12/10/2012

Diz-se que disse!

Texto de opinião publicado na edição 552 de 13Out do Jornal do Centro

Os tempos que correm cá pelo burgo têm sido férteis no diz que disse. Diz que disse que no “mamarracho” da Segurança Social a “limpeza” foi de alto a baixo embora, e outra coisa não seria de esperar, tudo feito com a maior transparência e com base na imprescindível meritocracia que se junta aos habituais cartões de militante e silêncio da oposição. Oposição, que sobra, vive perdida entre destroços irrealistas ou quiçá demasiado idealistas, que levaram recentemente à demissão de José Carreira no CDS Viseu o que deixa Hélder Amaral a pouco menos de um ano em maus lençóis. No PS Viseu, a espiral negativa é reflectida nos jogos de bastidores dando como certa num periódico da cidade a candidatura de José Junqueiro. Noticia feita, também ela, com base no diz que disse e que alguém terá dito para dizer que não disse mas no entanto seria bom que se dissesse, colocando-se também esse tipo de imprensa no mesmo patamar de vacuidade da oposição, que só acrescenta ruido à discussão politica que se quer liberta deste tipo de espuma e se deseja confronto de ideias que não de pessoas. Desta forma, José Junqueiro ficou com o pretexto de colocar-se de fora mantendo-se dentro e Lúcia Silva mostra que a suposta cabala de que se queixa ser vítima é filha directa da sua própria falta de liderança. Inspirado em Vladimir Putin, Fernando Ruas, preocupado com tanta falta de afirmação por parte de quem com seriedade e competência possa reinaugurar a esperança dos viseenses, predispõe-se a deixar tudo como está para daqui a quatro anos voltar a ser dono e senhor da vontade dos viseenses. Hugo Chavez não lhes chega aos calcanhares!

No diz que disse, Ruas já não esconde o ressabiamento de ter que largar o estatuto de rei da Praça da República nem a ausência formal do convite para novo desiderato de poder. Já Lúcia Silva isolada e mal aconselhada com o assessor do Largo do Rato, com os jovens Jotas e os velhos que levaram o socialismo ao restelo, acredita que a sua teimosia inabalável será condição suficiente para fazer do nada surgir o candidato credível, “independente” e dinâmico que abafe de vez o telemóvel do Fernando Cálix cheio de contactos do ex-assessor do “filosofo parisiense” e lance o partido numa onda vitoriosa pelo concelho ganhando no mínimo o dobro das juntas de freguesia das que agora detém. Resta-lhe, se preza o partido e a cidade seguir o exemplo de José Carreira.
Perdidos nestes jogos absurdos de poder a oposição já nem respeita o voto dos eleitorado que os indicou para fazerem o escrutínio sério do poder e apresentarem propostas que contribuam para uma melhor qualidade de vida do cidadão, para combater o terrível flagelo do desemprego ou para a nível local ajudar a combater esta malfadada crise que mês após mês nos consome o espírito e os últimos cêntimos.
Do lado do PSD diz-se que Almeida Henriques sairá do Governo quando o problema terá sido, na minha opinião, ter ido para lá, e que será uma boa solução para Viseu numa lógica algo estranha que não serve para o nacional mas ajusta-se ao local ou melhor dizendo, dá-se aos outros o que não serve para nós. E diz-se muito que Marta, o terrível marcador de golos ao Benfica nos áureos tempos do Académico está desejoso de entrar em campo do mesmo modo que Fernando Ruas aguarda oportunidade para o rasteirar mesmo correndo o risco de grande penalidade para o concelho onde ele é também o amigo do árbitro escolhido em qualquer uma das suas 32 alinhadas freguesias.
É claro que muita água passará pelo inquinado Pavia e até a situação difícil que o País atravessa fará perder no cotão do tempo todos estes rumores do diz que disse que ninguém diz mas que muitos querem que se diga, mas até lá, ao invés de se discutir seriamente os reais e graves problemas concelhios e nacionais diz-se o que não se disse. Ao invés de discutir a inutilidade de uma Assembleia Distrital, a extinção ou agregação das freguesias urbanas, a reorganização das rurais, diz-se que disse num estudo encomendado que não se diz mais do que se disse na Lei que ninguém quer ver aplicada nem discutida convenientemente não vá alguém se lembrar de “mexer no meu quintal” e perder a bacoca dimensão do poder.
E, enquanto andam entretidos nestes mesquinhos jogos de poder onde os fins parecem justificar os meios ninguém dá conta que houve um “assalto ao Arranha Céus”, que a despesa pública não diminui, que o progresso desapareceu da cidade e que o horizonte já mostra nuvens negras da borrasca de sacrifícios e impostos que se aproxima.
Ao invés de se discutir como revitalizar as cada vez mais desertas áreas industriais que se juntam ao já depauperado comércio do centro histórico, diz-se que disse que o Hélder vai acabar por empurrar o Luís Caetano ou apostar tudo nas coligações a troco de um lugar de Presidente da Assembleia Municipal. Ou que o Américo Nunes avança contra tudo e contra todos já no inverno e de guarda chuva na mão mas que o José Alberto Ferreira pode ser a bomba que todos conhecem mas ninguém esperaria. Que o José Costa, candidato sem nunca o ter sido, cala-se pelo lugar de Presidente do IPV e que o PS não tem quem escolher desde que o Gualter Mirandez recuou e o Cálix não se calou. Que ao PSD não faltam nomes, João Cotta, Telmo Antunes, Mota Faria e até em jeito de graça não fosse trágico o cenário se diz que disse que o Guilherme Almeida ganhará ao José Junqueiro, que acabará por ter que ser candidato sem o saber.
Muitos quês sem porquês, neste diz-se que disse onde percebida a tormenta que por aí anda e pior se adivinha, o importante é o lugar, o cargo, o tacho e não o concelho, a cidade ou as suas gentes. Neste nevoeiro denso que por aí se espalha todos esperam que o D. Sebastião acabe por aparecer no lugar do D. Duarte em pleno coração da cidade dando nova esperança aos viseenses e novos tempos ao tempo.
Se é assim ou não, não sei mas diz-se que disse e se disserem que eu disse, fiquem sabendo que, sim disse!