25/11/2011
Sonhando a cidade!
Artigo de opinião publicado na edição 506 de 25Nov do Jornal do Centro.
Quando naquela invernal noite chuvosa e fria entrei no auditório nem queria acreditar no que os meus olhos viam e, por momentos, pensei até que me teria porventura enganado no local. A sociedade civil mais expressiva do burgo estava ali representada em peso, do líder autarca, aos deputados eleitos excepção feita ao “paraquedista alfacinha”, aos dirigentes políticos locais, aos empresários mais dinâmicos e empreendedores, aos comerciantes preocupados, aos presidentes das escolas do ensino superior junto com alguns alunos, aos dirigentes de várias instituições culturais, desportivas e recreativas, ao grande número de cidadãos anónimos mais entusiastas e, até mesmo a obscura figura do provedor, que já pouco mais balbucia além do seu nome, não quis deixar de estar presente. Alguns estavam ali certamente motivados pela mesma hipocrisia com que gerem o seu dia a dia mas, como se tratava de discutir os efeitos da crise e a importância na cidade para a construção do futuro, ninguém queria ficar de fora desta visão que, fora em tempos lema de campanha mas, que só agora, vinte anos depois, todos percebiam ser um novo momento de transição onde velhos modelos e novas ideias se confrontam no imaginário da sociedade.
As razões do problema eram por demais conhecidas, com o Estado e os cidadãos a gastar mal e demais consumindo recursos desnecessários e tão essenciais a outros que não têm o que precisam para viver com dignidade. É sabido que adquirimos padrões de mobilidade irracional e exacerbámos o nosso sentido individualista perdendo o sentido do colectivo esquecendo as práticas culturais e sociais e como consequência “vivemos o fim de uma das maiores narrativas do 25 de Abril e que alimentámos durante anos que era a esperança na melhoria da qualidade de vida dos portugueses” (José Gil, 2001) e portanto agora era necessário “caminhar pela cidade com as pessoas” e encontrar novos caminhos para o seu “crescimento inteligente”.
A ideia tinha partido de um grupo de cidadãos que independentemente das suas opções partidárias e sociais percepcionaram a necessidade de novas formas de participação cívica. A indignação com a corrupção, a exasperação frente à violência, o combate à pobreza e à miséria, a criação de emprego e bem estar a par da desesperança quanto ao futuro obrigam à coexistência com a emergência de novos processos de participação e transformação social. Aos tempos de incerteza, risco e perplexidade que se vivem este grupo de amigos preocupado com a cidade quer acrescentar novos tempos de criatividade, experimentação e reinvenção ultrapassando este paradoxo da descrença crescente e generalizada da população nas instituições políticas com a emergência de uma cultura cívica de diálogo e debate.
Os políticos parecem pensar que a população não se sabe exprimir e a população está convencida que os políticos não sabem ouvir sendo que a a persistência desta crise de legitimidade das instituições políticas abre caminho para regressões autoritárias e populistas que podem vir a constituir-se numa ameaça à própria democracia.
A lógica da sociedade civil é a da liberdade, autonomia e diversidade sendo que as iniciativas são tão variadas quanto às questões sociais como a energia de quem se mobiliza em torno delas e por isso, ao desenharem esta tertúlia o grupo sabe que o seu papel não é o decidir ou impor mas sim o de experimentar, inovar, denunciar, propor e influenciar novas soluções para a cidade e para o futuro dos seus habitantes. Por outro lado também tem presente que actualmente a expressão ‘sociedade civil organizada’ envelheceu e soa cada vez mais como um anacronismo pois a participação dos cidadãos é inorganizável e, num certo sentido, é precisamente nesta desorganização que reside sua força e há quem veja na pluralidade de iniciativas, actores e temáticas um risco de fragmentação e dispersão de energias que dificulta ou mesmo inviabiliza a elaboração de uma visão de conjunto da sociedade e a formulação de uma estratégia comum de transformação social.
A sociedade civil não é nem pode ser um partido político com uma proposta de poder, não tem nem pode ter uma estratégia uniforme e acabada de transformação social e deve atentar à afirmação de um ‘novo indivíduo’ como actor social capaz de pensar e decidir pela própria cabeça, ao protagonismo crescente de uma opinião pública que se informa e toma posição e à abertura pelas novas tecnologias de informação de um ambiente inédito para a formação de opiniões, comunicação e debate.
As pessoas tendem agora a ser mais “inteligentes, rebeldes e criativas” e essa maior capacidade das pessoas de pensar pela própria cabeça, formular juízos de valor e decidir por si mesmas é consequência do declínio da tradição e hoje, na sociedade contemporânea cada um de nós, como diria Fernando Pessoa, “é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmo”.
