17/08/2012

O porquê das coisas

Texto de opinião publicado na edição 544 de 17 de Agosto de 2012 

Querer alguém ou alguma coisa é simples, não exige muito esforço ou competência, mas para o/a conquistarmos há que trabalhar. Tenho uma série de questões que me fazem pensar que trabalho é um substantivo pouco valorizado pelos nossos representantes. Como o leitor já deve estar curioso, avanço com algumas das questões que frequentemente me assaltam:
Porque razão, em mais de duas décadas a Universidade Pública, o comboio e a Auto Estrada Viseu – Coimbra são ainda hoje meras bandeiras eleitoralistas ou simples armas de arremesso carregadas de hipocrisia e incompetência política? Neste ponto não vamos esquecer que o poder autárquico sempre foi laranja e que tivemos ministros e secretários de estado em abundância... todos do “centrão”.
Porque razão gasta o Município 115.603,86€ na pavimentação de um espaço para estacionamento se, anos antes, para o mesmo terreno havia gasto 764.525,21€ na elaboração de um projecto para um futuro Centro de Artes e Espectáculos? Caro leitor, quando ali estacionar, para visitar a Feira de São Mateus, lembre-se que não é todos os dias que se parqueia a viatura num local em terra batida com o custo ao erário público- palavrão inventado para designar o seu dinheiro, sem o ofender - de quase um milhão de euros e se ao seu lado parquear algum dos nossos políticos da oposição lembre-lhes que as senhas de presença das sessões da Assembleia Municipal não servem só para almoçaradas e petiscadas!



Porque razão durante tantos anos se reclamou da construção do Arquivo Distrital, havendo mesmo ameaças de envio ao poder central da factura da renda, e de repente tudo caiu no esquecimento? É só a crise ou já enviaram a conta ao Governo? E qual o valor estimado da renda? Dá para realizar a obra projectada sem recurso a empréstimos ou será necessário resgatar o milhão de euros ainda depositado no BPP, sem ninguém perceber como nem porquê? E a propósito de dinheiros públicos, qual foi a conclusão do processo relacionado com o desfalque superior a 100 mil euros nos serviços da Autarquia?
Porque razão o PDM anda há uma década para ser alterado, em fase de revisões finais há mais de 4 anos, tendo consumido ao erário público - de novo o palavrão para substituir a ofensa financeira - só em estudos técnicos a módica quantia de 66.480€?
Porque razão o Parque Industrial do Mundão previsto para ter 44 lotes industriais e 29 pavilhões modulares e ainda uma área destinada a serviços (creche, correios, restauração, etc), num investimento de cerca de 100 milhões de euros e criação de 700 postos de trabalho directos, tem apenas 7 lotes ocupados? Na ocasião afirmava-se que “não é só alcatrão" e que este seria um bom ensaio para o Mega Parque de Lordosa. No entanto, 6 anos depois quantas empresas ali se instalaram? Quantos postos de trabalho foram criados? E, o Parque Empresarial de Lordosa, o famoso Tecnopolis, prometido em 2007 já abriu portas? Já agora, o que é feito da Central de Biomassa que a Nutroton-Energias iria construir em Viseu no Parque Industrial de Coimbrões, num projecto orçado em 15 milhões de euros a ser executado até 2012?
Porque razão a extensão de saúde de Lordosa e as USF de Abraveses, de Orgens e de Rio de Loba desapareceram da agenda politica? Será porventura mais importante discutir com o Ministro da Saúde a designação do “Hospital S. Teotónio”?
Porque razão se promove Viseu no Casino da Figueira da Foz sem que a oposição questione quem suporta os custos dos grupos participantes, das viagens, etc? E se o objectivo é o de reatar as ligações históricas e afectivas entre os municípios da Figueira da Foz e Viseu porque raio custa a entrada na noite do Casino 30 euros e destes qual o retorno previsto para a capital da beira alta?
Porque razão é que sete anos depois de prometida aquela espécie de “Fundação de Serralves das Beiras” a desenvolver na Quinta da Cruz nada se sabe dela? E o Centro de Ciência Viva do Museu do Quartzo avançará quando? E o Museu Almeida Moreira fechou portas em definitivo? O Parque Urbano da Aguieira, quantos mais anos vai ter de esperar para ver a luz do dia? E o Aeródromo só se lembram dele em época de eleições? 
Porque razão em duas décadas de apoios financeiros consideráveis a um Clube marca da cidade nunca se traçou como meta a afirmação do mesmo ao nível dos “grandes”? Porque razão ninguém aposta o que se devia no Académico de Viseu sem descurar os demais níveis e escalões do desporto? E o andebol ou a natação que tantas vitórias obtiveram quanto tempo vão ter de esperar para serem reconhecidos também como desporto bandeira do clube?
Porque razão se programam actividades em paralelo para o Centro Histórico numa altura que decorre a Feira de São Mateus? Não poderiam as verbas empregues e os recursos empenhados ser disponibilizados a favor daquele evento que já foi o ex-libris da cidade? Porque não há uma marca cultural permanente da cidade?
Porque razão não há meia dúzia de euros para comprar um par de calças para os Bombeiros Municipais? E a Loja do Cidadão no Centro Histórico é para quando? E o Matadouro Municipal morreu antes de nascer? E a Agrobeira nem passou da infância porquê?
Porque razão Viseu é a cidade com melhor qualidade de vida e os impostos autárquicos se encontram nos valores máximos? Porque não há uma iniciativa com vista à criação de emprego? Porque razão a campanha Viseu somos todos nós, mais tarde passou a uns quantos já são dispensáveis e no final quem se auto-excluiu são os Viseenses que não se revêem neste marasmo?
Etc, etc…
Porque razão se é tão fácil sonhar se torna tão difícil construir o sonho? Como sociedade não temos capacidade para desejar mais e melhor? Como homens de acção, não somos capazes de construir um futuro melhor? Entretanto lembrei-me... O que é feito da oposição? Se as respostas autárquicas serão difíceis de obter… O leitor, por parte de Lucia Silva do PS tem ouvido alguma ideia sobre a cidade? E a propósito, quando é que José Carreira começa a debater a cidade e a mostrar o que vale?
Porque razão me preocupo eu com isto? Porque Viseu pode e deve ser mais do que é. Como tal, não me auto-excluo de continuar esta luta por Viseu, a minha consciência não mo permite.