Texto publicado na edição 499 do Jornal do Centro de 07Out2011:
A maioria dos atentos leitores do Jornal do Centro, para não me
tornar pretensioso ao afirmar da totalidade, poderão, porventura ao
terem lido a última edição, nutrido a esperança de que, nestas próximas
linhas encontrariam resposta ajustada a todo o chorrilho de disparates e
inverdades (esta palavra admito, tem a sua piada) que o Sr Jorge
Carvalho ali entendeu verter, ao mesmo tempo que me brinda com inusitado
“mimo”. Acontece que a ideia por ele sugerida, de um “frente a frente”
me causa tanta adrenalina e impõe um medo tal que, nem quando a Nação me
chamou à missão NATO no Iraque acredito ter vivido, além de que a
idade, ensinou-me o meu avô, merece respeito mesmo quando não se dá a
tal. Por outro lado sinto precisar de tempo para recuperar do trauma
pois nem em adolescente ao ler “Amor de Perdição” me recordo de verter
tanta lágrima como agora depois de ter lido tanto queixume deste
ex-responsável pela Feira de São Mateus, da qual cuja opinião pessoal,
boa ou má, se bem se recordam, deixei vertida nas folhas deste mesmo
prestigiado Órgão de Comunicação Social e de cara destapada e à civil
porque tendo, sem falsa modéstia, sempre vestido a farda do Exército com
orgulho, competência e profissionalismo quando entendi ser hora de sair
o fiz pelo meu próprio pé e com direito a homenagem pública! Com outros
pelos vistos parece que tal não aconteceu desta forma... de modo que,
antes que caia algum esqueleto dos armários da Expovis, deixemo-nos de
coisas sem importância e passemos a assuntos sérios bem mais relevantes
da vida da Cidade!
Permitam que acrescente alguma reflexão a
outros diagnósticos sobre o desenvolvimento da Cidade, por sinal até bem
elaborados na minha modesta opinião, que também por aqui neste Jornal
têm surgido, primeiro vindos da Praça de D. Duarte, agora reescritos a
rosa na Rua 5 de Outubro e por este andar daqui a mais uns anos serão
apresentados na sede local laranja, sem que, contudo nos deixem outro
sinal, que não os o dos objectivos políticos que perseguem. Que os
tempos são difíceis já o sabemos, que este modelo de gestão local do
alcatrão e betão são insustentáveis e, que é preciso encontrar novas
soluções também é lugar comum aceite pelo que, nem é preciso ser
economista para se perceber que sem indústria não há emprego, sem
emprego não há consumidor, sem consumidor não há comércio e sem comércio
a cidade definhará num ciclo fechado cujos resultados nem é bom tentar
imaginar. Importa pois, em tempo acautelar este cenário e, nessa
matéria, acredito que as Associações Empresariais podem desempenhar um
papel significativo em favor das economias locais, se ganharem uma
dimensão que faça delas elos de articulação com o exterior, com o Estado
e a Administração e com as politicas públicas que servem de
enquadramento a esse sector, ou seja, as economias locais não são já só o
resultado de condições materiais de localização ou logísticas mas
também de condições institucionais e de protagonismos diferenciados. É
sabido que a região apesar de alguma homogeneidade apresenta efeitos
locacionais contrastantes e dinamismos próprios que, resultam da
diversidade das estruturas e das diferentes capacidades de representação
e negocial, sendo que por exemplo, com facilidade se identificam e
distinguem os argumentos de atracção industrial utilizados em Viseu dos
assumidos em Tondela ou Mangualde. Traduzindo o conceito, permito-me
apostar que o preço por m2 em Viseu em qualquer das áreas industriais
ultrapassará em mais ou próximo de 20 vezes o valor do investimento em
áreas daqueles concelhos vizinhos além das ofertas de especialização e
negociação, que naqueles locais se verificam e como tal, não é de
admirar que os resultados sejam também eles díspares com o prejuízo a
situar-se do lado de Viseu. Perante esta realidade haverá quem a procure
minimizar ou contrariar atirando com relativa facilidade com a fria
estatística numérica dos Censos, que apontam um significativo
crescimento populacional de Viseu ao invés do que se acontece nos
concelhos citados em paralelo mas, com igual facilidade se apura que o
principal núcleo urbano da região aproveita do que de favorável acontece
na vizinhança mas nada faz para retribuir esse mérito aos vizinhos. Ou
seja, no dia que a Citroen Mangualde ou a Huf em Tondela por exemplo se
virem obrigados a despedir pessoal (cruzes, canhoto!) o drama social
ficará a cargo dos autarcas desses concelhos mas, a maioria desses
trabalhadores em principio continuarão a manter a sua localização
habitacional e familiar em Viseu, não havendo portanto necessidade de
grande intervenção social da politica local e cenário similar
dificilmente terá lugar no concelho porquanto se a única empresa
viseense de dimensão passasse por drama semelhante ainda assim acabaria
por ultrapassar a esfera local. Assim sendo, parece daqui resultar que
os agentes colectivos locais não são apenas um produto derivado da
lógica exógena de organização de economias e não se podem limitar a ser
meros instrumentos funcionais dos interesses de regulação macroeconómica
e como tal, as Associações como a AIRV terão que ser a expressão da