Cientes desta realidade, o grupo no desenho desta iniciativa procura captar com acuidade o duplo fenómeno de esvaziamento da política, incapaz de lidar com os problemas globais a par do exercício pelo indivíduo de um crescente poder de escolha e decisão sobre questões que afectam directamente a sua vida e seu futuro. Na sociedade contemporânea, cada vez mais as pessoas elaboram seus pontos de vista, opiniões e escolhas com base no que vivem e vêem. Se a visão e a vivência não têm relação com as mensagens dos políticos, o resultado inexorável é a descrença e perda de confiança. O outro lado da exigência de verdade é a capacidade da população de perceber e recusar os gestos demagógicos, as falsas soluções, as promessas e palavras vazias, as abordagens simplistas de problemas complexos. Os cidadãos não se contentam mais com a posição de receptores passivos de mensagens e palavras de ordem. Não querem ser “passageiros mas sim condutores”, querem falar e ser ouvidos, querem que a verdade lhes seja dita de forma clara e querem ter certeza que sua contribuição será levada em conta.
Ao terem aderido em massa a esta iniciativa de reinvenção da democracia representativa na cidade mediante expansão de procedimentos deliberativos de consulta e tomada de decisão, os cidadãos querem tomar parte no planeamento estratégico para a regeneração e reconstrução sustentável do concelho, no recursos que a região dispõe e como os vai utilizar, na discussão da capacidade de novas dinâmicas de participação de preencher o vazio de sentido e gerar valores, esperança e perspectiva de futuro. Encantadora realidade esta que se gerou na cidade e que...
- Fernando, acorda! Tens o telemóvel a tocar!
- Estou! Boa noite…
- Caro amigo, estamos à espera do seu artigo para fechar a edição do Jornal.
- Peço desculpa, envio já por email. Deixei-me dormir e até já estava a sonhar!
Quando naquela invernal noite chuvosa e fria entrei no auditório nem queria acreditar no que os meus olhos viam e, por momentos, pensei até que me teria porventura enganado no local. A sociedade civil mais expressiva do burgo estava ali representada em peso, do líder autarca, aos deputados eleitos excepção feita ao “paraquedista alfacinha”, aos dirigentes políticos locais, aos empresários mais dinâmicos e empreendedores, aos comerciantes preocupados, aos presidentes das escolas do ensino superior junto com alguns alunos, aos dirigentes de várias instituições culturais, desportivas e recreativas, ao grande número de cidadãos anónimos mais entusiastas e, até mesmo a obscura figura do provedor, que já pouco mais balbucia além do seu nome, não quis deixar de estar presente. Alguns estavam ali certamente motivados pela mesma hipocrisia com que gerem o seu dia a dia mas, como se tratava de discutir os efeitos da crise e a importância na cidade para a construção do futuro, ninguém queria ficar de fora desta visão que, fora em tempos lema de campanha mas, que só agora, vinte anos depois, todos percebiam ser um novo momento de transição onde velhos modelos e novas ideias se confrontam no imaginário da sociedade.
As razões do problema eram por demais conhecidas, com o Estado e os cidadãos a gastar mal e demais consumindo recursos desnecessários e tão essenciais a outros que não têm o que precisam para viver com dignidade. É sabido que adquirimos padrões de mobilidade irracional e exacerbámos o nosso sentido individualista perdendo o sentido do colectivo esquecendo as práticas culturais e sociais e como consequência “vivemos o fim de uma das maiores narrativas do 25 de Abril e que alimentámos durante anos que era a esperança na melhoria da qualidade de vida dos portugueses” (José Gil, 2001) e portanto agora era necessário “caminhar pela cidade com as pessoas” e encontrar novos caminhos para o seu “crescimento inteligente”.
A ideia tinha partido de um grupo de cidadãos que independentemente das suas opções partidárias e sociais percepcionaram a necessidade de novas formas de participação cívica. A indignação com a corrupção, a exasperação frente à violência, o combate à pobreza e à miséria, a criação de emprego e bem estar a par da desesperança quanto ao futuro obrigam à coexistência com a emergência de novos processos de participação e transformação social. Aos tempos de incerteza, risco e perplexidade que se vivem este grupo de amigos preocupado com a cidade quer acrescentar novos tempos de criatividade, experimentação e reinvenção ultrapassando este paradoxo da descrença crescente e generalizada da população nas instituições políticas com a emergência de uma cultura cívica de diálogo e debate.
