24/01/2013

Hélder Amaral, este é o momento?

Artigo de opinião publicado na edição 567 de 24 de Janeiro de 2012 do Jornal do Centro

A crise seria suficiente para tornar 2013 num ano agitado, mas a recente entrada em cena do candidato José Junqueiro, pela mão do PS de António José Seguro e contra a vontade do PS da dupla Ginestal-Lúcia, à CMV na semana passada, fará com que a vida política local comece a animar ainda neste mês de Janeiro. Nos alvores deste ano, Junqueiro tem o mérito de colocar o tema adormecido das Autárquicas na ordem do dia. Para início de campanha, o candidato, surpreendeu pela positiva através da forma simples, elegante e directa como desvalorizou o caceteiro ataque inicial da concelhia do PSD assinado por Guilherme Almeida, líder laranja do qual pouco mais seria de esperar. Sem poder contar com grande ajuda da parte da estrutura local, por declarada incompetência dos seus membros e total inaptidão política para operar dentro de uma ética republicana, estando mais adaptada à manutenção cega dos interesses instalados do que à promoção de uma alternativa séria de oposição, Junqueiro terá que continuar a surpreender pela positiva, com novas ideias e novas pessoas, a elas associadas, que sejam capazes de apagar os ódios fantasmas ou rancores políticos mais acesos e trabalhar em prol da cidade. 
A nível nacional, o candidato socialista goza de um grande mediatismo, que nem mesmo o proto-candidato Almeida Henriques consegue igualar, e terá presente que mesmo no pior cenário o PS sempre garantiu, num concelho vincadamente de direita-conservadora, uma votação da ordem dos 25% e pontualmente, em conjecturas favoráveis, aproximou-se dos 39%. Não estando o principal congregador de votos local na liça, o PS terá uma boa oportunidade para reforçar a sua melhor votação. No PSD reside a dúvida se o valor político de Fernando Ruas levará a que a escolha, do adversário laranja de Junqueiro, se faça em Lisboa ou seja deixada ao critério do actual Presidente que no caso, não deixará que nenhum pingo de racionalidade impere na hora da selecção. Se a opção for local, escolherá o mais fraco e muito provável único nome do envelope, sendo certo que condicionará, com a sua presença, toda a campanha de Américo Nunes, para garantir que Junqueiro possa nesta candidatura ter a sua janela de oportunidade, aquela que lhe abre os horizontes de Bruxelas mas não os da Praça da República. Se a opção for nacional o mais provável é que o nome apontado seja o de António Almeida Henriques, um homem com mais peso político e, provavelmente, com uma outra visão sobre o concelho relativamente ao actual Vice mas, seja qual for a opção, a estrutura do PSD não parece ter capacidade para apresentar um projecto novo sobre Viseu e esta será a vantagem de quem corre por fora.
Neste momento existe uma dúvida que ainda pode alterar alguma coisa neste tabuleiro e reside no CDS-PP. Sobre a direita conservadora já escrevi nestas páginas, na edição de 18/05/2012, em conjunto com o Miguel Fernandes, e a análise então feita não pode sofrer grandes alterações, visto que o CDS continua na mesma. Nessas linhas lembrámos os “anos dourados conservadores” do Engº Engrácia Carrilho, que deixou uma cidade com futuro, viabilidade e vitalidade ao seu sucessor. Desde esses anos até este momento o CDS tem vindo a perder o seu espaço. Mais recentemente, em 2009 com a candidatura de Mendes da Silva o espaço político à direita arejou, mas o projecto, vítima do imediatismo dos resultados, não teve continuidade. Quem ficou a perder foi o partido, a oposição e em última análise a cidade. E aqui chegamos ao dia de hoje. Uma outra alternativa porventura algo reclamada de “independentes” não se vislumbra mais não seja pela blindagem que a Lei Eleitoral impõe, obrigando à mobilização de um maior número de proponentes que eleitores teve o CDS em 2009. Assim, em 2013, o CDS, tem uma oportunidade para se reposicionar no tabuleiro político local, afastando-se das políticas até agora seguidas, diferenciando claramente a sua proposta das alternativas, avançando já com um conjunto de ideias e só depois dar a conhecer as caras que representam a sua solução. Com o PS encabeçado por José Junqueiro, o PSD indeciso entre escolher um mal menor ou alguém que garanta que o lixo que se acumulou debaixo do tapete não cheire muito mal, não tendo até ao momento um candidato declarado as opções do CDS, parecem passar por Hélder Amaral, pela repetição de candidaturas anteriores ou até por uma candidatura aberta à sociedade com uma forte representação de independentes. “Neste momento resta ao CDS escutar e compreender a sociedade civil e avançar a todo o gás”, dizia no texto de opinião de Maio e passados largos meses continua a perder terreno tanto para quem exerce o poder como para quem já está na corrida. Agora que começa a ficar tarde, concluo como terminei o citado texto, e agora CDS? “Vão reorganizar-se, vão fazer das fraquezas forças indo ao encontro da sociedade civil para ai recrutarem novas ideias e novas gentes que ajudem a pensar diferente a cidade? Vão celebrar um alargado “contrato social” com os Viseenses ou decalcar em coligação a “partidarite do caciquismo” de Ruas? Vão pensar no longo prazo ou dar-se por satisfeito com o presente próximo que apenas serve para contabilidade imediata?”. Para pescar neste inquinado lago laranja é preciso pôr lá os peixes e aclarar a água para um azul transparente porque com uma centena de militantes dos quais nem meia dúzia activa, no futuro, poderá levar a que o CDS Viseu deixe de ter representação parlamentar. O caminho, mais seguro, passa por trabalho e pela garantia de 4 anos de dedicação e empenho para com os viseenses e o concelho.
Como é que vai ser, Hélder?