13/04/2012

Antevisão da campanha rosa!


Texto de opinião publicado na edição 526 de 13Abr do Jornal do Centro

Apesar de mitigada, sempre se vai dando conta aqui e ali que existe vida partidária em Viseu. Após o PSD Viseu nos ter proporcionado um espectáculo pobre em conteúdo, no entanto rico em meias-verdades e contorcionismos variados que, contrariando toda a razoabilidade possível, a militância indígena não teve reservas em validar, eis que chega agora a hora da verdade do PS Viseu. A campanha da tribo socialista está em movimento sendo que até ao momento, seguem o modelo dos seus “irmãos” sociais-democratas. Os candidatos, confortavelmente sentados, usam o mundo virtual e debitam opinião para o exterior. O púlpito é o facebook ou, em alternativa, o blogger. Os políticos locais, apesar de na sua generalidade mal perceberem e pior dominarem o conceito, tentam agarrar a modernidade das redes sociais com as duas mãos. Facto que se torna preocupante numa cidade em que a suposta elite escreve com os pés, ficando assim justificada a falta de ritmo exasperante que povoa todos os seus textos. A ideia de comunicação cara a cara parece coisa do passado e reservada a cavalheiros conservadores versados na nobre arte do debate. Os socialistas devem compreender que será deveras positivo assumir os benefícios que podem resultar de um debate frontal, aberto e franco. E, perguntará o leitor, quais benefícios


