01/05/2014

O ego da vanguarda popular

José Carreira, de novo, brinda-nos com um texto à José Carreira. O que fazer? Rir e desmascarar o compadrio travestido de defesa do interesse popular. 
José Carreira, nunca resiste a mostrar que leu (a vanguarda popular é assim) e começa por uma citação, que fica sempre bem, para logo depois confundir os conceitos. Mas é raro alguém confundir, com tanta competência, ironia e humor com irritabilidade ou revolta. Não está ao alcance de qualquer um, mas Carreira entende que qualquer comentário numa rede social é um míssil contra o seu palácio e dos seus amigos.
José Carreira acha que todas as opiniões são válidas mas alerta, sem nunca dar nomes mas deixando subentendido (atitude de coragem), que algumas são pavlovianas e populistas precisamente porque não são a dele ou dos amigos, uma vanguarda popular que fala em nome do povo contra uma alegada elite. Esta alegada “elite” resume-se e particular a duas pessoas a saber Graça Canto Moniz, que escreveu um texto irónico mas eficaz sobre a Banalização da Arte, e a Miguel Fernandes que escreveu um texto irreverente mas eficaz obre a possibilidade de recusar a obra. Duas pessoas que, ao contrário de José Carreira, não precisam de ninguém para os mandar pensar, duas pessoas que, ao contrário de José Carreira, nos desafiam a cada linha que escrevem. Estes dois textos que se espalharam nas redes sociais locais são dois textos que Carreira e o ego da vanguarda popular não suportaram. São populares? Sim, na mesma medida em que os textos de Carreira são chatos. Na vontade de fazer a defesa de umbigo amigo José Carreira cai nos erros típicos de quem confunde interesse pessoal com interesse público. “Uma obra que nasceu da vontade e investimento populares”, afirma Carreira, o que me leva a concluir ou procura branquear a situação ou não sabe do que fala pois a edilidade Viseense suportou 18.949,46 € + IVA pela construção da base, custos aos quais temos de acrescentar a manutenção. Uma PPP em que o povo paga metade e a vanguarda popular dá o nome. O que dirá o povo disto? Mais adiante: “O que diriam os críticos se a autarquia não autorizasse a colocação da estátua, caso a considerasse inestética ou desenquadrada?”, Pergunta Carreira, do alto da sua douta sabedoria. A Autarquia, que aposta e bem, numa candidatura a património mundial deve aceitar sem qualquer tipo de filtro tudo que lhe é oferecido? Pergunto eu, a resposta obviamente é não. Peça a peça estamos a destruir o legado arquitectónico que nos foi entregue, basta recordar a rotunda Carlos Lopes o célebre tríptico e outras obras arquitectónicas que vão polvilhando a cidade. Ainda segundo Carreira, um socialista convertido “A comissão terá cometido um erro de palmatória, a saber, pensou “apenas” no povo”. Como sabemos os homens bons pensam apenas no povo. E qual foi a resposta do povo caro José Carreira? Foi a indiferença. O Povo não contribuiu directamenta para pagar desta nova PPP do ego, que contribuiu foi a tal vanguarda popular (meia dúzia de amigos seus). Pode confirmar isso junto dos nomes que vão aparecer junto à obra, são os nomes da vanguarda popular à qual está a fazer mais um frete (não se assuste, estou de volta à ironia que tanto lhe falha). Mas esta vanguarda popular avançou com a nova PPP deixando uma portagem, de quase 19 mil euros mais manutenção, para o contribuinte, coisa pouca para os seus padrões (é ironia meu caro, não confunda com revolta). Para finalizar relativamente à equipa de demolição, proponho que se contrate uma que não só leve a estátua como também quem fala em nome da vanguarda popular.
PS: Tanques no RI 14 e em todo o Exército só existem os de lavar a roupa, mas um doutorado não é obrigado a saber coisas menores.