22/10/2011

A Universidade Pública de Viseu

Texto de opinião publicado na edição 495 do Jornal do Centro

O desiderato da criação da Universidade Pública em Viseu não daria para uma tese de mestrado, porque a qualidade dos seus intervenientes dificilmente a justificaria, mas certamente que, seria um bom “case study” para a cadeira de Ciência Política até porque no palco do teatro que tem sido este caso poucos são os políticos que não tenham já desempenhado ao longo dos anos o seu papel nesta espécie de tragicomédia!...
 O assunto é recorrente na afirmação da política local e assume, desde há uma década, diversos contornos e protagonistas, sem que em dia algum tenha conhecido a luz do dia, apesar da existência proclamada em Diário da República. Para aqueles que vão acompanhando com interesse este tema por certo se recordam dos "Olhares Cruzados sobre Viseu", ciclo de conferências que decorreu nesta cidade já lá vai uma boa meia dúzia de anos onde Fernando Ruas defendia a sua "dama" mas nem mesmo no tempo de governos da sua cor partidária a mesma passou do discurso político e, hoje, delas restam apenas um furtivos olhares sobre a cidade e as suas gentes. A Resolução de Conselho de Ministros, 67/2004 de 29 de Maio/04, tendo em conta o parecer da comissão e de todos os partidos com assento na Assembleia da República viabiliza o projecto de criação da Universidade Pública de Viseu deixado a cargo do Professor Veiga Simão, em pleno consulado de Durão Barroso, mas já antes António Guterres a tinha anunciado com pompa e circunstância, acabando depois por licenciar a Medicina na Universidade da Beira Interior, gerando animada manifestação de protesto dos viseenses no Rossio, se bem se recordam, mas que não passou da expressão do desagrado geral e, mesmo num «País de tanga», outras lá foram surgindo como cogumelos aqui ao lado, de Aveiro a Vila Real e à Covilhã, a somar às de Coimbra e do Porto. E, mais soluções foram sendo gizadas nas mentes iluminadas dos políticos locais e desde o ensino à distância da “universidade telemática”, da Universidade Aberta, da, imagine-se, «Universidade da Excelência» que antes de ser já o era, como se a excelência fosse uma qualidade passível de ser definida à partida só serviram para perder tempo e para demonstrar o provincianismo bacoco como os nossos eleitos percebem a região.
E nesta matéria, salvo melhor opinião, a culpa não fica só do lado da política, porque a Academia tem quota parte de responsabilidade na medida em que nunca quis ou não soube agarrar tal oportunidade. O Politécnico, enclausurado no seio de famílias quer tradicionais quer políticas, andou sempre hesitante perante diversas soluções e só a possibilidade de transformar o Presidente em «Magnífico Reitor» fez nascer a ideia que talvez a transformação em Universidade porventura poderia ser uma possibilidade, mas aí já era tarde e nunca os que com um pé na Universidade de Aveiro mas com os votos de Viseu permitiriam que tal se concretizasse. O Reitor da Universidade Católica com um discurso politicamente correcto na praça pública nunca escondeu contudo em privado que não havia espaço em Viseu para duas universidades e lá foi de forma velada ameaçando com o encerramento do Centro Regional das Beiras da Universidade Católica. O Instituto Piaget, geograficamente afastado do centro da cidade, sempre esteve mais virado para a sua visão da CPLP e a criação da Universidade Pública sempre se lhe ofereceu mais como uma possibilidade de adquirir igual estatuto semi-privado tal como a Católica do que em encontrar um parceiro de partilha de conhecimento na região.
