09/12/2011

Água mole em quartzo duro!

"Pode-se enganar a todos por algum tempo, pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo..." foi com esta citação de Abraham Lincoln que, há uns tempos a esta parte, se bem estão recordados, o mediático Presidente da ANMP e da CMV se apresentou ao eleitorado, para sem grande esforço face à concorrência, obter a maioria de sufrágio em mais um mandato à frente dos destinos do concelho e vem-me a mesma à memória, a propósito da obra que é, salvo melhor opinião, o retrato acabado do estertor de fim de mandato, em que o actual Executivo Camarário se encontra e que com relativa facilidade se constata no projecto do Museu do Quartzo.

Este equipamento cuja construção se iniciou no longínquo ano de 2006, no Monte de Santa Luzia, junto à cratera ali deixada por anos consecutivos de exploração do mineral quartzo por parte da Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos e, orçado na ocasião em mais de um milhão de euros, no âmbito de um projecto que envolveu o geólogo Galopim de Carvalho, já conheceu ao longo destes anos as mais variadas datas de inauguração, sem que nunca tenha aberto as portas ao público. E não fosse o quartzo o segundo mineral mais abundante da Terra, e não se situasse no longínquo planeta de Saturno o Museu do Quartzo de Ponte da Barca, e “milhões de chineses estariam a passar de olhos em bico aquelas portas franqueadas no Monte de Santa Luzia num vai vir charters” imparável e interminável!
O próprio padrinho do Museu, atrás citado, quase me atrevo a apostar, desconhecerá o ponto de situação deste equipamento que, segundo o Executivo foi "concebido para, numa primeira fase, de âmbito local, servir as escolas da região e divulgar conhecimentos entre o cidadão comum, e (...) numa segunda fase, de âmbito nacional, aspirar a uma colaboração activa com as Universidades e as Empresas interessadas no quartzo como matéria-prima nas mais variadas tecnologias e na eventualidade de previsível sucesso deste embrião de saber, (...) poderá e deverá evoluir para um Centro de Investigação Científica e Tecnológica (...) num investimento que, nesta altura, já rondará um valor distante do anunciado e agora já muito próximo dos 3 milhões de euros.
Face ao especial carinho e atenção que Fernando Ruas tem dedicado à geologia, ainda que nalguns casos em sentido meramente figurado, as expectativas dos Viseenses neste novo equipamento não podem deixar de ser elevadas e, certamente por isso que não deixarão de à curiosidade em conhecer o Museu lhe somar a estranheza de ter “estado quase pronto em 2007”, para posteriormente ser inaugurado a 01 de Junho de 2009, adiada a pompa e circunstância do acto oficial para 18 de Setembro de 2010, marcada nova data para 2011 e nas palavras do Presidente finalmente “em Setembro ou Outubro inaugurar, com toda a certeza, já com todos os conteúdos, o Museu do Quartzo”.
Ora, assumindo que à data da publicação deste artigo de opinião o calendário já registe o final da segunda semana de Dezembro e o relógio — de exacto cristal de quartzo — certo com a hora de inverno, das duas uma, ou as rotineiras agendas anuais produzidas pela Autarquia para programação e calendarização das suas actividades estão erradas ou o Executivo já deve estar bem mais próximo do “Principio de Peter” do que eventualmente acredita estar!
É certo que outros sinais do mesmo tom poderiam ser apontados, como a infindável reinterpretação do Parque da Cidade, o sempre prometido Arquivo Distrital ou os 764.525,21€ atirados rua fora na elaboração do Projecto do Centro de Artes e Espectáculos de Viseu mas, para quem goste de novelas, como parece ser o caso do Dr. Fernando Ruas, esta cena do Museu do Quartzo têm mantido os viseenses presos à esperança de que um dia tenhamos que, em romaria, ir conhecer as diversas formas e tonalidades deste precioso mineral, ali para os lados da Santa Luzia e quem sabe, aproveitar a ocasião para deixar na Capela próxima, uma velinha acesa para que os “próximos” sejam eles quem forem, não “nos enganem a todos todo o tempo”!

(Texto de opinião publicado na edição 508 de 09Dez do Jornal do Centro.)