28/12/2012

Regime velho… Bom Ano Novo!

Texto de opinião publicado na edição 563 de 28 Dezembro de 2012 do Jornal do Centro

Ao contrário das previsões o Mundo não acabou dia 21, do Natal fica memória da festa em família, bem como os restos de 2012 da mirra do Gaspar, resina antiséptica para acabarem de nos embalsamar no "annus horribilis" que se avizinha e cuja novidade esperançosa residirá na certeza de finalmente Fernando Ruas, continue ou não a pintar as pilosidades faciais ou o escalpe, deixar de se preocupar com ajudas de custo, festas na Malafaia e rotundas ajardinadas! Se o ano transacto também não deixa saudades, 2013 não adivinha coisa boa. As causas perdidas ou sine die adiadas da instalação da Universidade Pública; da Auto-Estrada portajada (nem assim?) Viseu x Coimbra; a linha ferroviária, uma ligação directa às linhas do Norte e da Beira Alta, bandeiras que têm sido erguidas em prol do desenvolvimento da região, ou promessas de campanha como o Centro de Artes e Espectáculos transformado num dispendioso parque de estacionamento, 23 anos em que a cultura perdeu sempre para o betão; a praia fluvial do Pavia ainda por despoluir; o Tecnopólis de Lordosa, versão Silicon Valley beirã; a espécie de Fundação de Serralves da Quinta da Cruz, são outros dos exemplos do que ficará por fazer e nos custará caro durante largos anos. 
Claro que muitas outras realizações foram conseguidas, não haverá na cidade quem possa ficar indiferente ao tríptico típico em azulejo, bem demonstrativo do rude gosto de Zé Cesário e que Ruas perpetuou, no mural a Viriato, como prova do desempenho do caixeiro viajante da diplomacia tuga junto das comunidades lusas que soma milhas infinitas graças ao seu PSD cacique check in de longos anos, ou do imenso orgulho de a Nação saber-se nada em Viseu na figura de D. Afonso Henriques, cidade com melhor qualidade de vida para se viver e que só graças à resiliência e estoicidade histórico-intelectual do ainda Edil da nossa cidade foi possível confirmar a tal ponto que manuais escolares e toda a história pátria não tardarão em breve a ser reescritos, aposto! Desviei-me do tema apenas para dar nota positiva não vá Almeida Henriques porventura ler esta crónica no blog Viseu, Senhora da Beira e comentar que me sobra em maledicência o que lhe falta a ele em capacidade de aceitar a critica ou vá lá, para ser mais optimista, em concretização efectiva das promessas eleitorais que deixou na ultima campanha e que convêm que se lembre antes de afirmar a sua protocandidatura a par da promessa de auditoria à CMV. José Junqueiro, o outro quase certo candidato que não fique a esfregar as mãos porque foi preciso o seu discípulo conquistar Mangualde para ali fazer a praia, obra privada que mete água pública, já que ele enquanto Secretário de Estado nem um porto ou marina sequer mandou construir no Pavia… ou seja, todos juntos só justificam o lugar comum de dizer que “Viseu não tem capacidade de lobby”. Uma frase construída ao longo dos anos, à medida da sua incapacidade, enquanto a região ia sendo sucessivamente preterida quando estavam em causa grandes investimentos públicos, alguns perdidos para cidades como Covilhã, como bem se recordará o leitor. Terá sido em razão de “falta de peso do poder político”, de “qualidade” de muitos dos seus intervenientes ou resquícios do estigma salazarento de nada fazer pela terra não vá dar-se o caso de os demais criticarem?
A culpa, dirão outros, reside na ausência de conjugação de esforços, com os vários interesses a remarem em sentidos contrários, até a “um certo provincianismo” do sector empresarial, mais interessado e preocupado em gerar riqueza, com o mínimo investimento ou compromisso, do que em fazer lobby junto das entidades públicas ou à incapacidade de Viseu se afirmar como capital de distrito.
O desenvolvimento de uma região depende muito da sua capacidade de lobby. Nas sociedades democráticas é legítimo usar o lobby para a defesa de interesses junto do poder político. O lobby é uma ferramenta de gestão vital para as regiões, não só junto da Administração Central, mas também no plano internacional mas por cá, ainda fazemos lobby de forma muito “caseira”. Faz-se essencialmente através dos conhecimentos pessoais, muitas vezes ligados aos partidos, tem má conotação, sendo muitas vezes confundida com tráfico de influência, para ser simpático na expressão.
Atente-se no número e nome dos ministeriáveis e outros influentes decisores e conselheiros governamentais e logo se perceberá que se Viseu hoje é referência nacional, também com tal influência poderá ser palco de afirmação internacional. Viseenses de gema ou paraquedistas de eleição, do PS ao PSD já Viseu teve e tem tido na governação do País. Só para recordar alguns nomes, relembre-se Falcão e Cunha, Dias Loureiro (ui… desculpem!), Correia de Campos, Jorge Coelho, José Luis Arnaut, etc e seria exaustivo citar aqui todos os ex-governantes ao longo destas últimas três décadas de democracia. Um ou outro por excepção pouco fizeram ou fizeram mal como o caso de Figueiredo Lopes que prometendo o Centro Nacional de Operações de Socorro alternativo para Viseu o localizou em Santarém e salvar-se-á porventura Manuel Maria Carrilho com o Teatro Viriato, razão que lhe permite ainda hoje estacionar a sua viatura em segunda fila cada vez que visita a cidade. Tudo o resto é miragem… assim que chegam a Lisboa rapidamente se deslumbram com as luzes da capital. Que o diga o Álvaro Santos Pereira que no último Natal veio cá prometer a auto-estrada antes do final do seu mandato mas que tão empanturrado anda de pasteis de nata de Belém que já nem dos Viriatos se deve recordar. Só a esperança de um dia termos Fernando Ruas como ministro poderá quebrar esta maldição de falta de afirmação da região, sendo que nem ele em duas décadas de mandato conseguiu quórum suficiente para reunir a Assembleia Distrital e, gizar em conjunto de esforços uma estratégia de desenvolvimento da região no todo nacional. Sós mas alegres assim continuaremos por mais uns tempos… mas que pelo menos 2013 traga aos Viseenses a saúde que todos merecem, a felicidade que todos almejam e a consciência que é com o seu voto que muito deste salarazento síndroma poderá ser mudado! Faço votos também que assim seja!

PS: Fernando Ruas na última AM afirmou que “há por aí um qualquer Coronel na Reserva que podia ser Comandante dos Bombeiros”. Ora, como só conheço dois nesta situação e ambos curiosamente colaboradores deste Jornal e como não se tratam de uns quaisquer, Fernando Ruas ou deixou de tomar a medicação matinal ou anda mal informado. Até porque se assim não fosse e pelo desinvestimento que fez nos Bombeiros tem a corporação reduzida a menos que uma Companhia e como é doutrinário, Coronel só comanda Regimentos. A ignorância de Fernando Ruas em matéria de Protecção Civil já é conhecida, mas escusava de tornar pública a mesma em assuntos do foro militar. Ainda assim, se precisarem da minha ajuda e passe a imodéstia sinto-me capaz de lhe dar algumas dicas sobre protecção civil, ensinamentos estes que lhe seriam uteis para apagar o fogo que deixa instalado na CMV e no concelho com a sua saída, já o seu caciquismo é deixá-lo arder!