E a estes acrescentam-se ainda os detractores da ideia (que argumentarão com relativa displicência) de que a Universidade Pública é apenas uma maneira fácil de contentar alguns viseenses mais exaltados e que Viseu já tem três estabelecimentos de ensino superior, sendo que essas escolas não atingiram os limites do seu crescimento, que uma universidade tem de ter professores e tem de ter alunos, que a ideia que uma universidade, através da investigação que pratica, é geradora de grande desenvolvimento local ainda está por provar e finalmente, há um último argumento, que, nesta altura de crise, pode até sobrelevar a todos os outros, pois uma boa universidade custa muito dinheiro, ainda por cima numa altura em que todos os estabelecimentos de ensino superior estão à míngua.
A resposta a esta argumentação é fácil de encontrar na dinâmica que Viseu já ganhou no nosso rectângulo lusitano e os dados dos últimos censos assim demonstram que do ponto de vista demográfico e académico é das regiões de maior densidade e um dos mais importantes centros urbanos: a centralidade geográfica, o cruzamento viário, a harmonia urbanística, o património histórico, a potencialidade turística e empresarial assim o demonstram, ficando apenas por resolver a questão mais crítica, sendo que a solução estará na mesma imaginação criadora dos políticos que para os impostos encontram sempre estratégias.
Mas, supondo que o milagre político de um honesto pacto de regime local à volta deste projecto aconteceria, que as gentes de Viseu assumiam essa visão estratégica para traçar e protagonizar contra todas as fatalidades, injustiças, marasmos, resignações e “ameaças” hegemónicas este destino comum, que o Estado entendia este investimento no conhecimento como fulcral, já que a aposta na ignorância sai bem mais cara, pois o Saber é, como nos mostram os tempos de globalidade, a irrevogável matriz do verdadeiro Poder, que Universidade quererá Viseu oferecer ao País, à CPLP e porque não à Europa?
Aqui chegados, teremos que ser ambiciosos e com uma visão mais alargada na construção da «Catedral do Conhecimento, do Saber e da Sabedoria», ao invés de mais uma «modesta igreja» na versão do tipo «mais do mesmo»... Pelo que não me ocorre melhor solução que plagiar o Dr. Fernando Paulo Baptista que, no seu “Tributo à Madre Lingua” (na certeza de que perdoará o abuso pela sincera estima e franca admiração que lhe dedico), nos oferece a solução inovadora de um «Instituto de Altos Estudos» com áreas-chave de intervenção, como por exemplo  a área da reflexão filosófico-espistemológica, antropológica e humanista, da formação pós-graduada e avançada (doutoramentos e pós-doutoramentos), da investigação integrada e da experimentação e aplicação científico-tecnológica, só por si capaz de dar "a visibilidade e a projecção” nacional e internacional que daí adviriam para a cidade de Viseu, ao ser transformada num irradiante e polifónico centro português e europeu de reflexão, formação, investigação e criação científicio-cultural”, sem que fosse concorrencial com as demais instaladas na região e em Portugal e, bem pelo contrário, fosse complementar delas mesmas, porquanto o seu espaço de recrutamento serão os alunos que ali finalizaram a sua formação ao nível da licenciatura e dos próprios mestrados e no «Instituto de Altos Estudos» procurariam aprofundar e cimentar os saberes já adquiridos em proveito individual e da sociedade onde pelo valor do trabalho se quererão afirmar.
Perdoem a análise simples e ligeira do tema, que o espaço de caracteres disponível forçosamente condiciona para poder dar voz a outros, mas, ainda assim, parece-me ter deixado matéria suficiente para reflexão e para relançar o desafio aos políticos e gente influente de Viseu, para que de novo nos façam acreditar e, como o poeta dizia, transformarem o sonho em realidade! Não se deixem uma vez mais cair de novo no entrópico buraco negro da demagogia e da hipocrisia política e sejam, como são a maioria dos viseenses, ambiciosos e voluntariosos pela região e exijam lá a «Catedral do Saber» e deixem-se lá de prometer capelinhas de fiéis servos de ignóbil ignorância... Disso já temos que chegue!