Os políticos parecem pensar que a população não se sabe exprimir e a população está convencida que os políticos não sabem ouvir sendo que a a persistência desta crise de legitimidade das instituições políticas abre caminho para regressões autoritárias e populistas que podem vir a constituir-se numa ameaça à própria democracia.
A lógica da sociedade civil é a da liberdade, autonomia e diversidade sendo que as iniciativas são tão variadas quanto às questões sociais como a energia de quem se mobiliza em torno delas e por isso, ao desenharem esta tertúlia o grupo sabe que o seu papel não é o decidir ou impor mas sim o de experimentar, inovar, denunciar, propor e influenciar novas soluções para a cidade e para o futuro dos seus habitantes. Por outro lado também tem presente que actualmente a expressão ‘sociedade civil organizada’ envelheceu e soa cada vez mais como um anacronismo pois a participação dos cidadãos é inorganizável e, num certo sentido, é precisamente nesta desorganização que reside sua força e há quem veja na pluralidade de iniciativas, actores e temáticas um risco de fragmentação e dispersão de energias que dificulta ou mesmo inviabiliza a elaboração de uma visão de conjunto da sociedade e a formulação de uma estratégia comum de transformação social.
A sociedade civil não é nem pode ser um partido político com uma proposta de poder, não tem nem pode ter uma estratégia uniforme e acabada de transformação social e deve atentar à afirmação de um ‘novo indivíduo’ como actor social capaz de pensar e decidir pela própria cabeça, ao protagonismo crescente de uma opinião pública que se informa e toma posição e à abertura pelas novas tecnologias de informação de um ambiente inédito para a formação de opiniões, comunicação e debate.
As pessoas tendem agora a ser mais “inteligentes, rebeldes e criativas” e essa maior capacidade das pessoas de pensar pela própria cabeça, formular juízos de valor e decidir por si mesmas é consequência do declínio da tradição e hoje, na sociedade contemporânea cada um de nós, como diria Fernando Pessoa, “é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmo”.
Cientes desta realidade, o grupo no desenho desta iniciativa procura captar com acuidade o duplo fenómeno de esvaziamento da política, incapaz de lidar com os problemas globais a par do exercício pelo indivíduo de um crescente poder de escolha e decisão sobre questões que afectam directamente a sua vida e seu futuro. Na sociedade contemporânea, cada vez mais as pessoas elaboram seus pontos de vista, opiniões e escolhas com base no que vivem e vêem. Se a visão e a vivência não têm relação com as mensagens dos políticos, o resultado inexorável é a descrença e perda de confiança. O outro lado da exigência de verdade é a capacidade da população de perceber e recusar os gestos demagógicos, as falsas soluções, as promessas e palavras vazias, as abordagens simplistas de problemas complexos. Os cidadãos não se contentam mais com a posição de receptores passivos de mensagens e palavras de ordem. Não querem ser “passageiros mas sim condutores”, querem falar e ser ouvidos, querem que a verdade lhes seja dita de forma clara e querem ter certeza que sua contribuição será levada em conta.
Ao terem aderido em massa a esta iniciativa de reinvenção da democracia representativa na cidade mediante expansão de procedimentos deliberativos de consulta e tomada de decisão, os cidadãos querem tomar parte no planeamento estratégico para a regeneração e reconstrução sustentável do concelho, no recursos que a região dispõe e como os vai utilizar, na discussão da capacidade de novas dinâmicas de participação de preencher o vazio de sentido e gerar valores, esperança e perspectiva de futuro. Encantadora realidade esta que se gerou na cidade e que...
- Fernando, acorda! Tens o telemóvel a tocar!
- Estou! Boa noite…
- Caro amigo, estamos à espera do seu artigo para fechar a edição do Jornal.
- Peço desculpa, envio já por email. Deixei-me dormir e até já estava a sonhar!
24/11/2011
Momento Zen!
Paulo Futre, o grande e proeminente catedrático formado na melhor Universidade de Alcochete, vai estar na ESA do IPV para falar aos estudantes sobre gestão de equipas e motivação. Li e reli pois julguei que seria mais uma brincadeira publicitária desta “estrela” mediática mas afinal... é a sério! Desde logo o meu espanto por perceber que as autoridades académicas locais foram capazes de apadrinhar tal evento e depois em virtude de terem sido os estudantes os autores desta proeza intelectual não consigo evitar o desgosto pelo desnível da preparação dos nossos futuros “doutores e engenheiros”. Ainda assim, vou preferir acreditar que o proeminente orador vai ali para se divertir e os estudantes o convidaram para se rir. Espero que tenha sido essa a motivação até porque “rir é o melhor remédio”, contra o pessimismo e miserabilismo que grassa diariamente à nossa volta. Se não foi isso que os motivou... bom, então vou começar a rezar pelo futuro do IPV e das nossas gerações!
