01/10/2005

Quem avisa...

"(...) O ambiente político está tão degradado com a aproximação das eleições, apoderou-se dos intervenientes tal frenesim, que o risco de contaminação atinge todos os que não se afastarem convenientemente. (...)"
in
Natureza do Mal

Período de reflexão

Estamos a uma semana das eleições autárquicas. As TV´s e os jornais têm dado mais atenção aos "presidenciáveis ou quase" do que à informação sobre as eleições locais, tirando um ou outro episódio "alfacinha" ou à versão portuguesa da série CSI com os actores Fátima Felgueira, Isaltino, Valentim ou Ferreira Torres nos principais papeis. Por cá, os jornais trouxeram entrevistas com os candidatos e pouco mais... Confesso que ainda não consegui ter acesso aos programas completos dos candidatos, salvo um ou outro já disponível na net. A caixa do correio lá fora, só continua a dar-me conta das facturas da água, telefone, luz, gás ou do IMI, pese contudo o facto de ter pedido isenção nos termos da lei, mas por cá primeiro paga-se, depois reclama-se! E, neste cenário vou encontrando na conversa de dois ou três amigos a ideia que o melhor é nem sequer ir votar. Mas, no meu entender, a abstenção é o voto da ignorância, da preguiça, ou do simples desinteresse. A ideia generalizada é de que não vale a pena votar porque nada vai mudar mas este tipo de atitude é perigosa para a democracia. Com o nosso alheamento e a nossa passividade, estamos a permitir que os menos capazes, os medíocres, os emplastros ou outros espécimes como os já citados, na sua ânsia de protagonismo e promoção pessoal, e na maioria dos casos na certeza de um emprego bem remunerado, assumam o poder e tomem conta dos nossos destinos. Não devemos votar por ser apenas uma obrigação, a decisão de votar num partido ou num candidato em detrimento de outro deve ser tomada de forma consciente. Deverão ser comparados programas, propostas, pessoas, grupos, capacidades e vontade de trabalho. Votar é um acto de grande responsabilidade e consciência. É hora de participar. É hora de escolher.
E.T. Durante esta semana não replicarei aqui o que quer que seja sobre as candidaturas. Farei a minha reflexão livre de qualquer influência ou comentário e dia 9 lá estarei a dar o meu contributo. Espero que façam o mesmo! E, claro, que ganhe o que for melhor para Viseu e para as nossas gentes!

Coisas estranhas...

Ora aqui está uma boa pergunta. Se souberem a resposta digam, ok?

Noticia do dia

Mais de um terço das câmaras sob investigação, no DN.

Finalmente...

A julgar pelo que se lê aqui o Pavia vai finalmente fazer correr águas mais limpas. Não deixa de ser uma boa notícia para todos, independemente da forma ou do momento que vivemos. Há projectos que merecem aplausos, porque ganha Viseu e as gentes que lhe dão vida!

30/09/2005

Coitado do Viriato!

Esta foto é só para ir deixando aqui um pouco de cor... eu sei que se queixam e uma imagem às vezes vale por mil palavras, mas pior está o Viriato. Imaginem, deixaram-lhe a espada mas cortaram-lhe a cabeça mas mesmo assim, ainda se conseguiu deixar aqui um lamento! :)

Viseu, sempre bonita... mais enfeitada ou não!

Histórias... ou realidades?

Aqui lê-se outra realidade. São histórias de vidas, de trabalho e "histórias que as pedras da Rua Direita contam"... algumas, claro, porque se as contassem todas editava-se um livro no mínimo!

Eles falam, falam... mas o outro é que dá música!

E a oposição não dorme. Aqui pede-se menos Câmara e mais votos e nesta mais celeridade no PDM. O BE transformou uma rotunda da forma que se vê aqui... mas quem sabe a música toda é mesmo este aqui!

Mais entrevistas

Hoje a imprensa está recheada de entrevistas dos candidatos à CMV. Aqui acertam-se as horas e nesta continua-se a dar corda ao relógio.

