27/02/2012

Porque pagar a água é tão caro!

À atenção dos senhores presidentes de junta, do Almeida e do Moreira

Meus caros,

Aqui em casa só há um militante do PPD e tem as quotas em dia. Na outra casa há mais uma militante e na outra habitação impera o bloco central. Bem sei que as eleições para a concelhia são para discutir o partido mas como em 2013 o senhor Fernando vai gerir o novo hospital de Viseu a eleição para a concelhia, e pela qual fiquei a saber que o Moreira não participa nas atividades do Almeida, revela um protuberante interesse porque é preciso saber se vamos importar um autarca de um concelho vizinho, se o Almeida tem capacidades para ir como vereador ou se o Moreira, per si só, chega lá. Pelo que a modos convém atirar umas ideias sobre o raio deste concelho que tem quase cem mil habitantes, teria a centena certa não fora os de Mundão terem avacalhado o recenseamento e debandado para férias coletivas, e assim peço, de forma inclemente, um olhar para a forma como funciona o atendimento público dos serviços municipalizados e para a maneira anacrónica como cobram a água, quase a fazer lembrar a secretaria de detalhe de um qualquer navio da ditosa Pátria. 
 
Olhando à fatura há logo ali uma série de alíneas que a tonam muito parecida com a da EDP. Mas, o que me chateia, o que de fato me aborrece é que num município que gastou quase duzentos mil a por a internet nas freguesias, com tapetes de rato e autocolantes nas cadeiras e mesas, não haja forma de o cliente pagar a conta no multibanco. Não é com o multibanco, é no multibanco. Depois aquele gasto desmesurado com folha de papel de 80 m2, o corta o fundo e agrafa é surreal. Bem sei que estamos melhor do que quando as importâncias dos juros de mora era manuscritas. Mas que diabo, dois funcionários, caixotes de folhas de papel, esponja para molhar o dedo, agrafador e réguas parecem a secretaria de um amanuense. Já nem peço a fineza de enviarem uma fatura eletrónica, cuja poupança daria por certo para construir o skate parque, mas uma referencia para eu pagar no atm, com o multibanco, a continha era bom, porque senão ora reparem:

- chega-se e espera-se na fila
- chega a nossa vez e a funcionária procura no caixote a fatura
- chega a fatura e a funcionária procura-a no sistema, no computador municipal
- chega a impressão e um tipo paga
- chega o dinheiro a fatura é carimbada e a funcionária volta ao computador
- chega a fatura do próximo mês e é agrafada à que acabamos de pagar
- chega o pagamento e apenas liquidamos a conta de há três meses, perdemos 15 minutos e o município acabou de torrar dois euros para cobrar 13 euros. Apre.

Como vêm caros Moreira e Almeida, ou Almeida e Moreira mas eu prefiro da primeira forma porque o Guilherme estudou no ISCTE e percebe de economia, há tanta coisa onde mergulhar a atenção e embalar o cidadão para uma vida tranquila que não percebo porque andam a debater os debates em vez de debaterem a sério os problemas da cidade e já agora, atendendo ao interesse que a liça está a promover no mundo rural e á intervenção dos órgãos da república (as juntas de freguesia não são um órgão pessoalizado), podiam ajudar a malta a pensar a cidade. Sei lá a modos como fazem na Covilhã ou ali ao lado, em Tondela, que até me parece que tem um autarca que podia seguir o conselho do Relva e emigrar para Viseu para pôr a câmara, e já agora as juntas, em sentido.

Com os respeitosos cumprimentos do

Amadeu Mota Martins Lameira de Diamantino Custódio e Florentino
(recebida por email, leitor identificado)