13/10/2012

Não toquem no meu quintal

A Assembleia Municipal pronunciou-se esta tarde sobre a reorganização territorial. A discussão ao que parece teve por base o estudo do IPV e como tal pouco seria de esperar desta Assembleia que extravasasse os dois cenários de redução ali propostos e acabou por aprovar, com 40 votos a favor, 16 contra e 3 abstenções, a redução do número de freguesias do concelho de Viseu passando de 34 para 25. A proposta aprovada, foi a apresentada pelo PSD e prevê a agregação de Coração de Jesus, Santa Maria e São José, a agregação de Repeses e São Salvador, a agregação de Couto de Cima e Couto de Baixo, a agregação de Fail e Vila Chã de Sá, a agregação de Barreiros e Cepões, a agregação de São Cipriano e Vil de Soito e a agregação de Boaldeia, Farminhão e Torredeita.
A cidade ficará com uma junta de dimensão da cidade pelo que será engraçado no futuro verificar onde acaba o Presidente da Câmara e começa o da Junta e vice versa além de que se a esse universo se aplicar o actual sistema distributivo será mais lucrativo ser Presidente de Junta da cidade que Presidente de Câmara a que corresponderá ainda por cima menos responsabilidade. Porque não extingui-las? Quantos dos viseenses se deslocam hoje em dia à Junta de Freguesia para tratar assuntos seja do que for? 
Esta realidade das freguesias que, imaginem lá até o conservador BE Viseu pretende manter, não tem paralelo a nível da Europa ocidental e a história mostra-nos que estes organismos de pequenas circunscrições, abrangendo escassa população, são ainda resquícios dos regimes autoritários. No Portugal do Estado Novo, o homem do regime, o regedor, encontrava-se presente junto das populações. Certificados de pobreza e atestados de residência eram o paradigma de uma teia burocrática que impunha a sujeição dos fregueses à respectiva junta. Pelos vistos, é neste paradigma que Governo e poder local se querem de novo afirmar!