08/01/2012

Pura ficção... or maybe not!

Naquela primeira manhã de 2012, Fernando Streets acordou bem disposto mesmo sabendo que já só ia estar um ano e tal à frente dos destinos da colectividade local e nem o facto do site oficial ter surgido com as traduções todas “googladas” lhe tirava a bonomia e o sorriso matinal.
Deixava obra feita a tal ponto que até teimavam em o apelidar de Roundabouts, tinha as contas em dia com o Orçamento Zero aprovado e todos os membros do clã reunido em 20 e tal anos de trabalho estavam agora instalados nos principais centros de decisão, tudo precavido e precaucionado para "os dias de chuva" que haviam de chegar.
Nem mesmo os desentendimentos com o seu delfim William Adams o incomodavam e já nem sequer os mais directos opositores lhe tiravam o sono. O John Cross via premiada a sua inércia e em breve rumaria para o estrangeiro aproveitando de mão amiga e dos avisados conselhos da liderança superior da Nação e o outro, também ele Fernando mas de sobrenome Bladder, no máximo o que sabia fazer era abster-se, de modo que não seria por aqui que viria mal ao mundo.
Claro que ficaria atento aos seus críticos mais directos e a uma certa incómoda blogosfera mas para isso contava com a atenção constante das suas funcionárias Goretti Kings e Olivia Lion, além dos “services sur rendez-vous” dos gabinetes dos seus assessores directos para o inteirarem das novidades e um dia, tal como uma certa rádio, haveriam de ter a sua lição, além de que já eram poucos.


O “eterno candidato” ao seu cargo na direcção andava mais interessado em reunir apoios nas hostes para o tudo ou nada em próximas eleições e o Acácio Chick passava o tempo agora empenhado em devolver aos outros as perguntas que anteriormente lhe tinham sido colocadas recebendo a mesma resposta que outrora lhes dera.
O balanço que fazia do ano transacto também lhe dava razões para sorrir. Tinha, ao fim de 2 anos e muita trapalhada à mistura, conseguido abrir as portas do jardim e, embora não tivesse tantos metros de relva como lhe tinham dito, também ninguém se iria dar ao trabalho de os medir. Tinha levado a internet a todas as chafaricas se bem que algumas estivessem sempre de portas fechadas impedindo essa ligação ao mundo mas poucos também se importariam com isso. Tinha trípticamente perpetuado a memória vitoriosa de Viriathus de forma tão grandiosa que se Julius Caesar a visse ficaria com tão invejosa raiva que comeria a coroa de louros. Tinha o seu elevador da glória a transportar a clientela acima e abaixo a custo zero numa factura que outros acabarão por ter que pagar e nem isso lhe retirava o sucesso pois até já tinha saído numa reportagem de uma agência de comunicação francesa o que lhe catapultou o ego para patamares de cota mais elevada que a torre da colectividade, se bem que se tivesse apercebido, na ocasião, que o seu inglês, mercê das aulas particulares, tinha outra proficiência que o seu francês e era capaz de o projectar até, quem sabe um dia, no panorama diplomático internacional.
Tinha ainda um milhão de euros empatados a render juros no banco que esperava um dia recuperar e um acervo de calhaus que ainda acreditava ser capaz transformar num museu e nem os 50 Kms que a pé teve que percorrer na Ecovia tinham custado tanto como a promessa que noutros tempos o fez ir a Fátima… é facto que a Praia ganhou outro destino, que o Salão de Espectáculos também não passará do papel, que muita outra coisa ficará por fazer, que por vezes já se dá conta que a emenda é pior que o soneto mas o que é certo é que apesar de muitos já se arranharem pelo seu lugar ainda não se dava por vencido e a última palavra ainda será sua … afinal de contas, não era ele o Mayor?

(Texto de opinião publicado na edição 512 de 06Jan2012 do Jornal do Centro)