17/09/2012

Imprime e embrulha, Manuel Silva!

Recebemos o mail que se transcreve na íntegra, de alguém que se subscreve Manuel CR Silva.
“Boa noite Sofia e Paulo Neto:
Li com atençao os artigos da Sofia e do Paulo nas últimas semanas e tornou-se evidente a vossa tentativa de promover a candidatura de Carlos Marta a Viseu, desvalorizando Fernando Ruas. O contraste entre a opinião e o acompanhamento do Prove Dão Lafões e dos Jardins Efémeros foi um sinal mais do que evidente. Mas o editorial do Paulo Neto da semana anterior e o suplemento do Carlos Marta nesta explicam tais posições: é o dinheiro da publicidade. Os impostos dos tondelenses pagam a campanha do Marta para Viseu. Mas vamos ao que interessa: comparar obra e não propaganda.
Viseu, eleita melhor cidade para viver, com um aumento de população de 6,2% entre 2001 e 2011; Tondela, uma perda de população de 7,1%. Viseu, indice de envelhecimento 127,7; Tondela, 230, o mais alto da região Dão Lafões (uma terra de velhos, a perder crianças e juventude). Viseu, taxa de natalidade de 9,4, indice de poder de compra per capita 93,67; Tondela, taxa de natalidade de 5,8, indice de poder de compra de 63,82 (sem crianças e cada vez mais pobre). Mas se se compararem com os dados de Lamego, Mangualde, Oliveira de Frades, etc, Tondela fica no último lugar.
Saúde financeira das camaras: Prazo médio de pagamentos e Taxas de IMI. Viseu, 34 dias; Tondela, 124 dias; média nacional, 122 dias. IMI Viseu, 0,38; IMI Tondela, 0,4 (máxima).
Mais palavras para quê?
Já agora Sofia, não faça 10 likes. Faça 14 likes, tantos quantos as câmaras que pagaram o Prove Dão Lafões do Dr. Marta. E porque não foi convidado o Dr. Almeida Henriques para a abertura? Porque será????
Quanto terá custado o Prove Dão Lafões, em tempos de austeridade? Publicidade regional e nacional...Segundo li, a Fictondela deste anos será a mais cara de sempre? Não há austeridade? Todos poupam, menos o Dr. Marta. Pudera, o dinheiro não é dele.
Os limites de mandatos deviam ser para cumprir para todos. Presidentes de camara, vereadores, deputados, etc. Mas são como as lapas.
Publiquem se tiverem coragem.
Manuel Silva, Viseu”
Li e de imediato respondi, via email, convidando-o para aparecer. Aguardei até hoje uma resposta. Em vão. Entretanto, fui tendo ecos de que este email que era endereçado à Sofia e a mim, havia sido reencaminhado para diversos destinatários, bloggers incluídos, tornando-se assim um manifesto público.
Recebemos amiúde na redacção cartas anónimas. Nunca as publicamos. Esta “carta electrónica” vem assinada e é portadora de um endereço, se bem que virtual. Independentemente do modo, fazendo fé que o emissor existe e é de facto quem diz ser e como a coragem nunca nos faltou, ó Silva, além da publicação da sua “peça”, aqui fica a resposta…