29/09/2005

Voando nas ideias... e no tempo

Já é facto provado que a única cidade europeia de média dimensão que não dispôe de caminho de ferro tem por nome Viseu e os candidatos à CMV fazem bandeira da promessa de alterar esta realidade. Mas, Viseu pode e deve ir mais longe! Não chega aproveitar a força centrifuga das rotundas para passarmos o tempo à volta da mesma ideia, como o folhetim da Universidade Pública transversal aos partidos, nos tem mostrado há decadas. Há que potenciar a força centrípeta que as mesmas também proporcionam para chegarmos mais longe... é preciso voar! Voar no espaço, no tempo e na visão estratégica do futuro. E, pelo menos aérodromo temos, como se pode constatar aqui, inclusivé equipado com um VOR, sistema que permite realizar a navegação aérea ao longo curso. E, compreende-se porquê. Não estamos no centro, ou no coração de Portugal? Que melhor local para sinalizar o voo das aeronaves? Mas, que utilização tem? Que possibilidades oferece ao viseense além da utilização sazonal como ponto de localização secundário dos meios aéreos de combate a incêndios? E, ainda não ouvi de nenhum candidato qualquer sinal que permita crer que é possivel optimizar esta infraestrutura em prol do cidadão, do empresário, do homem de negócios, etc, numa palavra dos viseenses! Uma estrutura destas moribunda é no meu modesto entender, muito cara ao contribuinte. Aqui a norte, em Bragança, apesar da interioridade que muitos usam como argumentao da falta de visão há quem consiga, nesta altura, lá do alto ver mais longe, como podem constatar pelo past copy da noticia publicada no Semanário Transmontano:
"(...) A ligação aérea entre Bragança e Paris, que desde Julho colocou as duas cidades a pouco mais de três horas de distância, começou por ser aproveitada pelos emigrantes para visitarem a sua terra natal. Mas estes voos podem ir mais longe, constituindo uma mais-valia económica, social e cultural, tanto para o Nordeste Transmontano, como para a região francesa de Lot-et-Garonne (na qual se insere Agen, onde o avião faz uma paragem). Nesse sentido, o turismo é agora a grande aposta de vários organismos dos dois países, que estão a encarar a nova carreira aérea como uma verdadeira “janela de oportunidades”. (...)"
Apanharam a ideia? Simples, não é? Pois é, mas enquanto passarmos a vida a olhar para o umbigo não seremos capazes de olhar por esta "janela" por onde outros, já sairam com destino aos céus e a novos mundos que lhes dão outras "oportunidades". E, tudo isto, sem perdermos o comboio... o da Beira Alta e o do futuro!

Quem mete travões nisto?

(...) Claro que por detrás do episódio, como por detrás da história de Isaltino e de Loureiro, há uma realidade inquietante: o cinismo do eleitorado. Apoiando este extraordinário grupo, o eleitorado, ou pelo menos parte dele, está a comunicar à justiça e aos partidos: "Todos roubam. Toda a política é um roubo organizado, que os senhores protegem. Escusam de nos dizer que eles são piores - não são. São até melhores porque nos trataram bem. Se agora resolveram limpar a casa, comecem por outro lado." Se os três ganharem, ou se um deles ganhar, não importa qual, é o regime que perde. Não vale a pena inventar desculpas. Quando o voto rejeita expressamente a decência comum, não se pára mais."
Vasco Pulido Valente in Público 24-09-2005

Aí está o primeiro...

O PS já colocou aqui na net o programa de candidatura á Câmara, em versão reduzida mas esclarecedora. Das demais ainda não localizei... vamos aguardar que apareçam breve para podermos fazer o nosso juizo de valor no próximo dia 9.

Entrevistas autárquicas

Hoje foi a vez do candidato do CDS se expressar no DRegional.

28/09/2005

Campeões do fair-play

Hoje foi dia de massacre cerebral. Uns diziam-me que o Glorosioso fez um bom jogo porque o Manchester jogou sem oito habituais titulares, outros que perdemos o jogo no banco. Cá para mim, acho que demos foi uma lição de fair-play! Jogámos 85 minutos com apenas dez jogadores… e um matraquilho com o cabelo pintado de loiro!

Salve-se o Viriato!

O Viriato anda aflito depois do incêndio que há dias, deflagrou na Cava e que lhe ia torrando os atadilhos das pernas... e já deixou um apelo aqui.

Oh Vasco, vêm cá abaixo ver isto...

Prós lados da Sé, nem o secular granito das paredes sossega um dos marcos de referência da Cidade, o Museu de Grão Vasco. Os ventos não sopram de feição como se pode ler aqui. Até Vasco Fernandes se agita no túmulo. Safa, cada cavadela, cada minhoca!

