A mobilidade urbana cresceu de forma exponencial e alterou-se muito significativamente nas últimas décadas, especialmente nas cidades. Fruto da dispersão urbanística residencial e da desnuclearização das actividades, das novas formas de organização profissional, dos novos modos e estilos de vida que a sociedade contemporânea despoletou, a mobilidade urbana, em particular, a dos espaços metropolitanos, é hoje uma realidade muito diversificada e heterogénea, marcada por uma maior complexidade das cadeias de deslocação diária. (...) Como consequência, nos locais mais urbanos, a rede viária encontra-se congestionada e, consequentemente, com menos qualidade de vida. (...) Estes novos paradigmas, resultantes das sociedades contemporâneas em emergência, colocam-nos novos desafios, quer do ponto de vista societal, quer do planeamento urbanístico e dos transportes, na construção de uma cidade segura e acessível a Todos, onde o desenho urbano tenha obrigatoriamente de ser pensado de forma estratégica. De resto, a cidade é o espaço público (2004, Ferreira). (...) O envelhecimento da sociedade, o aparecimento de uma nova função da mulher na sociedade contemporânea ou mesmo as pessoas de mobilidade reduzida são exemplos desses novos paradigmas. (...) Ser móvel é percorrer a nossa espantosa condição urbana, que é condição humana, porque o território, muito para além da sua vertente física, é uma imensa construção social. A cidade é, por excelência, o lugar onde o homem pode encontrar a sua maior e mais expressiva dimensão. É o lugar de exponenciais fontes de informação, múltiplas formas de comunicação, absoluta mobilidade, diversidade de culturas e formações, oportunidade de ofertas, infinitas possibilidades de relações sociais. Lugar de encontros, culturas, religiões, mas também memórias, ideias, atitudes, aprendizagens. Em suma, a polis é o lugar da própria democracia. (2005, Ribeiro da Silva) A cidade não pode ter limites de mobilidade. Porém, a realidade tem mostrado no entanto que a cidade em vez de unir, separa as pessoas e em vez de incluir, exclui, justamente porque, na generalidade, sem qualquer preocupação e cumprimento das leis em vigor, realizam-se passeios estreitos, interrompem-se os sistemas de continuidade pedonal, não se colocam passadeiras, não se fazem rebaixos de acesso aos passeios, coloca-se a sinalética informativa, publicitária e de trânsito em qualquer sítio, localizam-se as árvores nos passeios em vez de se colocarem nos canteiros, não se adaptam os transportes e os acessos.