21/10/2011

Despesa pública!

Escadinhas de Santo Agostinho... para quando a obra?
Crematório? Há interessados?
192 mil euros para os serviços de operação do funicular?
Termas de Alcafache - para quando a obra?
Net Freguesias... alguém conhece um destes pontos nas freguesias?

Uma história da Lusitânia

Artigo publicado no Jornal do Centro de 26 de Agosto:
A Lusitânia, na História Antiga, era o território oeste da Península Ibérica onde viviam os povos lusitanos desde o Neolítico e que, a partir de 29 a.C. com a conquista romana passou a designar a província cuja capital era Emerita Augusta (actual Mérida). Considerada a origem ancestral de Portugal, foi aí que pontuou o nosso ilustre antepassado Viriato, um dos mais destacados líderes no combate aos romanos, infligindo várias derrotas às tropas romanas na região da periferia andaluza até ser morto à traição, tornando-se um mito da resistência peninsular e um herói aclamado (mas pouco) ainda hoje na nossa Cidade.
A Lusitânia da História Moderna, ao contrário da anterior, tanto quanto se me é dado a perceber, consegue resumir-se em poucas linhas e, nelas a glória e a exaltação dos valores maiores da Humanidade não servirá de referência sendo que, estou em crer, mais que um historiador, um juiz seria a pessoa indicada para refazer essas páginas da “estória”, dessa que foi ou é, uma agência de desenvolvimento regional que executou vários milhões de euros de fundos comunitários vaporizando-os em projectos virtuais e outros tantos bytes digitais que o éter cibernético se encarregou de evaporar, sem que deles fique vestígio ou lustre.
Mas, vamos aos factos do que é público conhecimento para melhor compreensão do leitor, deixando de lado o que “à boca pequena” se conta e que resulta, na minha modesta opinião, da ausência de explicação séria e transparente da gestão e actividade da Lusitânia, ADR até porque “à mulher de César não basta ser, terá que parecer”.
A Lusitânia constituiu-se como uma agência de desenvolvimento regional sob a forma de entidade privada de direito público, sem fins lucrativos, com objectivos de identificar problemas e oportunidades de desenvolvimento, global e sectorial existentes na NUT III Dão-Lafões (15 municípios) e NUT III (1 município) e tinha como áreas estratégicas de intervenção o sector florestal, a sociedade da informação e a modernização autárquica, em que os seus objectivos operacionais visavam entre outros, promover e gerir projectos de desenvolvimento ou de promover a região e os seus recursos, organização que a ter alcançado tais premissas, não deveria ter sido alvo de noticias como aquela que, a 26 de Janeiro deste ano, titulava no DN “Lusitânia – 25 milhões sem rasto”!
Segundo aquela noticia desde 2002, que a agência terá contado com mais de 25 milhões de euros provenientes de fundos comunitários, públicos e municipais para desenvolver projectos para a sociedade de informação, que nunca chegaram a ser concluídos, não se conhecem ou que não estão em funcionamento sendo que aquela data só era conhecida a aprovação de um único relatório e contas relativo ao ano de 2005, aquando a apresentação do programa Viseu Digital, num projecto orçado em 12 milhões de euros. Destas contas, e no âmbito desse projecto Viseu Digital, realçam-se os factos de ter sido pago ao gestor executivo do programa um vencimento de mais de 6900 euros mês, 3100 euros ao director financeiro colocado a meio tempo, assim como gastos em compras de portáteis de 5000 euros ou de um aluguer de um auditório, a um dos sócios da agência por cerca de 12 mil euros dia. E aqui chegados fica a pergunta como é que apesar deste histórico, pouco abonatório para a agência, o Governo do esbanjador engenheiro, concedeu à Lusitânia o estatuto de utilidade pública, tendo despachado em 2009, através da Presidência de Conselho de Ministros, a alteração dos estatutos para assegurar uma gestão privada, facto que nunca se terá verificado. E as questões e dúvidas sucedem-se como as de saber porque razão só agora foram aprovadas as contas e relatórios de gestão ou, o motivo porque os auditores insistem que só se pronunciaram sobre os documentos que lhes foram apresentados dando a perceber que haveria porventura outras realidades por apreciar, ou saber se algum leitor já tropeçou nalgum dos 38 pontos de acesso á internet disponibilizados pela agência, ou porque razão em 2005 a Câmara Municipal de Viseu transferiu 217.724,00 euros, para efectuar os pagamentos mensais correspondentes aos encargos comuns: da estrutura, fundamentalmente os custos com o pessoal, do Portal Regional, Governo Electrónico (...) e Data Center (deliberação de Câmara n.º 1452, de 29 de Dezembro de 2005) e se estes custos de pessoal apesar da agência deter autonomia administrativa também foram suportados pelos demais parceiros, ou o que é a Rede Regional de Desenvolvimento Sustentável que orçou em 2,1 milhões de euros, ou onde estão os sites do Museu Virtual de Grão Vasco e Almeida Moreira, ou os 13 sites ligados por fibra óptica  cujo investimento só no Município de Viseu foi de 215.384,30 euros, ou porque sendo a agência considerada sustentável financeiramente em 2008 pelos auditores deixa de o ser nos anos seguintes, ou quem vai ficar com os proveitos dos contratos celebrados com a Portugal Telecom após 2010, ou quem vai resolver a problemática da divida da conta de clientes, ou o que resultou dos "projectos implementados" para além dos 3 jantares que constam do programa Perspectivas de Desenvolvimento, ou qual a aplicação prática de aplicações como o Sistema de Informação para a Prevenção Florestal que terá custado 12 milhões de euros e onde se pode verificar o seu funcionamento, ou para rematar, se tudo isto não passa de meras suposições e elucubração de alguém de critica fácil porque razão entenderam as autoridades abrir uma averiguação preventiva à agência?
A Direcção veio em Fevereiro passado desmentir em conferência de imprensa algumas destas irregularidades apontadas, dar exígua e envergonhada resposta a outras tendo-se comprometido a divulgar os relatórios de gestão e contas e demais auditorias facto que, meio ano depois, veio a acontecer após ter sido alvo de várias referências em editorial deste Jornal do Centro e motivo de perguntas ao Governo, por parte dos deputados de Viseu das bancadas do CDS e do PS já que, venha-se lá a saber porquê o PSD se arredou desta problemática e se parece arrepiar cada vez que se toca na ferida! Corre na Internet uma petição para que no retomar dos trabalhos parlamentares os nossos deputados voltem procurar resposta cabal e transparente a estas dúvidas pois, em último recurso, deles se espera a “eficiência” que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições com clareza, perfeição e honestidade funcional que não apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros.
A não ser assim, iremos perpetuando no tempo estas lusitanas histórias em que, para gáudio de uns poucos a “coisa pública” se torna um “paraíso” e, para os muitos outros milhares de contribuintes não deixa de ser um imenso “inferno” que terão que sofrer no bolso e na alma por muitas gerações!