Ora agora mandas tu, ora agora ou mando eu!...

A guerra dos tachos anda acesa aqui.

27/09/2005

Dúvida autárquica

Expliquem-me lá, se o Carmona não ganhar em Lisboa a Câmara vai pró Carrilho?

Agência de Promoção do Centro

"Espero que haja bom senso por parte dos partidos políticos e dos privados no sentido de se despartidarizar a Região de Turismo Dão Lafões (RTDL)."
Jorge Loureiro in
DRegional

Mais um diagnóstico

Viseu inchou, está doente e precisa de cuidados intensivos. Quem é o diz é o candidato do BE numa entrevista aqui.

Coisas da bola

O Bao´s World faz-nos aqui uma pergunta. Eu cá não lhe sei responder. Ajudem se souberem...
Entretanto no Fontelo há novidades.

26/09/2005

Credo, que susto!

O Presidente da Câmara de Viseu e PSD criticam utilização do Museu Grão Vasco em acções de campanha. Em causa apresentação feita nos claustros, no ultimo fim de semana, da comissão de honra da candidatura socialista. A directora do Museu em declarações à Rádio NOAR diz que foi apanhada de surpresa...
Oh, minha senhora, desde que chegou a Viseu que as coisas lhe correm de feição! Só ainda não percebi se para bem ou para mal! Imagino o susto que apanhou!

Acabou a Feira... Pró ano há mais!

Acabou a Feira. Dizem os jornais que quase um milhão de pessoas a visitou. Confira aqui! Na votação do blog o empate é absoluto, uns gostaram, outros não e outros assim, assim...

Entrevista de campanha

O candidato do PS dá hoje aqui uma entrevista. Ficamos agora à espera das outras...

Coisas que se dizem por aí

Ouço dizer por aí, porque para ser franco ainda não me dei ao trabalho de ir apreciar a "nova moda viseense" que nas entradas das rampas de acesso ao Fórum de Viseu estão sinais de trânsito e barramentos que impedem a passagem a veículos superiores a 2,10 metros. Acontece que as ambulâncias dos bombeiros ou do INEM têm 2,50m ou 2,75m e os meios de combate a incêndio até devem ter altura superior. Coisa estranha, não acham? A ser verdade, nem quero comentar...

25/09/2005

Bla, bla, bla...

Dizem-me que a campanha para as autárquicas já começou. Pelas minhas bandas ainda não dei conta de nada, mas se o dizem... Assim, deixo aqui um quadro que ajudará os nossos candidatos a falarem correctamente cerca de meia hora ou mais sem dizerem coisa nenhuma, mas experimentem que resulta. Basta seguir as instruções:

Caros colegas,...

Condicionalismos

..."Naturalmente que tudo poderá estar condicionado à maior ou menor queda de pluviosidade, mas sempre ajuda a manter as "aparências"...
R. Bispo in Jornal das Beiras num artigo em título: Mini-albufeiras para "favorecer" o "Pavia"

Visão do futuro...

Jogo Portugal x Malta em Sub-20, resultado 2-o a favor da equipa das Quinas... O jogo aconteceu quinta-feira no Fontelo. O DRegional traça assim o quadro das bancadas:
"...O Estádio apresentou um estado desolador, com as bancadas despidas, à excepção da bancada central onde cerca de duas centenas de adeptos marcaram presença. Os apelos para que os mais jovens fossem apoiar a turma das Quinas não sortiu efeito, e nem a distribuição de convites aos mais jovens para assistirem à partida, as entradas eram gratuitas, levou espectadores ao Fontelo".
E, mais não digo!

