25/07/2011

O Miguel quebrou a promessa... e percebe-se porquê!

Tinha prometido a mim próprio que não voltaria a comentar sobre política cultural na cidade de Viseu, mas um artigo de José Lorena no Jornal do Centro, sobre as obras agora terminadas na Quinta da Cruz, acordaram-me as palavras.
Para já parece-me estranho concluir uma obra, que se arrasta aos anos, sem ter os conteúdos bem definidos… Mas adiante. Parece-me correcto transferir o arquivo municipal para este novo espaço libertando a Casa Amarela para outras funções, por exemplo: um pólo infanto-juvenil da biblioteca municipal. Um espaço de qualidade com real preocupação em criar novos leitores, promovendo o livro. O actual espaço infanto-juvenil da Biblioteca Municipal não funciona bem e, como o espaço de leitura pública está cheio de jovens, a sala dedicada às crianças é “invadida” pelos leitores mais velhos. A Biblioteca Municipal de Viseu está cheia de jovens mas não se aproveita a oportunidade com uma programação cultural de qualidade para este espaço. Muitas bibliotecas do nosso país estão vazias… Viseu não. Nunca se faz uma programação cultural séria existindo mesmo iniciativas muito estranhas que não deveriam ter cabimento num espaço de leitura pública. Aliás é notória a ausência de uma política concelhia de promoção do livro e da leitura que transcenda o mero tratamento de livros para as bibliotecas escolares e as horinhas de conto que suspeito não criam assim tantos leitores novos. Poderia até afirmar que não existe uma política cultural coerente, respeitando todas as vertentes socioculturais do concelho. Os diferentes espaços estão mortos numa letargia burocrática. O município está descansado: para os autarcas basta existir o Museu Grão Vasco e um Paulo Ribeiro à frente do teatro Viriato para as suas consciências ficarem tranquilas. Não se entende como a autarquia não apoiou financeiramente a iniciativa “Jardins efémeros” que teve lugar na praça D. Duarte! Felizmente o sentido de cidadania cultural de uma mão cheia de Viseenses esclarecidos deu corpo a esta iniciativa rara nas praças do nosso país.

25 de Julho de 2011