28/09/2012

Hora de fechar contas!

Artigo de opinião publicado na edição 550 de 28 Set 2012 do Jornal do Centro

Se porventura Freud tivesse conseguido ler até ao fim a última entrevista de Fernando Ruas ao Diário de Viseu por ocasião do Dia do Município nem ele conseguiria explicar o indefinível e o absurdo da psique do nosso autarca de todos os autarcas, rei e senhor de infindável obra capaz de ser perpetuada em todas as pedras da calçada por onde ele arrastará penosamente até ao fim do mandato um fundo filosófico tão profundo que até Shakespeare se sentiria obrigado a alterar a tragédia de Hamlet, não fosse dar-se o facto de, tal como o entrevistado, já não serem personagens deste tempo. Mas, o subconsciente não pára, esse sim trabalha e com facilidade nos atraiçoa, e só isso poderá porventura explicar o conflito ideológico que leva Fernando Ruas a misturar Salazar com Putin ao fim de 24 anos de poder, humildemente desprezando a possibilidade de ter o seu nome em cada rua mas voltando daqui a 5 anos para aí sim, de bigode e cabelo brancos, o tentar de novo reescrever na história da nossa Viseu, Senhora da Beira.

Porém, pode partir tranquilamente para os novos desafios internacionais, europeus ou até nacionais que se lhe ofereçam que o mérito já ninguém lhe tira, orgulho inquestionável da família e dos que por cá ficam a trabalhar nas inúmeras empresas instaladas no Tecnopólis de Lordosa, no comércio local da Rua Direita ou a gozar a reforma a banhos pela espantosa praia fluvial do Pavia, factor de afirmação turística da cidade com melhor qualidade de vida a nível nacional. Mas, deixemo-nos de cartas fora do baralho, de desperdiçar pólvora em “lame duck” como dizem os ingleses e falemos de coisas mais fáceis de percepcionar. Falemos de números, daqueles que qualquer um de nós sem tablets nem calculadoras científicas consegue perceber seja ou não um economista de relevo. Ora vejamos, então os cálculos aproximados sobre os custos de oportunidade para uma Unidade de Bombeiros Municipais a 60% dos seus efectivos, considerando o rácio aconselhável de 1 bombeiro por cada 1000 habitantes e a crise que o País vive. Então, se 1 bombeiro na posição remuneratória inicial aufere um salário base de 551€ a unidade custará 396.720€ e se lhe somarmos 1 viatura florestal de combate a incêndios e 1 de combate urbano que podem sempre vir a fazer falta acrescentaremos ao bolo mais 345.000€. Mas como o pessoal precisa de equipamento porque ir de camisa branca de marca para o incêndio até poderá ficar bem ao Presidente mas é pouco eficaz para quem tem por lema trocar suor por segurança de pessoas e bens e como tal, importa acrescentar 500€ em custos de material de protecção individual (inclui botas, casaco e calças nomex, material certificado e conforme as leis comunitárias para este tipo de actividade) e que segundo constou pelos jornais nacionais ainda hoje não existe para a titulo individual para o reduzido efectivo dos bombeiros. Estão a acompanhar o raciocínio? Pois bem, o custo em dinheiros públicos para a situação apontada acima será da ordem dos 800 mil euros! E aqui chegados perguntará o leitor aonde irá Fernando Ruas, o apregoador do superavit orçamental e da boa saúde financeira da CMV buscar o dinheiro? Não sabe? Pois bem, vai ao BPP levanta os 1 224 953,24 € ali empatados e aí tem orçamento para dois anos de exercício. Ah, e depois disso? Fácil, e é uma vez mais uma questão de prioridades. Desiste da carreira de cantor karaoke na Quinta da Malafaia, cobra 0,20€ cêntimos por viagem aos milhares anunciados de passageiros do seu funicular, faz um espectáculo de solidariedade no Centro de Artes e Espectáculos Fernando Ruas com o seu conterrâneo Tony Albernaz e fica garantida mais uma década e ainda lhe sobra uns cobres valentes para dotar o parque de estacionamento da demais vereação com um pilarete “comme il faut”. Ficamos com um corpo de bombeiros bem equipado de meios humanos e materiais, com as florestas mais protegidas, com o ambiente e bens salvaguardados, aproveita para rever o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil a que está obrigado por lei mas que já não faz há um bom par de anos e aí sim, a Assembleia Municipal pode entregar-lhe o Viriato de Ouro e a cidade quotizar-se para lhe erguer gigantesca estátua na rotunda virtual junto à Cava do Herói da Cidade e daqui a 5 anos aclamá-lo de novo nos Paços do Concelho para sua glória e dos nossos filhos viseenses de nascimento! Fiz mal as contas ou é pedir demais?