23/11/2011
Morrer na praia!
A Comissão Europeia leva a cabo a segunda edição do “Prémio Access City 2012”, o primeiro Prémio Europeu para Cidades Acessíveis que tem por objectivo divulgar e premiar as cidades que tomam medidas exemplares para melhorar a sua acessibilidade para as pessoas portadoras de deficiência em aspectos fundamentais da vida nas cidades. Com 114 candidaturas provenientes de 23 países da EU, o Júri enfrentou uma desafiante tarefa na identificação dos semi-finalistas. Uma das oito cidades europeias que passaram à eliminatória final será seleccionada como a Vencedora do prestigiado prémio Access City Award 2012. Portugal pode orgulhar-se de ter apresentado 2 candidaturas - Loulé e Viseu - que chegaram à pré-selecção das 31 Cidades. Viseu como cidade inclusiva ainda tem muito que melhorar nas acessibilidades para deficientes mas já é uma cidade a seguir como referência!
22/11/2011
O IPV na Web
Neste estudo, liderado a nível mundial pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology, o site oficial do Instituto Politécnico de Viseu acaba de alcançar a 8ª posição, entre 50 instituições de ensino superior nacionais, ficando colocado em 1º lugar no que concerne aos institutos politécnicos portugueses.
Só faltava mais esta!
Os European Excelence Awards, que pretendem premiar os melhores projectos de comunicação a nível europeu, contam com várias empresas e agências nacionais na lista de finalistas. Os vencedores serão conhecidos a 8 de Dezembro, em Amesterdão. (...) Na secção Portugal, destinada a avaliar apenas trabalhos nacionais, surgem projectos da Inforpress, YoungNetwork e Lift. A YoungNetwork disputa a competição com Special One Unibet e Live Beach.
21/11/2011
Não estranhem serem 3 em 1... foi para poupar que o tempo é de crise!
Enquanto a máquina laranja se reuniu num estranho local para uma "Tertúlia" a fim de concluírem o óbvio, o PS Viseu estranha a decisão ministerial da substituição da Direcção do S. Teotónio e o CDS Viseu estranha o facto da autarquia viseense não integrar a lista dos Municípios aprovados pelo IFAP para o ano lectivo de 2011/2012, relativo à continuidade do Programa da Fruta Escolar.
Todo o sermão deve ter inspiração divina!
Numa cerimónia em que o principal convidado, o nosso conterrâneo SE Dr Almeida Henriques, compareceu tarde e a más horas obrigando a que o seu discurso fosse lido pelo locutor de serviço, o Presidente do Politécnico num longo e penoso discurso discorre sobre o papel do Politécnico no ensino e na região para a páginas tantas "anunciar a sua disponibilidade para abandonar o cargo" desde que o IPV se transforme em "Universidade de Ciências Aplicadas, acompanhando a nomenclatura europeia, caso persistam os dois subsistemas do ensino superior, ou passar a Universidade Pública, caso fique só um subsistema".
Ah, passa? E quando?
“O futuro do ensino público na região passa pelo Instituto Politécnico de Viseu”. A afirmação foi feita na passada sexta-feira pelo presidente daquela instituição, no âmbito das comemorações do aniversário do Politécnico.
in Diário Viseu
20/11/2011
Sejam bem vindos!
Viseu recebe de 01 a 04 de Dezembro o XXXVII Congresso da APAVT e pelo que consta graças ao trabalho discreto mas eficaz do Deputado Hélder Amaral que conseguiu convencer os organizadores a alterarem o local previsto a favor da nossa cidade. De acordo com as noticias um sem número de ministeriáveis e outros tantos colunáveis marcarão presença na cidade o que é de registar pela positiva. Anunciados estão já Miguel Relvas na abertura, Álvaro Santos Pereira a encerrar os trabalhos, Cecília Meireles, os deputados Luis Campos
Ferreira (PSD) e Helder Amaral (CDS-PP), a deputada Hortense Martins
(PS), o deputado e
secretário-geral do PSD, José de Matos Rosa, o deputado João Ramos (PCP), o ex-ministro da Justiça, José Vera Jardim, o ex-Secretário de Estado do Turismo, Vítor Neto e claro está o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas. Almeida Henriques se não se perder em outros almoços nem ficar empatado nas obras do IP3 como terá acontecido esta sexta-feira não deixará também de se mostrar por lá além certamente do "manifesto" candidato do PS à Câmara Municipal em 2013. E, se falhei algum nome não foi por má intenção, acreditem... a cidade acolhe bem e todos são bem vindos!
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