 
Desde logo, dão o exemplo de abertura democrática que o PSD não quis ou não soube dar; apresentam os seus ideais a um público alargado e previsivelmente indeciso com a saída de Fernando Ruas; com essa abertura, será mais fácil receber feedback de militantes e eleitores de modo a corrigir possíveis desvios. Por último, e não menos importante aproximam o partido do eleitorado. Ao contrário do PSD, que devido à saída do “Mayor” Ruas terá de ser algo cauteloso e bastante conservador nas suas escolhas, o PS para obter um resultado histórico (desta vez pela positiva), terá de arriscar na acção política, ser ambicioso nos objectivos e inovador nas propostas apresentadas. A título de mau exemplo, permito-me avançar, e sem risco de incorrer em erro de lesa-pátria, que : Se o plano original é José Junqueiro aproveitar a “janela de oportunidade”, o resultado dificilmente deixará de ser desastroso; Uma candidatura encabeçada por Miguel Ginestal será motivo de gargalhada geral; Se são amantes da comédia nonsense optem então por João Cruz, a galhofa assumirá contornos bíblicos. Seja quem for o candidato escolhido terá de apresentar maior dinâmica do que um “político-zombie”. Amigos Socialistas, se para 2013 o objectivo é ganhar, o candidato autárquico do PS terá de ter uma credibilidade absolutamente inatacável. Não duvidem, o PS Viseu tem nomes à altura do desafio!
Para esta eleição concelhia, os candidatos são:
A repetente Lúcia Silva, rosto sorridente da continuidade. O seu discurso de apresentação faz o roteiro da praxe (reflecte sobre o passado mas pouco e projecta o futuro) porém não consegue fugir do tédio dos que já nada têm a acrescentar. Ao percorrer o longo texto da apresentação da sua candidatura não se vislumbra uma ideia nova, um rasgo de génio, ou um apontamento de líder. São uma dúzia de pontos, nos quais a prosa varia entre o blasé, o debitar de lugares comuns e a apresentação de propostas tão simples e tão rápidas de implementar que já poderiam ter sido levadas a cabo no decurso do actual mandato. Em termos de estilo, abusa do tom sacerdotal e, perdoem-me os espíritos mais religiosos a comparação assim como a visada, mas parece ter vindo directamente da sacristia sem contudo revelar quem será o Bispo!? Tal como no beijo de uma freira, sofre de falta paixão carnal, não assume o risco, não sonha, não desperta a paixão arrebatadora dos enamorados. De todos os pontos apresentados destaque para o último, ou seja, a sua preocupação com a definição da candidatura à CMV, contudo sempre com o curto objectivo de não perder por muitos. A candidatura de Lúcia Silva ainda vai a tempo de dar a volta mas para tal tem de arriscar, tem de se libertar de constrangimentos ou ideias pré-definidas para ser capaz de surpreender a militância. O facto é que não pode apresentar mais do mesmo, vinte e dois anos de derrotas infligidas por Fernando Ruas que variam entre escandalosas e vergonhosas, provam isso. O sinal mais evidente de que algo vai mal na candidatura é o facto de o discurso passar completamente ao lado do essencial e não existir nada de realmente novo ou de ruptura com o passado. Aproveitando o tom “pio”, impunha-se uma ida ao confessionário espiar os pecados relativos aos anos de mandato que terminam. Os esqueletos no armário, além de tornarem o espaço da liderança que finda nauseabundo, estão à vista e certamente não será necessário recordar a traição dos eleitos locais. Os cadáveres políticos dos que desrespeitaram de forma grosseira o voto do eleitorado merecem ser enterrados definitivamente, bem como se impõe a realização de um exorcismo de modo a que finalmente as suas almas tenham paz. A sua vida política, de agora em diante, deve descansar em paz no cemitério da indiferença. Se o PS apresentar uma lista com os mesmos nomes, até o Avô Cantigas vestido de laranja, com o seu bigode branco e farfalhudo ganhará as eleições de 2013 e tomará como primeira medida pintar o bigode. Contudo se a candidata Lúcia Silva se penitenciar distanciando-se relativamente aos “Judas”, o povo será sereno e, decerto, a penitência aplicada nas autárquicas será branda. Cara Lúcia Silva, como sabe, os únicos limites que existem são os do próprio cérebro, não se deixe enredar nas teias da política cacique e apresente ideias frescas se quer ser bem-sucedida!
Filipe Nunes, surge como a voz da alternativa, incorpora a mudança e o rosto da juventude. A sua prosa é curta, directa, motivada, focada na vitória autárquica e numa palavra, fresca. Quem afirma - “Queremos que em 2013 a câmara de Viseu tenha um presidente Socialista” – tem de estar disposto a dar uma limpeza geral na mentalidade e nas figuras centrais do partido. A verdade é que dificilmente o PS sairá do poço em que se meteu sem realizar essa ruptura. O problema mais evidente desta candidatura alternativa reside na aparente falta de apoio da estrutura partidária. Todavia, se o objectivo era frequentar os mesmos espaços e ideias do bom velho caciquismo, seria uma atitude mais positiva ter ficado em casa do que andar a perder tempo e gastar cara gasolina a passear de descapotável. É difícil ter um projecto para 2013 quando se luta contra quem vive em 1986. No entanto Filipe Nunes parece saber que o caminho é em frente, e sem complexos deve deixar as suas ideias “saírem do armário” dado que também terá de lutar contra a militância do “carneirismo-seguidismo”. A vida não se lhe afigura fácil, contudo uma vitória sem contar com os “suspeitos do costume” terá valor acrescentado. Em Filipe Nunes poderá estar o click necessário para acender a chama dos militantes e levar o partido, a oposição e a cidade rumo à mudança.
Atenção: Fernando Gonçalves, no Diário de Viseu num artigo intitulado “Duas Listas Candidatas à Concelhia de Viseu” lançou um excelente roteiro de ideias sobre as quais todo o partido deve reflectir.
Cuidado: Tal como no caso do PSD, é visível a falta de uma terceira candidatura que conduza a uma mais clara separação das águas. 
Direita, volver: Uma última referência para o sempre “ignorado” CDS-PP Viseu, que em 2013 pode fazer mossa. Rui Santos já foi directo à jugular do peculiar José Junqueiro e sem meias-medidas analisa a terraplanagem política que, por meio de virtuosa truculência e com oportuna ligeireza, também apelidada de branqueamento, o deputado socialista faz no seu blogue. O CDS-PP poderá ser o pêndulo de 2013. Tal como Hélder Amaral ainda recentemente propôs, o partido deve preservar o seu “espaço vital”, arriscar e apresentar listas próprias. Para aumentar a sua projecção autárquica deverá apresentar um candidato autónomo, centrar-se em meia dúzia de ideias fortes, ter um discurso directo e sem ruído, tudo diferente do “centrão” que tem conseguido ocupar bem o espaço da retórica inconsequente.


Nota: Aceitei com todo o prazer colaborar com o Fernando Figueiredo. O que nos junta é o amor pela democracia, por Viseu e o facto de não estarmos dispostos a fazer compromissos na defesa desta terra. Facto interessante é que tendo em conta que ainda não acertámos um único cenário de opinião… curiosamente também ninguém nos tem desmentido! Miguel Fernandes