15/09/2012

Alhos não são bugalhos!

Caro conterrâneo Dr Almeida Henriques:

Permita que lhe enderece uma fraterna saudação. Isto nem parece seu, só a entendo em função da enorme pressão governativa a que tem estado sujeito e a que nenhum cidadão pode ficar indiferente ou devido ao facto, mais próximo, de se saber a 3ª escolha do famoso envelope cá do burgo. Seja qual for a razão, merece a minha solidariedade. Entendo que não é fácil estar em tal situação, pelo que me sinto obrigado a responder-lhe embora tal me obrigue a um exercício de memória pois já lá vai uma década. Amigo AH, haverá quem confunda ouro com urina por mera semelhança de cor mas não é meu caso, tal como nunca misturei desideratos pessoais com missões institucionais. Se o procurei, e em boa hora o fiz, em 2001 foi em razão de uma missão que não era minha e nem sequer da cidade mas sim nacional. Organizar, treinar e aprontar o Batalhão, que foi a maior força que Portugal projectou depois do 25 de Abril fora do território nacional, com destino a Timor para apoiar aquele País na realização das primeiras eleições livres que ditariam a sua soberania e independência como primeira nação do Sec XXI. Facto que nesta nossa cidade de Viseu era oportunidade única e responsabilidade suficiente para que a região e naturalmente a AIRV, da qual o meu amigo era ilustre Presidente, deixassem de dar resposta pronta e afirmativa. E creio que terá sido nessas circunstâncias que emprestou ao Batalhão esse contributo institucional ou será que o fez a titulo pessoal? Acaso lhe pedi algo para mim? Acaso me emprestou algo seu? Tem por hábito pensar o serviço público como coisa sua que se pode emprestar em favor dos amigos? O amigo carece de ética republicana? Não frequentou as aulas todas da Maçonaria?

Ainda assim, na ocasião se a memória não me atraiçoa tive o cuidado de lhe agradecer pessoalmente, publicamente e institucionalmente. Não foi suficiente pelos vistos, pelo que não temo que me caiam os parentes na lama e, aqui neste espaço, reitero o meu muito obrigado pelo serviço que prestou ao Batalhão como era sua responsabilidade e função enquanto Presidente da AIRV.

Sabe que há grande diferença entre servir e servir-se! Servir é um acto nobre que como Soldado procurei sempre fazer na minha vida e creio, passe a imodéstia, que não me sai mal porque o fiz sempre com a noção que servir é um privilégio. Talvez por isso a cidade de Beja onde servi 3 anos da minha vida profissional me tenha brindado com o titulo de cidadão honorário e me distinguiu por unanimidade, do PCP, BE, PS e PSD com a medalha de mérito municipal e sabe que medalhas não se pedem, merecem-se... tal como serviço não se agradece, reconhece-se! Mas já servir-se isso é outra conversa e não se preocupe que não lhe pedirei que como Presidente da AM proponha outra medalha de mérito municipal para a minha pessoa para que daqui a uma década se por cá andarmos ser obrigado a prestar-lhe vassalagem!

Quanto à afirmação de maledicência, caro amigo, dê-se se assim o entender ao trabalho de fazer uma busca no VSB pelo nome de Almeida Henriques. São às centenas os posts e tantas as vezes que laudei o seu trabalho, que o citei e naturalmente que o critiquei quando na minha opinião que vale o que vale, tal se justificava, que seria exaustivo e penoso aqui o referir. E penoso é finalmente ver que quem está na politica há tanto ano se presta a este tipo de argumentação e mais ainda não entende que nunca se diz até sempre... e por isso, aceite se quiser o meu franco até já!