16/11/2012

Vai uma aposta?

Artigo de opinião publicado na edição 557 de 16 Nov 2012 do Jornal do Centro.

Miguel Sousa Tavares, na sua última crónica de opinião, no semanário Expresso, afirmava a rematar que (...) “por pior que seja a opinião sobre o Governo de Passos Coelho, não há, entre os portugueses, nenhuma pressa ou desejo intenso em vê-lo substituído por um de António José Seguro: acreditem que não há.” Acontece que se conhecesse a ideia que um outro Miguel, este mais concelhio e menos aconselhado, vincula na 5 de Outubro, junto dos apaniguados das outras duas famílias que com a dele, e para infortúnio dos socialistas, constituem o PS Viseu, por certo que não se atrevia a dar forma a tais palavras. Não o posso assegurar, como calculam, mas atento à postura da oposição, cá do burgo, é altamente provável que nesta fase esteja melhor definida a lista dos futuros candidatos a deputados do que o nome a apresentar para candidato à cadeira de Fernando Ruas.
A prova mais recente e evidente desta possibilidade deriva do facto de numa semana em que a oposição deveria ter colocado ao Executivo a necessidade de clarificar as noticias vindas a público sobre situações de concursos públicos viciados ou de escolas com deficiências na alimentação a crianças nem uma linha ou um minuto perderam com tal exigência política, cívica e até moral. O vazio e inércia, que Lúcia Silva criou na concelhia, foram aproveitados pelo candidato a candidato Fernando Cálix, ao questionar, ainda que sem legitimidade politica mas como cidadão, essa mesma realidade. Num momento de lucidez, Cálix, encostou literalmente a líder concelhia às cordas obrigando-a a definir-se quanto às suas escolhas, se é que as tem, sobre as próximas autárquicas. Isolada a nível distrital onde terá sido politicamente humilhada, ignorada a nível concelhio onde cada intervenção pública só serve para demonstrar a sua total inépcia política, Lúcia Silva já nem chega a ser a aplicação prática da Lei de Murphy pois há muito que ultrapassou o seu limiar de incompetência. Para lhe dar resposta, o que diz bem do seu valor como líder partidária, vem a terreiro o seu adversário político de igual dimensão e valor, Guilherme Almeida. Fernando Ruas, conhecedor da postura amorfa da vereação da oposição que Lúcia Silva deveria coordenar, ao dar resposta pela voz de um fraco subalterno consegue menorizar e até nalguns casos ridicularizar a intervenção opositora. A actual líder que já no mandato anterior viu os seus vereadores desertarem um após o outro e em campanha se mostrou com disposição para cortar com esse passado, mas que no presente acolhe os mesmos conselheiros mais preocupados com a manutenção de certos status quo do que com o dever de servir os cidadãos e viseenses, tem esquecido a necessidade de acompanhar, criticar e propor alternativas à gestão municipal. Uma oposição muito fraca, quase inexpressiva, inevitavelmente resulta em pouca fiscalização e acompanhamento sobre o que o Executivo faz ou deixa de fazer. Esquece-se ainda Lúcia Silva que o esvaziamento da oposição tende a unificar o discurso político, acabando com a necessária representatividade. Tal facto será mais gravoso para Viseu tendo em conta o que acontece no momento com o CDS Viseu. A democracia é o contraditório, já Lúcia Silva é apenas contradição! Uma oposição fraca só contribui para sustentar e manter um fraco Executivo, este último mandato de Fernando Ruas faz prova disso. Como poderia ser o melhor de sempre se a líder da oposição simplesmente não existe politicamente? Só um milagre fará com que este mandato de Fernando Ruas seja de facto o melhor, mas quase apostaria que só a hecatombe que se avizinha nas próximas autárquicas mostrará aos militantes e aos viseenses o valor desta liderança de Lúcia Silva. O que diz o meu caro leitor, vale a aposta?