível mamarracho e estatuária kitsh encomendado aos "artistas" que vivem na dependência das autarquias. E, tudo isso, sem que a cidade participe neste processo!
Sou, em principio, a favor da inserção de obras de arte no meio urbano. Os monumentos, pela sua componente estética e, principalmente, pelo simbolismo que assumem, são uma marca importante em qualquer concelho, motivo de orgulho para os residentes e de curiosidade para os forasteiros. Devo confessar, no entanto, que não sou um entusiasta da colocação de "monumentos" em rotundas, apesar de isso ser prática corrente. Antes de mais, uma obra de arte - escultura, estátua ou qualquer outra manifestação artistica - deve ser erigida num local onde possa ser verdadeiramente apreciada, como um jardim, uma praça, um largo ou uma alameda. Até pode ser excepcionalmente numa rotunda, desde que esta esteja inserida no aglomerado urbano, onde existam passeios públicos e zonas de circulação para peões. Não é o que acontece na nossa cidade e na maioria das rotundas. Se eu fosse autor de um monumento, cheio de referências e de forte carga simbólica, fruto de um aturado processo criativo, ficaria decerto desiludido se, por via da inacessibilidade inerente à localização, a minha obra não passasse, aos olhos de um observador fugaz, de uma amálgama de elementos, sem qualquer sentido ou intencionalidade.
Em última análise, um conjunto escultórico mais ou menos complexo, cuja "decifração" não seja imediata - como me parece que é o caso, por exemplo da rotunda Carlos Lopes - pode até constituir um factor de distracção para quem lá passa de automóvel.
Uma rotunda não passa de uma placa colocada na via, por forma a facilitar a circulação do trânsito. Quanto mais simples for, melhor. É sempre pernicioso opinar sobre obras que já são uma realidade. Confesso que não sabia, dos planos para a construção de um "maratonista sem cabeça" naquele local, daí este desabafo mais ou menos extemporâneo, nem nas demais rotundas. Perante a visão do facto consumado, como dizia o outro, "já que está, deixa estar", até porque existem, de certeza, coisas bem piores que uma escolha menos feliz de um local para a construção de um monumento. Mas não havia necessidade, como diz o outro. Não deveria ter havido uma discussão da pólis viseense à volta desta forma de colocar arte na cidade? E, porque não um concurso de ideias? E, o custo versus efeito justifica? A sério, custa-me falar de arte nestes termos e por estas razões, mas Viseu não é própriamente a nossa casa cujas paredes interiores (anote-se) decoramos como queremos, é a casa de todos os viseenses e de quem nos visita! Saibamos dar-lhe vida!
Em última análise, um conjunto escultórico mais ou menos complexo, cuja "decifração" não seja imediata - como me parece que é o caso, por exemplo da rotunda Carlos Lopes - pode até constituir um factor de distracção para quem lá passa de automóvel.
Uma rotunda não passa de uma placa colocada na via, por forma a facilitar a circulação do trânsito. Quanto mais simples for, melhor. É sempre pernicioso opinar sobre obras que já são uma realidade. Confesso que não sabia, dos planos para a construção de um "maratonista sem cabeça" naquele local, daí este desabafo mais ou menos extemporâneo, nem nas demais rotundas. Perante a visão do facto consumado, como dizia o outro, "já que está, deixa estar", até porque existem, de certeza, coisas bem piores que uma escolha menos feliz de um local para a construção de um monumento. Mas não havia necessidade, como diz o outro. Não deveria ter havido uma discussão da pólis viseense à volta desta forma de colocar arte na cidade? E, porque não um concurso de ideias? E, o custo versus efeito justifica? A sério, custa-me falar de arte nestes termos e por estas razões, mas Viseu não é própriamente a nossa casa cujas paredes interiores (anote-se) decoramos como queremos, é a casa de todos os viseenses e de quem nos visita! Saibamos dar-lhe vida!
Girafa? Atleta? Serpente? Arte na rotunda ou rotunda sem arte?







