25/05/2012

Desabafo à navegação!

Quem me conhece sabe que em toda a minha carreira sempre ocupei mais o tempo com o soldado na parada que com o general no gabinete, apesar de entender que as duas situações são importantes. É no gabinete do general que se idealiza a acção, mas é na parada com o soldado que se faz acontecer, se inspira e se motiva. Fazer acontecer preenche-me mais que ver acontecer, pois é com o Homem que se constrói a Ideia. Vem isto a propósito, e certamente que os mais atentos leitores já o perceberam, do registo mais pausado e reflectido do VSB. São essencialmente 3 as razões porque isso acontecerá , de forma mais notória, de ora em diante, até atingir o equilíbrio e a paz interior tornando-os na rotina que almejo alcançar nesta fase da minha vida.
A primeira razão, de ordem familiar, impõe-me que dedique a meu pai todo o amor e carinho que, minuto a minuto, precisa e merece nesta luta inglória que diariamente trava contra um cancro assassino que velozmente lhe mata a ele o corpo e a mim o espírito.
A segunda, de ordem pessoal, pela sensação que há uns tempos a esta parte transporto da vontade de parar um instante para melhor reflectir a realidade.


Do meu ponto de vista, a espuma dos dias perdeu algum interesse. Sei que não serei tão bom quanto alguns o possam pensar, nem tão mau quanto muitos me julguem ser. Um blog ao fazer cair os posts uns sobre os outros tritura, desgasta podendo dar a ideia, ao leitor ou ao visado, de azedume onde apenas há uma tentativa de leitura critica das situações; facilita a fulanização da critica onde apenas há preocupação cívica com a cidade; ou transmite uma visão pessimista da região onde apenas há intenção de a tornar positiva e atractiva. O VSB, nos últimos anos, tem sido, modéstia à parte, a oposição que falta à governação da cidade (o que é triste ter de constatar), a visão critica e tanto quanto possível isenta e desapaixonada das politicas e dos seus actores locais. Como tudo a realidade mudou e hoje, felizmente, o VSB não está só, e outras vozes tão ou mais atentas, tão ou mais esclarecidas discutem a cidade. Neste caso particular, tenho de destacar, o Olho de Gato ou da Tribuna de Viseu que, com estilos diferentes e tão complementares, vieram preencher um vazio que existia na cidade. Atribuo também mérito aos restantes e àqueles leitores que também o fazem, e bem, nas redes sociais. Por todos estes motivos, não se me afigura critica do meu ponto de vista esta necessidade pessoal que sinto de algum “low profile”. Não entendam esta atitude como desrespeito pelos leitores habituais do VSB cuja “cumplicidade diária” não dispensam ou de os abandonar no vazio silêncio tão ensurdecedor da falta de discussão critica sobre a cidade de hoje, de amanhã ou da urbe onde daqui a uma década queremos educar os filhos, empregar os jovens ou cuidar dos idosos. Trata-se isso sim de evitar que o VSB se possa transformar na Revista Maria cá do sitio ou no mero recorte digital do pasquim da história de faca e alguidar. Também decorrente da razão anterior, é preciso entender que os tempos mudam e o que era realidade quando o VSB arrancou, hoje já não é. A blogosfera local ainda tem a pulsação fraca mas respira consideravelmente melhor. Neste momento o autor deste espaço apenas procura ter cabeça no lugar para que possa ouvir o que o coração nos quer contar, dando tempo ao tempo para repensar com serenidade esta encruzilhada de gentes e vontades que é o nosso concelho e sempre que a ideia se pareça justificar voltar para partilhá-la com os leitores e com os viseenses neste mesmo espaço.
A 3ª e última razão agora esqueci-me dela mas logo que me volte à memória cá estarei para partilhá-la convosco. Entretanto, na "reserva" manter-me-ei activo e prometo não vos abandonar.