inovação e mesmo de interesses estratégicos da industria local,
valorizando fora dela o que é mais qualificante do tecido produtivo que
representa e filtrando para dentro o que lhe pode aumentar a sua
capacidade competitiva mas onde o Poder Local também terá que ter papel
preponderante. Há quase que uma “correlação probabilística” (J. Reis,
1988) onde cabe ao Poder Local uma posição activa nas situações em que o
investimento local se revela mais estático por forma a que se aumentem
as possibilidades de emprego implicando a atracção de agentes e recursos
exteriores. Inversamente quando o desenvolvimento local já resulta da
intervenção relacional dos empresários a centralidade da Autarquia deve
ser menor e dirigir-se para outras acções visando o bem-estar das
populações ou para áreas sócio económicas mais marginais e, neste casos,
o protagonismo regulador das Associações terá que ser mais notório. Por
cá, o facto de termos tanta rotunda florida e lotes de terreno ainda
vazios no Parque Industrial de Coimbrões deve, salvo melhor opinião,
talvez significar que não saímos sequer do primeiro estádio e a letargia
do Poder Local ao ignorar o necessário e indispensável equilíbrio
sustentável e sustentado do tecido social do concelho poderá a
médio/longo prazo conduzir a graves problemas sociais. É ainda aceite
que nesta “economia local da informação” que a AIRV, no caso, deverá
conduzir na região, que além da sensibilização do Poder Local, também o
ajuste de mentalidade do empresário local terá que estar na sua linha de
actuação. O empresário local por maior ou menor que seja a empresa terá
ter uma visão “first things first” criando ao mesmo tempo uma estrutura
de gestão que o liberte para a estratégia e para o futuro, investindo
em simultâneo no produto que quer colocar no mercado mas também na sua
formação e na dos seus colaboradores. Pelo que conheço da AIRV, não me
enganarei muito se assumir que aquela Associação dotada de uma liderança
atenta e de uma direcção com forte sentido de missão e técnicos
bastante qualificados, estará disponível e apta a apoiar estas mudanças e
afirmação de mentalidades, a bem do sector empresarial da região. A
julgar pelas iniciativas que têm concretizado como a EAB, o prémio
Inovação e Empreendedorismo, a EXPOTEC, a ENERVIDA, a co-mentoria na
candidatura apresentada pela Comunidade Intermunicipal à Redes Urbanas
para a Competitividade e Inovação, a incubadora de empresas e o apoio às
PME por micro crédito além da formação qualificada, o fomento da
inovação tecnológica e aconselhamento técnico jurídico que empresta aos
associados e investidores em geral, a AIRV apresenta potencial para
fazer crescer esta necessária relação de concertação e parceria que
marcam fortemente as economias actuais, constituindo-se como um
facilitador na concretização da vontade do investidor, uma ponte de
diálogo com o Poder Local e um parceiro na procura da solução financeira
e técnica junto dos demais decisores e agentes intervenientes. Ora, se
esta engrenagem ainda não funciona sem atrito no Concelho tal ficar-se-á
a dever então a uma deficiente visão de politica local que urge
corrigir pois o Autarca actual esgotados que parecem estar os recursos
financeiros e fechada que estará a torneira dos fundos europeus a breve
trecho, terá que assumir uma nova postura e ser mais capaz de gerir as
vontades dos seus concidadãos e, em especial daqueles que acrescentam
mais valia empresarial ao Município e dessa forma geradores de mais e
melhor emprego, que em gerir dispendiosas obras e faustosas
inaugurações! É este clique que terá que acontecer para que autarquia,
empresas e também o apagado meio académico e naturalmente os cidadãos se
envolvam num processo cativador de investimento e gerador de emprego, o
que representará por simpatia mais e melhor qualidade de vida. O
investimento por si só não cai do céu e é preciso vencer a inércia do
efeito centrífugo das rotundas e criar magnetismos de atracção, é
preciso que políticos inquietos, académicos conhecedores e empresários
inovadores se liguem entre si e unam esforços para que o sustentado
futuro aconteça já amanhã, criando emprego e garantindo o bem-estar a
que a cidade nos habituou. São conhecidas as dinâmicas e capacidades da
AIRV mas diga-me lá caro leitor, se lhe calhar em sorte o Euromilhões e
entender investir em Viseu, conhece a política de acolhimento
industrial? Existe algum esquema de incentivo à instalação empresarial
nas zonas industriais locais? Está preconizada alguma forma de cedência
ou venda de lotes a preços simbólicos, em função do número de postos de
trabalho criados? Existe algum beneficio na derrama ou alguma isenção de
taxas de licenciamento de obras para a construção de estabelecimentos
industriais nessas zonas? Quando souber as respostas, estimado leitor,
pondere a sua decisão, aconselhe-se na AIRV, pressione para que a
mudança aconteça e se puder ajudar as gentes trabalhadoras da região não
hesite e invista em Viseu ainda que os ventos do Rossio não sejam de
feição... também esses terão que mudar um dia! Até lá, deixo-lhe um
conselho que também procuro seguir, jogue no Euromilhões!

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