11/10/2013

Viseu visto da campanha autárquica!

Texto de opinião publicado na edição 604 de 10Out de 2013 do Jornal do Centro

Embora, honra lhe seja feita, o director deste jornal não tivesse solicitado mas, devido a ser candidato independente pelo CDS-PP à Assembleia Municipal, no decurso da campanha entendi, por bem e em nome da igualdade de oportunidades, interromper este espaço de opinião. Retomo-o agora embora sabendo que muitos dos leitores me passarão a ler de forma diferente apesar de a única coisa que tenha mudado em mim é a maior responsabilização para com o eleitorado que entendeu dedicar-me essa confiança e a experiência adquirida, na campanha, de que Viseu é mais do que o Rossio.
Vi um concelho onde muito foi feito e outro tanto ainda está por fazer. De um lado a freguesia com os caminhos florestais alcatroados mas onde as gentes já ali não residem, excepção feita a 3 idosos isolados à espera do regresso dos filhos emigrantes nas férias do próximo ano para de novo lhes darem vida, e no outro a freguesia com gente mas aonde o saneamento básico ainda não chegou às suas portas. De um lado a inauguração da não concluída “Serralves” da Quinta da Cruz e um quilómetro abaixo, às portas de Viseenses, um rio cheio de dejectos (a palavra ajustada seria outra, mas a educação impede o seu uso) preenche os seus Verões há mais de uma década. De um lado zonas industriais sem indústria ou emprego e do outro cheques oferecidos no adro das igrejas. Muita requalificação, boas acessibilidades, melhores serviços de proximidade, bons projectos urbanísticos, turísticos ou empresariais, é certo, mas também muito caciquismo, muita política baixa, muito medo de assumir a mudança, o que diz bastante sobre a cidade com melhor qualidade de vida de acordo com a Deco.
Terá sido esse o motivo pelo qual muitos viseenses decidiram não votar e de se abster de reclamar a sua quota na participação política? Estas eleições autárquicas parecem ter sido um gato por lebre da política – muitos não atenderam às escolhas, às equipas e aos programas e olharam-nas como se fossem eleições legislativas. Não tardará estarão a aproveitar as legislativas para outras encomendas e represálias - como se fossem autárquicas. E não passamos disto, desta incapacidade de estar no local à hora combinada. O mérito e o demérito político coexistem como um matrimónio feito num oito desde a primeira hora. O cidadão vota, mas uma vez pensa com a barriga e noutra com o coração e a maioria abstém-se porque ainda tem saudades de um outro tempo (atenção! não disse senhora). Tenho alguma razão ou não? Enquanto os cidadãos não acertarem as agulhas da sua presença política, vão andar sempre a correr atrás do prejuízo. O cidadão tem de se deixar de coisas e ser político - eleger-se diariamente. É no dia-a-dia que cada um de nós deve reclamar e participar na construção das comunidades, porque se a lógica for apenas de representatividade ou delegação de poder, mais cedo ou mais tarde pagaremos a factura. Mas na rua, nesta campanha, encontrei e falei com muitos viseenses sem esperança e cansados de serem governados por quem, na sua opinião, lhes rouba salários, lhes tira reformas, aumenta impostos, não cumpre promessas e compromete o futuro sem sequer lhes dar uma palavra de explicação, sem diálogo e sem debate. Convivi de perto com a sua frustração, como estão desacreditadas da coerência e da democracia, perdidos das suas convicções sobretudo fartos, fartinhos da política e dos políticos mostrando-se cada vez mais indisponíveis para ouvir, prestar atenção, ver o que é diferente e reflectir sobre a alternativa. Por isso, optaram pela abstenção ou pelo voto nulo e em branco. Fizeram mal na minha modesta opinião. Dizia-me um idoso numa aldeia que “com o dinheiro que dizem que Ruas lá deixa ficar e com quem vai para lá será de esperar o pior” mas por certo que não será assim e que poder e oposição saberão no próximo mandato encontrar o melhor caminho para que Viseu seja efectivamente a melhor cidade para se viver! Como há dias dizia Norberto Pires, “ é preciso dizer às pessoas, olhos-nos-olhos, que havemos de construir o País que desejamos”. É preciso fazê-lo, para que voltem a acreditar. Precisamos de compromissos, mas acima de tudo precisamos de EXEMPLO. É esse o nosso maior problema. Um problema de que muitos não têm consciência.”