Viseu noutros tempos

Em 1969, Alexandre Lucena e Vale pintava a caneta este belo quadro da nossa cidade, que transcrevo de seguida:
... Diferentemente da maioria das cidades provincianas, que no geral se modernizam com uma avenida que se abre ou um novo bairro que se cria, Viseu vem progredindo de há anos por todos os lados, em todas as direcções. Pelas principais estradas que saem da cidade, a de Abraveses que conduz ao Porto, a de Mangualde que segue para a Guarda, a da Meia Laranja que leva a Coimbra e a Lisboa - lindas e panorâmicas estradas de Viseu - erguem-se por entre retalhos de paisagem admirável e inesquecível, as novas construções, prédios modernos, alguns à antiga portuguesa, com balcões convidativos, janelas de cachorros com vasos de sardinheiras, jardins de relvados e arbustos. Simultâneamente, novos bairros, o de Massorim, de Fontelo, da Estação, de Marzovelos, vão povoando a periferia da cidade velha. Esta mesma vem mudando em muitos dos seus aspectos: reedifica aqui, alarga além, ajardina acolá - compõe, moderniza, enfim, as suas velhas praças e passeios públicos, o Rossio, Santa Cristina, a Cava, o Largo das Freiras... Mas com ser assim não perde, fiel ao seu passado e ao seu meio, a sua feição ruralista de sempre, bem afirmada no mercado semanal das terças feiras cuja tradição remonta muito além do século XVI. Nesses dias, a velha Praça do Concelho, hoje Praça de D. Duarte, é toda ela um colorido quadro, cheio de pitoresco e movimento. Em balcões improvisados, quatro tábuas armadas sobre tripés mal seguros, tendeiros, bufarinheiros, feirantes da região exibem mercadoria tentadora sob dosséis de pano cru, manchados de caruncho e remendados a esmo, como as velas de um barco delidas de muita rota e velhas de muitos anos... Aqui é o estendal da roupa feita, das botas brancas de bezerro, dos tamancos ferrados de tromba revirada que nem proa de moliceiro; além são os tabuleiros de miudezas, um mundo de tentações, com o sabonetinho minúsculo, as travessas e pentes de cabelo, maços de ganchos e carteiras de alfinetes, colares de ouro... de porcelana e espelhos de vidraça com moldura de latão; mais acolá os luxos da roupa branca de mulher, corpetinhos róseos com atacadores, camisas de riscado ou cetineta com rendas e entremeias, a par da roupa de homem, mais severa e mais prática, entre lotes de casacos e blusas de lã, garridas e grosseiras. E não faltam os utensílios de lavoura nem dos arranjos domésticos, o ferro da enxada, o pico de pedreiro, a dobradiça e fechadura toscas, a gamela, a masselra, o balde, a vassoura, o mocho de pinho branco, perfilados no chão, nos passeios, nos vãos das portas, por toda a Praça e ruas convergentes, transformadas assim em grande e pitoresco armazém. Nestes dias, Viseu regorgita de gente das aldeias, vinda à cidade fazer as suas mercas ou despachar sua vida pelas repartições, na Câmara, nas Finanças, nos Bancos, no Tribunal ou no Notário. Ainda então por vezes, a despeito da civilização que por toda a parte vem diluindo os costumes na massa homogénea e incaracterística do moderno, surgem aqui e além por entre o vulgar tipo encolarinhado e adamado de hoje, a serrana de larga saia rodada e chambrinho de cor viva, sobre que vai a matar a tradicional capucha, de burel escuro de pinhão, ou o velho patego de tamancos pré-históricos, na cabeça carapuça de malha ou cachiné de ramagens sob o chapéu de feltro preto, ás costas a coberta de grosseira lã de ovelha ou a ancestral capa de palha das intempéries beiroas. O Viseu das terças-feiras é, assim, o tipo perfeito da cidade rural provinciana, curioso quadro a inspirar artistas e interessar visitantes. Mas no resto da semana, escovada, lavada, urbanizada de novo, Viseu é a cidade moderna, de gente bem vestida e bem calçada, gente da terra, gente de fora, gente das vilas próximas, turistas de passagem, que nas ruas principais - a Rua Formosa, a Rua do Comércio, a Rua da Vitória, a Rua Direita, a Rua Alexandre Lobo - por entre o ruído e movimento de automóveis, passa, cruza, circula, enche os passeios, atravessa as ruas, entra nas lojas, conversa, mata o tempo... e à hora ociosa a que as aulas terminam e as repartições fecham, enche mundanamente os cafés a tomar chá ou vagueia burguêsmente pelos largos e jardins desta Cidade Jardim - a Cava de Viriato, o Largo Mouzinho de Albuquerque, o Largo Major Teles, o Largo Alves Martins, o Parque de Fontelo... - de floridos canteiros e mimosos relvados que enobrecem monumentos de artistas de renome como Teixeira Lopes e Mariano Benlliure.

Ontem era assim... Hoje, temos o Fórum!