A novela da cidade!

Passatempo TVI:
A imagem acima retrata uma cena da novela da TVI Remédio Santo, episódio de 19Out. Identifique os 2 actores da foto e ganhará 1 semana de viagens grátis no funicular de Viseu!

20/10/2011

Aproveitem!

A Associação Industrial da Região de Viseu (AIRV) está a lançar o Concurso Regional de Ideias de Empreendedorismo, intitulado Start Up.
Este concurso destina-se a seleccionar ideias empreendedoras, dos vários sectores de actividade, que demonstrem ter aplicabilidade empresarial, em torno da qual se possa perspectivar a criação de novas empresas nomeadamente de base tecnológica e susceptíveis de fazer parte no futuro, das Incubadoras de Empresas da RIERC – Rede de Incubação e Empreendedorismo da Região Centro.
Pretende-se desta forma, fomentar o empreendedorismo e criar condições para que as boas ideias de negócio, possam ser implementadas e geradoras de empresas.
Candidaturas abertas até 30 de Novembro.
Para mais informações contactar através do email

Há placas, plaquinhas e... placas grandes!

Fornecimento para o Welcome Center de Viseu de 3 placas de sinalética de orientação dos utilizadores, 3 expositores, revestimento de 1 pilar a acrílico.
Data da celebração de contrato:
07-10-2011
Preço contratual:
5.995,00 €

A Feira de São Mateus

A Feira já acabou mas na sequência do pedido de alguns leitores para postar no VSB dos artigos de opinião publicados no Jornal do Centro aqui fica o texto de 12Ago11, sobre a Feira de São Mateus:

Daqui a 2 dias abrem-se as portas no Campo de Viriato para mais uma edição da secular Feira de São Mateus, agora com nova programação e renovadas expectativas. A definhar durante um quarto de século, mergulhada numa cíclica e esgotada programação pimba, num espaço que cada vez mais apinhado de bugiganga mais pindérico se foi tornando, colada a um provincianismo no mau sentido da palavra, deixou de se oferecer aos visitantes como um espaço de encontro e, passou a ser para os viseenses “a mesma coisa de todos os anos”. A Expovis acabou assim até a ser tema de discussão na campanha de alguns políticos candidatos à Câmara Municipal em períodos eleitorais e, um pouco por todo o lado, este ex-libris da região de Viseu passou a ser alvo de frequente e negativa critica, reclamando-se da sua capacidade de se reinventar e adaptar à mudança dos tempos mas, num modelo que sem perder a ruralidade fosse capaz de conquistar a modernidade.
A Feira passou a ser vista como um certame obsoleto, sem grande relevância económica e cultural, com reduzido poder de atracção de pessoas, embora a isto a Expovis fosse contrapondo os números irreais da ordem de um milhão de visitantes facilmente desmontáveis, como no caso presente do ano transacto em que a organização admitia na Comunicação Social ter contabilizado cerca de 240 mil entradas pagas em 16 dias de feira, o que a ser verdade significaria uma média de 15 mil pessoas por dia de entradas e assim sendo, nos restantes 24 dias a feira teria que ter uma afluência diária média de 31 mil pessoas para que se atingisse o milhão de visitantes que, todos os anos servia de bandeira justificativa do miserabilismo cultural e da descaracterização social a que foi vetada.  E se em 2010 a feira contabilizou mais 6 mil entradas que em 2009 como se teria então atingido esse mesmo milhão na anterior edição? Como dizia Lincoln e quem disso fez slogan de campanha, “podem-se enganar a todos por algum tempo, podem-se enganar alguns por todo o tempo mas não se pode enganar a todos todo o tempo..."
Ano após ano, iam-se somando o número de viseenses que deixaram de se rever no modelo da Feira, adquiria-se a certeza que a Feira de São Mateus deixava de projectar a Cidade ao nível nacional e passou apenas a depender de um segmento populacional demasiado específico para quem a esgotada e retrógrada programação cultural se fotocopiava sem critério nem novidade. O exemplo mais caricato além da sagaz ideia da Mascote é talvez, se bem se recordam o facto de anos seguidos no dia dedicado à Criança o artista convidado ser nem mais nem menos que o consagrado Quim Barreiros!
E é assim, caricaturada, alvo de repetidas criticas e sujeita a um escusado desgaste da sua imagem e prestigio angariado ao longo dos seus 619 anos de história que, acaba por ser quase inevitável a mudança na Expovis. Escandalosamente empurrado pelas escadas do edificio central do Rossio e num processo ainda menos elegante de substituição na Expovis, José Moreira acaba por aceitar ficar com esta triste herança e lhe acrescenta a sua vontade de a levar de novo aos viseenses, dando-a conhecer por todo o Portugal e levando-a além fronteiras com as memórias dos emigrantes espalhados pelos 4 cantos do Mundo.
Sem que de Fernando Ruas se conheça publicamente uma nova orientação para a Feira, uma outra visão cultural e dimensional do certame, o que não seria nada de extraordinário para um medalha de ouro da Société Académique des Arts, Sciences et Lettres, o facto é que José Moreira abraçou de forma graciosa e exemplar nos tempos que correm esta causa e, subindo para o “arame sem rede por baixo”, recolheu opiniões de diversas personalidades, organizações e associações indo ao encontro da cidade e das pessoas, para encontrar o caminho de fazer da Feira de São Mateus um grande certame multidimensional, que albergue um conjunto diversificado de eventos e manifestações culturais de projecção nacional e até se possível internacional, que de novo tornem Viseu a ser procurada pelo maior número de visitantes possível.
Ao elaborar uma programação cultural mais vasta, associada a uma imagem de modernidade e abertura da cidade capaz de atrair novos públicos, recriando o espaço físico para que seja de novo um local de passeio, encontro e socialização, amplo e aprazível, apostando na promoção de clusters regionais (o vinho do Dão, a gastronomia, o artesanato, etc) e em paralelo seja capaz de manter uma vertente de promoção da iniciativa e inovação económicas, em resumo, ao procurar que a Feira de São Mateus passe a ser uma “marca” com um potencial económico, turístico e cultural único, José Moreira merece não ficar sozinho neste desiderato. Merece que a cidade com ele se envolva para que o espaço abrangente e intergeracional da Feira volte a ser uma realidade, para que ela volte a ser Franca!
Certamente que, no tempo disponível e com os parcos recursos que dispõe, não terá José Moreira conseguido ir tão longe quanto esperava e que, outro tanto haverá ainda a fazer em próximas edições mas é aí que, caro leitor e estimado concidadão, todos devemos contribuir, com a nossa opinião, a nossa critica e sobretudo com a nossa presença numa Feira que é de também nossa porque “Viseu é de todos nós”, não é?
Agora venha de lá e depressa essa nova Feira de São Mateus!
Vemo-nos na Feira! Até já!

