24/10/2011

À atenção do investidor... e não só!

Texto publicado na edição 499 do Jornal do Centro de 07Out2011:

A maioria dos atentos leitores do Jornal do Centro, para não me tornar pretensioso ao afirmar da totalidade, poderão, porventura ao terem lido a última edição, nutrido a esperança de que, nestas próximas linhas encontrariam resposta ajustada a todo o chorrilho de disparates e inverdades (esta palavra admito, tem a sua piada) que o Sr Jorge Carvalho ali entendeu verter, ao mesmo tempo que me brinda com inusitado “mimo”. Acontece que a ideia por ele sugerida, de um “frente a frente” me causa tanta adrenalina e impõe um medo tal que, nem quando a Nação me chamou à missão NATO no Iraque acredito ter vivido, além de que a idade, ensinou-me o meu avô, merece respeito mesmo quando não se dá a tal. Por outro lado sinto precisar de tempo para recuperar do trauma pois nem em adolescente ao ler “Amor de Perdição” me recordo de verter tanta lágrima como agora depois de ter lido tanto queixume deste ex-responsável pela Feira de São Mateus, da qual cuja opinião pessoal, boa ou má, se bem se recordam, deixei vertida nas folhas deste mesmo prestigiado Órgão de Comunicação Social  e de cara destapada e à civil porque tendo, sem falsa modéstia, sempre vestido a farda do Exército com orgulho, competência e profissionalismo quando entendi ser hora de sair o fiz pelo meu próprio pé e com direito a homenagem pública! Com outros pelos vistos parece que tal não aconteceu desta forma...  de modo que, antes que caia algum esqueleto dos armários da Expovis, deixemo-nos de coisas sem importância e passemos a assuntos sérios bem mais relevantes da vida da Cidade!
 Permitam que acrescente alguma reflexão a outros diagnósticos sobre o desenvolvimento da Cidade, por sinal até bem elaborados na minha modesta opinião, que também por aqui neste Jornal têm surgido, primeiro vindos da Praça de D. Duarte, agora reescritos a rosa na Rua 5 de Outubro e por este andar daqui a mais uns anos serão apresentados na sede local laranja, sem que, contudo nos deixem outro sinal, que não os o dos objectivos políticos que perseguem. Que os tempos são difíceis já o sabemos, que este modelo de gestão local do alcatrão e betão são insustentáveis e, que é preciso encontrar novas soluções também é lugar comum aceite pelo que, nem é preciso ser economista para se perceber que sem indústria não há emprego, sem emprego não há consumidor, sem consumidor não há comércio e sem comércio a cidade definhará num ciclo fechado cujos resultados nem é bom tentar imaginar. Importa pois, em tempo acautelar este cenário e, nessa matéria, acredito que as Associações Empresariais podem desempenhar um papel significativo em favor das economias locais, se ganharem uma dimensão que faça delas elos de articulação com o exterior, com o Estado e a Administração e com as politicas públicas que servem de enquadramento a esse sector, ou seja, as economias locais não são já só o resultado de condições materiais de localização ou logísticas mas também de condições institucionais e de protagonismos diferenciados. É sabido que a região apesar de alguma homogeneidade apresenta efeitos locacionais contrastantes e dinamismos próprios que, resultam da diversidade das estruturas e das diferentes capacidades de representação e negocial, sendo que por exemplo, com facilidade se identificam e distinguem os argumentos de atracção industrial utilizados em Viseu dos assumidos em Tondela ou Mangualde. Traduzindo o conceito, permito-me apostar que o preço por m2 em Viseu em qualquer das áreas industriais ultrapassará em mais ou próximo de 20 vezes o valor do investimento em áreas daqueles concelhos vizinhos além das ofertas de especialização e negociação, que naqueles locais se verificam e como tal, não é de admirar que os resultados sejam também eles díspares com o prejuízo a situar-se do lado de Viseu. Perante esta realidade haverá quem a procure minimizar ou contrariar atirando com relativa facilidade com a fria estatística numérica dos Censos, que apontam um significativo crescimento populacional de Viseu ao invés do que se acontece nos concelhos citados em paralelo mas, com igual facilidade se apura que o principal núcleo urbano da região aproveita do que de favorável acontece na vizinhança mas nada faz para retribuir esse mérito aos vizinhos. Ou seja, no dia que a Citroen Mangualde ou a Huf em Tondela por exemplo se virem obrigados a despedir pessoal (cruzes, canhoto!) o drama social ficará a cargo dos autarcas desses concelhos mas, a maioria desses trabalhadores em principio continuarão a manter a sua localização habitacional e familiar em Viseu, não havendo portanto necessidade de grande intervenção social da politica local e cenário similar dificilmente terá lugar no concelho porquanto se a única empresa viseense de dimensão passasse por drama semelhante ainda assim acabaria por ultrapassar a esfera local. Assim sendo, parece daqui resultar que os agentes colectivos locais não são apenas um produto derivado da lógica exógena de organização de economias e não se podem limitar a ser meros instrumentos funcionais dos interesses de regulação macroeconómica e como tal, as Associações