19/10/2011

As redes sociais (numa visão local)

A pedido de alguns leitores, repito aqui no VSB os artigos de opinião que tenho publicado no Jornal do Centro. Começo pelo texto publicado na edição 489 sobre as redes sociais! 

Depois do sucesso da estratégia de campanha de Barack Obama durante as eleições americanas de 2008, que utilizou as redes sociais como Facebook, MySpace, YouTube, Flickr e Twitter – também o interesse da classe política portuguesa por este marketing político se acentuou de forma significativa. Nas últimas eleições presidenciais portuguesas, se bem se recordam, também os candidatos se “degladiaram” nesse terreno da Web 2.0. Cavaco Silva não ganhou apenas as eleições propriamente ditas, como também saiu vitorioso na Internet, pois foi o candidato que melhor soube explorar as redes sociais. Muitos dos políticos portugueses perceberam então, que “o resultado da presença na rede pode ser superior ao esperado” e a ela aderiram com facilidade. Mas se a adesão é simples, a má utilização das redes sociais pode ser contraproducente para os políticos. É certo que “quando um político comenta numa rede social a música que está a ouvir, ele humaniza a sua figura e aproxima-se do eleitor", mas se pelo contrário usa uma linguagem incorrecta, se veta ou modera os comentários sem critério aparente ou, se entra em conflito com ideias anteriores ou pessoas, desconstruirá a sua imagem numa fracção de segundos, antes mesmo que se aperceba que a internet é o termómetro da opinião pública. Situemo-nos agora, por terras de Viriato, onde estas novas ferramentas que possibilitam e deviam estimular o debate com a sociedade, afinal parecem não ser, salvo raras excepções, mais do que uma outra forma de "politicar". Acreditando tratar-se de um potente megafone em tudo semelhante ao do feirante das terças feiras que, repete vezes sem fim o desconto de 5€ na compra de 6 pares de cuecas, o politico local assim usa a rede sem perceber que, no conjunto dos destinatários da mensagem existe uma “inteligência colectiva” critica e consciente já vacinada para esta inábil propaganda! Nas últimas autárquicas Fernando Ruas, aderiu a este fenómeno, mas com facilidade se percebeu que os seus assessores de comunicação que ficaram com o “serviço” tinham como única directiva replicar vezes sem conta os chavões de campanha. O cidadão que "através da conta de twitter" procurava sensibilizar o candidato (mas também Presidente) na altura, para uma solução da falta de água, que se fazia sentir no seu bairro, já terá certamente o seu problema resolvido mas, ainda estará à espera da resposta do outro lado da Internet! Na página do HI5, no Twitter, no Facebook o mural e a timeline eram preenchidas com comentários laudatórios colocados por falsos perfis criados para o efeito. Ainda recentemente um dos seus discípulos presentes na rede perante uma aparente incómoda questão colocada no mural do seu Facebook optou por repetidamente apagar o post que um dos munícipes ali colocou relevando total falta de sentido democrático e desrespeito por aqueles que o elegeram. E esta politica de rede na região é sintomática... sempre que há eleições os "paladinos da cidadania" aumentam exponencialmente e diariamente nas redes sociais, prontos para criar "ruído" na comunicação e perturbar o espaço de comício que o politico local faz na rede! José Junqueiro, no seu blogue, perfil de Facebook e Twitter, habituado a outros corredores do poder e com outras assessorias mais especializadas, passava repetidamente a mensagem de que tudo ia bem por terras da beira para agora se concentrar na ideia que tudo vai mal ao mesmo tempo que, interage bem e muito com comentários “alinhados” e pouco e duro com comentários “desalinhados”. Em resumo, não chega dizer-se próximo dos cidadão por estar nas redes sociais uma vez que para que isso aconteça é preciso efectivamente que o politico escreva o que pensa, que ouça e que responda ao debate. Recolher seguidores, começar a passar mensagens “politicas de choca”, não interagir, tentar impor ideias, não observar a comunidade são tudo formas incorrectas do uso da rede. É preciso que seja capaz de gerar discussão em torno das suas propostas políticas e que responda a todas as questões com cordialidade; que não crie nem alimente falsos perfis e que sobretudo, demonstre aos seus seguidores porque o devem continuar a fazer! Nas redes, tal como na vida real, se a mensagem do politico é vazia o seu mural ou a timeline, só espelham banalidades... Um dia, os políticos, perceberão o erro e farão diferente!