01/03/2014

Intervenção na AM de 28Fev14

Exmo. Sr Presidente da Mesa e respectivos membros,
Exmo. Sr Presidente da Câmara e demais membros do Executivo
Exmos. Deputados e Deputadas Municipais,
Meus senhores e minhas senhoras,

O Exmo. Sr Presidente da CMV trouxe a esta assembleia um discurso sobre acção e só falhou apenas no verbo. Deste modo, endereçando desde já os parabéns ao responsável pela comunicação do seu executivo, permita-me desfazer o engano original. O verbo mais apropriado ao seu discurso seria o verbo comunicar, essa sim tem sido a sua acção desde a tomada de posse.
Aproveito ainda o momento para lhe endereçar os parabéns por ter entendido que provocar "ruído" é o truque fundamental da política contemporânea. Truque que o ex-Primeiro-Ministro José Sócrates, com os resultados que todos conhecemos para a governação do País, introduziu na vida política portuguesa e que agora parece fazer escola na política local.

Assim e por oposição a "O discurso é importante enquanto móbil de uma vontade colectiva, mas não basta é preciso agir e fazer acontecer." a formulação mais correcta seria "O discurso é importante enquanto móbil de uma vontade colectiva: é preciso comunicar e fazer aparecer (preferivelmente na imprensa) ". Se, ultrapassada a cortina de fumo inicial, destes quatro meses de governação alguém perguntar o que fica, será forçado a concluir que para este executivo mais relevante do que concretizar é comunicar. E isso é prestar um mau serviço à comunidade que o elegeu. Voltando ao seu discurso, assumindo que boa parte das suas premissas estão correctas estando o erro na correlação que faz, a relação causa-efeito que tenta evidenciar como resultante destes primeiros meses de governação em muitos casos não se verifica, não passando de uma acção de marketing. Se não vejamos os principais os exageros em que o seu discurso incorre:
Se é verdade que foram criadas condições para que a BIZZDIRECT se instale em Viseu, e esta não deixa de ser uma boa notícia e mérito para o IPV, como diz o povo, não devemos deitar foguetes antes da festa. Relativamente a este investimento é anunciada a criação de 150 postos de trabalho qualificados, sendo que 30 dos quais estão previstos já para 2014. A realidade é que até ao momento apenas foram disponibilizados 15 estágios estando mais 15 previstos para o segundo semestre do ano. Como qualquer aluno do primeiro ano de uma escola de gestão sabe, um estágio não é um emprego, muito menos um posto de trabalho qualificado. Deste modo, até serem criados os 150 postos de trabalho qualificados, e não estágios, esta medida não passa de mais um malabarismo de comunicação.
Relativamente à "Task Force Interna" é nos dito que nos primeiros 100 dias, foram despachados e concluídos 1041 processos (reduzindo em quase 30 por cento o volume dos mesmos), sem nunca ser referido quantos processos foram despachados nos últimos 100 dias do anterior executivo. Sem termo de comparação será difícil aferir a real melhoria dos serviços. Também não são referidas quais as mudanças concretas que conduziram a estes números. Por um lado, não sabemos se o anterior executivo vivia no marasmo ou se é este executivo ultra-competente. Tendo em conta a rapidez anunciada, por esclarecer fica também se a qualidade do serviço prestado, a esse nível, sofreu alterações.
Relativamente às “Infra-estruturas de Valor Acrescentado”, tendo em conta que na última semana Sérgio Monteiro, Secretário de Estado das Obras Públicas e Transportes, afirmou que para a competitividade das mercadorias não é necessário construir uma nova linha entre Aveiro e Viseu, esta assembleia deve louvar o seu optimismo ao afirmar:
"Ao contrário do que faz crer o relatório em discussão pública, a reabilitação da linha ferroviária da Beira Alta e a ligação Aveiro – Viseu – Salamanca não têm de ser investimentos que se autoexcluem, mas investimentos que se articulam e potenciam."
Assim o mais provável é que a ligação Aveiro/Vilar Formoso seja efectuada via Pampilhosa, sendo este traçado requalificado e continuando Viseu sem ligação ferroviária. Garantindo que nesta luta contará com o apoio total do CDS-PP Viseu, não será a hipótese mais realista exigir a construção de um ramal que ligue Viseu à rede ferroviária nacional? Ou vai continuar a proferir grandes discursos sobre a cidade-região sem, no entanto, conseguir nada?
Relativamente à ligação rodoviária Viseu/Coimbra, o mesmo Secretário de Estado afirmou que "perfil de auto-estrada sem portagens não existe". Dito isto e atendendo ao actual momento económico do País e dos viseenses, vai lutar pelo mal menor que é a requalificação do actual IP3, sem portagens? Ou a exemplo do que aconteceu com a A25, vai defender a construção da AE portajada, aumentando assim os custos da nossa interioridade?
Ainda na senda dos grandes anúncios com poucas ou nenhumas consequências, não fica claro se lançou a campanha em torno da "Água de Primeira" para justificar o aumento da factura, ou se aumentou a factura para cobrir as despesas dessa campanha.
Mais um pouco de propaganda encontramos nas obras de requalificação do Bairro Municipal, que com grande pompa foram anunciadas mas que ainda se encontram paradas.
A finalizar, e para que não nos acusem de não ter uma atitude positiva em relação a seu executivo, propomos uma medida simples, sem grandes custos e que melhora consideravelmente a vida urbana.
Porque não se desimpede, em termos paisagísticos e de circulação, a Avenida 25 de Abril, deslocando o início/fim das linhas da STUV para o local apropriado que é a Central Rodoviária? Não seria benéfico, para os utentes, todas linhas terem o seu início/fim no mesmo local, onde há condições sanitárias, protecção, comércio, cafés/papelarias para os passageiros serem recebidos? Com esta medida, não só, aumenta consideravelmente o nº de utilizadores daquele espaço, dinamizando o comércio a ele associado, como também regulariza em termos rodoviários e paisagísticos uma das avenidas centrais da cidade, sendo que as linhas não precisam de ser alteradas e até podem continuar a receber passageiros na referida avenida, apenas se concentram as partidas e chegadas. E já agora, a Central Rodoviária e os transportes urbanos não merecem mais atenção? Até podia lançar uma campanha, a seu gosto, intitulada "Transportes Públicos Primeiro". Pode aproveitar a ideia, nos bons investimentos para a comunidade não vamos cobrar direitos de autor ou, a exemplo do PS, contar espingardas.
Como se depreende, em relação à real capacidade do seu executivo, ainda são mais as dúvidas do que as certezas. Mas pode o CDS assegurar-lhe que comunicar sem agir é inconsequente. Os viseenses que lhe confiaram o voto esperam mais acção e menos comunicação.
Termino, deixando-lhe a certeza que na luta contra o vandalismo a que temos assistido em alguns locais da cidade contará com a nossa total solidariedade na condenação e combate a essa falta de cidadania.
Obrigado