19/10/2011

O tempo voa!

A última vez que me lembro que o presidente da Câmara de Viseu falou no Museu do Quartzo foi para dizer que "em Setembro ou Outubro vamos inaugurar, com toda a certeza, já com todos os conteúdos". Assim, solicita-se ao funcionário e regular leitor cujo IP se localiza na Praça da República o favor de avisar no Gabinete de Apoio à Presidência que já estamos a 19 e não tarda o mês acaba!

A festa do caldo na SIC


Há mais Viseu na net

Em fotografias aéreas que mostram bem a beleza e dimensão da nossa cidade!

As redes sociais (numa visão local)

A pedido de alguns leitores, repito aqui no VSB os artigos de opinião que tenho publicado no Jornal do Centro. Começo pelo texto publicado na edição 489 sobre as redes sociais! 

Depois do sucesso da estratégia de campanha de Barack Obama durante as eleições americanas de 2008, que utilizou as redes sociais como Facebook, MySpace, YouTube, Flickr e Twitter – também o interesse da classe política portuguesa por este marketing político se acentuou de forma significativa. Nas últimas eleições presidenciais portuguesas, se bem se recordam, também os candidatos se “degladiaram” nesse terreno da Web 2.0. Cavaco Silva não ganhou apenas as eleições propriamente ditas, como também saiu vitorioso na Internet, pois foi o candidato que melhor soube explorar as redes sociais. Muitos dos políticos portugueses perceberam então, que “o resultado da presença na rede pode ser superior ao esperado” e a ela aderiram com facilidade. Mas se a adesão é simples, a má utilização das redes sociais pode ser contraproducente para os políticos. É certo que “quando um político comenta numa rede social a música que está a ouvir, ele humaniza a sua figura e aproxima-se do eleitor", mas se pelo contrário usa uma linguagem incorrecta, se veta ou modera os comentários sem critério aparente ou, se entra em conflito com ideias anteriores ou pessoas, desconstruirá a sua imagem numa fracção de segundos, antes mesmo que se aperceba que a internet é o termómetro da opinião pública. Situemo-nos agora, por terras de Viriato, onde estas novas ferramentas que possibilitam e deviam estimular o debate com a sociedade, afinal parecem não ser, salvo raras excepções, mais do que uma outra forma de "politicar". Acreditando tratar-se de um potente megafone em tudo semelhante ao do feirante das terças feiras que, repete vezes sem fim o desconto de 5€ na compra de 6 pares de cuecas, o politico local assim usa a rede sem perceber que, no conjunto dos destinatários da mensagem existe uma “inteligência colectiva” critica e consciente já vacinada para esta inábil propaganda! Nas últimas autárquicas Fernando Ruas, aderiu a este fenómeno, mas com facilidade se percebeu que os seus assessores de comunicação que ficaram com o “serviço” tinham como única directiva replicar vezes sem conta os chavões de campanha. O cidadão que "através da conta de twitter" procurava sensibilizar o candidato (mas também Presidente) na altura, para uma solução da falta de água, que se fazia sentir no seu bairro, já terá certamente o seu problema resolvido mas, ainda estará à espera da resposta do outro lado da Internet! Na página do HI5, no Twitter, no Facebook o mural e a timeline eram preenchidas com comentários laudatórios colocados por falsos perfis criados para o efeito. Ainda recentemente um dos seus discípulos presentes na rede perante uma aparente incómoda questão colocada no mural do seu Facebook optou por repetidamente apagar o post que um dos munícipes ali colocou relevando total falta de sentido democrático e desrespeito por aqueles que o elegeram. E esta politica de rede na região é sintomática... sempre que há eleições os "paladinos da cidadania" aumentam exponencialmente e diariamente nas redes sociais, prontos para criar "ruído" na comunicação e perturbar o espaço de comício que o politico local faz na rede! José Junqueiro, no seu blogue, perfil de Facebook e Twitter, habituado a outros corredores do poder e com outras assessorias mais especializadas, passava repetidamente a mensagem de que tudo ia bem por terras da beira para agora se concentrar na ideia que tudo vai mal ao mesmo tempo que, interage bem e muito com comentários “alinhados” e pouco e duro com comentários “desalinhados”. Em resumo, não chega dizer-se próximo dos cidadão por estar nas redes sociais uma vez que para que isso aconteça é preciso efectivamente que o politico escreva o que pensa, que ouça e que responda ao debate. Recolher seguidores, começar a passar mensagens “politicas de choca”, não interagir, tentar impor ideias, não observar a comunidade são tudo formas incorrectas do uso da rede. É preciso que seja capaz de gerar discussão em torno das suas propostas políticas e que responda a todas as questões com cordialidade; que não crie nem alimente falsos perfis e que sobretudo, demonstre aos seus seguidores porque o devem continuar a fazer! Nas redes, tal como na vida real, se a mensagem do politico é vazia o seu mural ou a timeline, só espelham banalidades... Um dia, os políticos, perceberão o erro e farão diferente!