como a AIRV terão que ser a expressão da inovação e mesmo de interesses estratégicos da industria local, valorizando fora dela o que é mais qualificante do tecido produtivo que representa e filtrando para dentro o que lhe pode aumentar a sua capacidade competitiva mas onde o Poder Local também terá que ter papel preponderante. Há quase que uma “correlação probabilística” (J. Reis, 1988) onde cabe ao Poder Local uma posição activa nas situações em que o investimento local se revela mais estático por forma a que se aumentem as possibilidades de emprego implicando a atracção de agentes e recursos exteriores. Inversamente quando o desenvolvimento local já resulta da intervenção relacional dos empresários a centralidade da Autarquia deve ser menor e dirigir-se para outras acções visando o bem-estar das populações ou para áreas sócio económicas mais marginais e, neste casos, o protagonismo regulador das Associações terá que ser mais notório. Por cá, o facto de termos tanta rotunda florida e lotes de terreno ainda vazios no Parque Industrial de Coimbrões deve, salvo melhor opinião, talvez significar que não saímos sequer do primeiro estádio e a letargia do Poder Local ao ignorar o necessário e indispensável equilíbrio sustentável e sustentado do tecido social do concelho poderá a médio/longo prazo conduzir a graves problemas sociais. É ainda aceite que nesta “economia local da informação” que a AIRV, no caso, deverá conduzir na região, que além da sensibilização do Poder Local, também o ajuste de mentalidade do empresário local terá que estar na sua linha de actuação. O empresário local por maior ou menor que seja a empresa terá ter uma visão “first things first” criando ao mesmo tempo uma estrutura de gestão  que o liberte para a estratégia e para o futuro, investindo em simultâneo no produto que quer colocar no mercado mas também na sua formação e na dos seus colaboradores. Pelo que conheço da AIRV, não me enganarei muito se assumir que aquela Associação dotada de uma liderança atenta e de uma direcção com forte sentido de missão e técnicos bastante qualificados, estará disponível e apta a apoiar estas mudanças e afirmação de mentalidades, a bem do sector empresarial da região. A julgar pelas iniciativas que têm concretizado como a EAB, o prémio Inovação e Empreendedorismo, a EXPOTEC, a ENERVIDA, a co-mentoria na candidatura apresentada pela Comunidade Intermunicipal  à Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação, a incubadora de empresas e o apoio às PME por micro crédito além da formação qualificada, o fomento da inovação tecnológica e aconselhamento técnico jurídico que empresta aos associados e investidores em geral, a AIRV apresenta potencial para fazer crescer esta necessária relação de concertação e parceria que marcam fortemente as economias actuais, constituindo-se como um facilitador na concretização da vontade do investidor, uma ponte de diálogo com o Poder Local e um parceiro na procura da solução financeira e técnica junto dos demais decisores e agentes intervenientes. Ora, se esta engrenagem ainda não funciona sem atrito no Concelho tal ficar-se-á a dever então a uma deficiente visão de politica local que urge corrigir pois o Autarca actual esgotados que parecem estar os recursos financeiros e fechada que estará a torneira dos fundos europeus a breve trecho, terá que assumir uma nova postura e ser mais capaz de gerir as vontades dos seus concidadãos e, em especial daqueles que acrescentam mais valia empresarial ao Município e dessa forma geradores de mais e melhor emprego, que em gerir dispendiosas obras e faustosas inaugurações! É este clique que terá que acontecer para que autarquia, empresas e também o apagado meio académico e naturalmente os cidadãos se envolvam num processo cativador de investimento e gerador de emprego, o que representará por simpatia mais e melhor qualidade de vida. O investimento por si só não cai do céu e é preciso vencer a inércia do efeito centrífugo das rotundas e criar magnetismos de atracção, é preciso que políticos inquietos, académicos conhecedores e empresários inovadores se liguem entre si e unam esforços para que o sustentado futuro aconteça já amanhã, criando emprego e garantindo o bem-estar a que a cidade nos habituou. São conhecidas as dinâmicas e capacidades da AIRV mas diga-me lá caro leitor, se lhe calhar em sorte o Euromilhões e entender investir em Viseu, conhece a política de acolhimento industrial? Existe algum esquema de incentivo à instalação empresarial nas zonas industriais locais? Está preconizada alguma forma de cedência ou venda de lotes a preços simbólicos, em função do número de postos de trabalho criados? Existe algum beneficio na derrama ou alguma isenção de taxas de licenciamento de obras para a construção de estabelecimentos industriais nessas zonas? Quando souber as respostas, estimado leitor, pondere a sua decisão, aconselhe-se na AIRV, pressione para que a mudança aconteça e se puder ajudar as gentes trabalhadoras da região não hesite e invista em Viseu ainda que os ventos do Rossio não sejam de feição... também esses terão que mudar um dia! Até lá, deixo-lhe um conselho que também procuro seguir, jogue no Euromilhões!