07/01/2014

O blog feito pelos leitores

O movimento associativo? Os Bombeiros.

Ouvi, pela Rádio, a intenção do novo Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Viseu, de apresentar um plano de reestruturação financeira da Associação atendendo “às dificuldades do movimento associativo”. Ora quem toma conta dos destinos de uma casa destas e confunde uma Associação, que sempre o foi, com o movimento associativo não entenderá, salvo melhor opinião, muito da poda. Os Bombeiros Voluntários de Viseu são uma associação que cumpre uma tarefa que incumbe ao Estado a quem cabe a defesa civil dos cidadãos. É o chamado safety num país que se preocupa mais com o security e olvida a defesa civil. Como vimos nos fogos e vemos agora nas inundações. Claro que lá está o famigerado prédio à venda, granjeado com o trabalho de muitos que deram, literalmente, ao cabedal para erguer um imenso património. Primeiro na Rua da Cadeia que em boa hora Fernando Ruas e Paulo Correia souberam preservar. Sobra um segundo quartel, erguido também com o suor de tantos e que é preciso vender para aligeirar a carga financeira de um passivo que, pelos vistos e ouvidos, cresceu 30 mil euros do dia 28 de Dezembro de 2013 ao dia 2 de Janeiro de 2014. Passivo que decorre das despesas dos fogos florestais - a serem ressarcidas e que, de novo o dia 28, andará em boa verdade nos 170 mil euros. A não ser que os esclarecimentos da AG sejam para atirar areia para os olhos deste chato que jamais se resignará. Porque esta Associação forma homens e a mim formou-me o caracter e moldou-me o civismo.

Pelo meio rejeitam-se propostas de quem quer alugar casas no edifício da rua José Branquinho, incluindo de bombeiros - que essa foi outra das funções porque um punhado de homens construiu aquele prédio, e se propõe até a reabilitar alguns desses apartamentos. Esta sanha em querer vender património numa Associação, bastante diferentes das outras e por isso tem um Estatuto próprio, que tem que manter e sustentar um Corpo de Bombeiros que tem receitas próprias e pesadas despesas é estranha. Estranha porque depois de vendido o património deixam de existir as rendas que permitem sustentar uma capacidade operacional que ajuda a manter a segurança, de pessoas e bens, num concelho de cem mil habitantes.
E vender com que valores numa cidade onde um T 2 com meia dúzia de anos se compra por menos de 90 mil euros? E porque não aumentar a receita imobiliária, que com o prédio degradado e quase devoluto ainda vale 25 mil euros, tal como foi orçamentado?
Há tantos caminhos, já testados e com resultados palpáveis, noutras corporações que não se entende. Venda-se. Venda-se. Venda-se. Quero crer que a localização, apetitosa e suculenta, do edifício nada tenha a ver com essa propensão de alienar anéis e dedos para que depois venha alguém fechar a luz.
Uma campanha, como outros fazem, de apelo à sociedade civil permitiria que cada viseense, contribuindo com escassos 1,70 euros que é menos de metade de um maço de cigarros e que mal chega para 3 cafés, permitiria ultrapassar isso. E se assim não for pode-se sempre incrementar a taxa de Protecção Civil como fazem outros concelhos. Um simples euro, muito nos dias que correm mas tão pouco quando se trata de defender vidas e bens, permitiria encaminhar para a outra corporação da cidade dois terços e com o remanescente sustentar o segundo, e tantas vezes atendendo à dimensão do efectivo humano, primeiro pilar de protecção civil do concelho.
E ao invés de vender, comprar património. O desencarceramento, robusto e adequado aos riscos, que falta, a autoescada que já não existe ou um verdadeiro VUCI que tanta falta faz à cidade. Um destes dias temos outra rua do Arco e este cidadão, que nunca deixará de o ser e tem olhos para ver e ouvidos para escutar, terá que se encolher. De medo.
Honre-se o Comandante Casimiro de Almeida e se o Estado não nos protege que se organizem os cidadãos.
Cá estarei na primeira fila para aquilatar da bondade da proposta, atento o longo processo que passou por dividir aquela que era uma matriz única, e para ajudar a encontrar outras soluções. Assim haja quem perceba que se temos dois ouvidos é para ouvir duas vezes mais do que falamos.

Amadeu Araújo, Sócio Activo (Bombeiro de 1ª Cl do Quadro de Honra)