18/10/2011

O estudo ficou no ar!


Em Maio de 2008 o DN dava nota que: "as crianças de Viseu estão expostas a níveis de partículas na atmosfera (poeiras finas resultantes de queimas) que são três vezes superiores aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)."
Três anos depois é caso para perguntar o que foi feito e o que já mudou?

Ver para crer!

Numa altura em que o País não pode com um gato pelo rabo e o aperto nas famílias já faz sangue, bastou o Ministro deixar por cá ilusória promessa para logo o PSD local vir aplaudir o disparate!

17/10/2011

Alguém andou a mexer nos cordelinhos!

Viseu vai ser a cidade anfitriã do XXXVII Congresso da APAVT que está agora agendado para decorrer de 1 a 4 de Dezembro (...) A Associação remete para a próxima semana a comunicação de mais detalhes e condições de participação consequência da alteração do destino sede do Congresso.

O creme de ovo dos pasteis de Vouzela é bom mas é uma bomba proteínica!

Ali para os lados de Lafões, as reuniões de câmara pelo que nos conta o vizinho, têm sido francamente animadas e realmente inspiradoras, desde uma proposta para a instalação do Metro de Superfície entre Oliveira de Frades e Vouzela até à recente discussão sobre a necessidade de legalizar a produção e comércio do cânhamo nos terrenos agrícolas do concelho!

Pedido aos leitores!

Dado que conforme consta no programa oficial o idioma da conferência é o inglês com interpretação em português e como não posso estar presente se puderem gravar ou filmar a sessão de abertura e enviar agradeço-vos!

16/10/2011

No próximo ano não falho ao Caldo!

 
Aconselho-vos a apreciarem com atenção esta "deliciosa receita" que o Bruno Pereira da Dão TV nos dá a conhecer do Festival do Caldo do passado fim de semana. Zé Ernesto da Confraria de Grão Vasco não faz a festa por menos e trata logo de classificar Viseu como o coração da gastronomia portuguesa e a sopa como a tranca da barriga e de seguida Gualter Mirandez aponta-nos a verdade de la Palisse dos "convenientes e inconvenientes" a propósito da promoção que "é feita e que não seria feita" se os restaurantes não participassem no evento! Eu por mim, digo-vos, fiquei rendido pois sempre pensei que uma sopinha fosse um aconchego para o estômago mas nunca imaginei que fosse também um tónico espiritual desta categoria!

Se dúvidas havia...


É assim que se começa...

A Betânia Pires, artista viseense, recebeu uma Menção Honrosa na 10ª Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro 2011. Vale a pena verem o seu trabalho... promissor!