27/08/2012

O blog feito pelos leitores!

Andar a pé faz bem

Vai aí um sururu, miserável, por causa da estrondosa medida de condicionar a circulação automóvel no centro histórico. De facto esta medida só tem um problema: a cobardia de quem a toma. A pedonalização do centro histórico devia ser uma constante permanência e não coisa de fim-de-semana. Os senhores das associações da restauração, que deviam preocupar-se com a qualidade da hotelaria e com as esplanadas nas ruas onde eles querem que circulem automóveis, apregoam que é a morte do centro histórico. O fim do comércio. A falência de quem resiste no casco velho. O dilúvio para o miolo da cidade de Viseu. O problema é que um tipo não pode ir passear o filho ao centro histórico porque os carros mal estacionados e a falta de passeios impedem a movimentação de um carrinho de bebé. E não pode ir com s amigos porque os passeios, onde existem, não deixam caminhar 4 pessoas lado a lado. O problema é que um tipo não pode frequentar o casco velho porque se enche de fumo. A falência das lojas do centro histórico existe porque um tipo não pode sair da loja com dois sacos porque tem medo de ser atropelado.

 
E depois, nem quero falhar dos exemplos europeus – basta ir a Guimarães, há o autocarro eléctrico, o estacionamento de Santa Cristina, os edifícios para contemplar e os encantos desta vetusta urbe para apreciar.
Mas acredita alguém, com dois dedos de testa e que esteja na hotelaria para servir bem e não enganar incautos, que as pessoas vão, como se diz, à Sé de carro? Que as pessoas têm paciência para dar três voltas à colina na demanda do estacionamento? Ou que alguém vai ver montras de automóvel?
A Sé tem dois belíssimos hotéis, dois bons bares e um excelso, embora batido, restaurante. Tem outro com deliciosa esplanada mas que precisa de mudar de cozinheiro. E tem vielas, ruas e mística. Que são para ser desfrutadas. Dizer-se que a decadência é culpa do tráfego automóvel, luta de anos, é o mais perfeito disparate. Um despautério que só tem igual na cobardia do poder politica que devia, assim de forma radical e de repente, proibir a circulação automóvel. Cargas e descargas, veículos urgentes e moradores com aparcamento. Tudo o resto devia ir a pé.
Mas enfim enquanto os senhores das associações pensarem que a sé é uma mesa e que é de carro que se vai passear vamos continuar a ficar sentados nas esplanadas a comer monóxido de carbono, a ouvir motores e, na maior parte das vezes, a levar com a inconsciência dos aceleras.
E por mais que apregoem ouçam os clientes. E já agora os turistas. Verão de que lado está a razão.

Augusto Lopes, morador na Prebenda (leitor identificado)