Silvas são como os chapéus… há muitos!
O sr. Silva defende Viseu e o seu autarca num direito que lhe assiste. Porém, o Sr. Silva, para o elevar menospreza outros. É uma técnica pessoal que caracteriza alguns escreventes. Compara realidades distintas e incomparáveis, avocando até a demografia e a natalidade… Mas uma coisa é certa: conhece muito bem “por dentro” os números…
Porém, tece insinuações e considerações torpes acerca do Jornal do Centro. E aí, ó Silva temos o caldo entornado… Que o Silva defenda as suas ideias, damas ou amos, é consigo. Saberá melhor que ninguém por que o faz. Se nós o conhecêssemos também, talvez, percebêssemos as suas razões. Mas o Jornal do Centro…! Francamente… Ó Silva, a comunicação social incomoda muito parasita. É verdade. Mas o Silva nem será desses… A comunicação social que alguns autarcas querem ver calada (felizmente cada vez menos), vivendo melhor num mundo de subserviência e lambujice, vive hoje da publicidade. Vive das assinaturas dos seus fiéis leitores. Vive de muito trabalho, empenhamento e sentido de missão. Por isso, ó Silva, quando qualquer autarca faz um suplemento de publicidade, o Jornal do Centro cumpre o seu papel de publicitar aquilo que foi acordado com a direcção comercial. O Jornal do Centro não vive de subsídios como muitos “satélites” e proxenetas do poder, local e central. Vive de trabalho e rigor.
O Jornal do Centro há mais de 10 anos que tem a coragem de informar sem andar de espinhela caída e cangote no cachaço. Sabe, Silva, o homem demorou milhares de anos a tornar-se erecto. Sabe o que isso significa? O Silva, por sua própria iniciativa ou a mando de alguém, está a fazer o seu trabalho. Sabujo. De tentar desacreditar quem o incomoda ou aos seus “bosses”. Conhecemos o sistema. Chama-se contra-informação. O Hitler tinha técnicos competentes nessa área.
Ao defender tão sentida e extensivamente o autarca local, até o deixa mal. Fragiliza-o. Porque os mais incautos poderão acreditar que foi a rogo de alguém esta sua abrangente e luminosa iniciativa. Nós sabemos que o edil em causa não atira pedradas. Manda atirá-las. Mas tem bom senso e nunca agiria desta forma vergonhosa, honra lhe seja feita, que lhe é devida. Quanto ao SE Almeida Henriques, não o envolva citando-o, porque lhe está a fazer um péssimo serviço. E ele não merece. Ou é, também, propositadamente?
Refere-se a um evento do qual eu, pessoalmente, não fui adepto por motivos diversos e internamente discutidos. Mas foi vastamente noticiado e gabado por vários articulistas. Quer que lhos cite? Fernando Figueiredo; Miguel Fernandes; João Paulo Rebelo; Alexandre Azevedo Pinto, Maria da Graça Canto Moniz, Margarida Assis, etc. A Emília Amaral e o Tiago Pereira, da casa, escreveram artigos sobre esse evento… Ó Silva dá-mo o direito a ter gosto pessoal e opinião própria? E não apreciar o evento, não significa um “parti-pris” contra quem o organizou, cujo trabalho respeito, ou contra quem o patrocinou, que me merece consideração. Leu algum artigo meu a dizer mal do evento? É um apreciador do unanimismo? O Silva gostou do evento ou gosta apenas de quem o promoveu?
O Silva parece ter “azia” ao autarca de Tondela. Ou medo dele. Lá saberá porque o teme. Porque não vai pessoal e directamente resolver os seus problemas com ele? Há pessoas que incomodam. Alguns até pelo simples motivo de fazerem obra irritam quem não a faz. Eu, pessoalmente, respeito todos os autarcas do nosso distrito. Sou amigo pessoal de muitos deles. Há muitos anos. Admiro-lhes a competência e a obra feita. Às vezes, com imenso sacrifício, abnegação e imaginação. Mas sabe, apenas estive pessoalmente com o autarca de Tondela uma vez. Uma vez, ó Silva… e acompanhado de outros autarcas e individualidades. Não foi conjura, nem tão pouco o 1º de Dezembro…
O Silva, quando quiser dar o rosto, pode escrever directamente a sua opinião no Jornal do Centro. Poupa energias e é mais abrangente. Além disso, toda a gente fica a saber quem é o preclaro, e deste modo a respeitá-lo muito. E quem sabe, se ainda não arranjou o “lugarzinho”, talvez perante o denodo da pugna, ainda haja uns meses para lho garantirem?!
Mas, ó Silva, não seja como alguns indivíduos que se escondem atrás desta espécie de anonimato por desrespeito pelo próprio nome, pela falta de hombridade, pela ausência de coragem e não assunção do que dizem e do que escrevem, pelo défice de verdade, etc.
Ó Silva eu nunca ousaria pensar, tão pouco os nossos leitores, que o cavalheiro é daqueles cobardes canalhas que atacam com a perfídia, a vileza, a adagazinha de eunuco, pelas costas, a troco de 30 dinheiros… Deus nos livre!
Passe cá pela redacção, não se preocupe com a fotografia que nós tiramos-lha no momento, e veja quanta isenção e rigor existe nesta casa. Quanto aos artigos de opinião, o Silva saberá tão bem quanto nós, que num estado de Direito e Democrático, os cidadãos são livres de ter opinião. E sabe ainda que mais? São livres de a expressar, sem antolhos, que são para as mulas não se desviarem do caminho que o carroceiro lhes traçou. Essa é uma das razões de ser e orgulho do Jornal do Centro, que o Silva está empenhado em vilipendiar.
Coragem, Silva, que não dói…!
Cumprimentos,
Paulo Neto.

Post scriptum… o mail do Manuel CR Silva trazia o seguinte título/assunto: “Ruas versus Marta”, que o mesmo é dizer, sem o latinório, Ruas contra Marta. Estamos falados!