30/10/2014

Patronímico Carreira

José Carreira em mais um texto com a fleuma que todos lhe admiramos vai-se às classes sociais com a diligência de um perdigueiro em época de caça. Segundo Carreira "(...)Ter um sobrenome conhecido na praça permite “saltos à vara” e “ultrapassagens pela direita”. As portas abrem-se-lhes e os tapetes vermelhos aguardam sentir o rasto dos sapatos italianos… Pouco ou nada se lhes exige, não sendo submetidos ao habitual crivo da seleção.(...) " Obviamente José Carreira conhece as diversas classes sociais, ora está num palácio a ouvir uma ária e discutir filosofia política como está numa taberna a abrir uma mini e a jogar matrecos. Em Carreira o eclectismo compensa. De lamentar que apenas conheça os figurantes errados de cada uma das classes. Todos sabemos que em todas as classes sociais existe gente de valor e carácter sendo que também existe, à falta de termo melhor, gente pouco dotada de talento ou destituídos de têmpera. Os atributos, bons ou maus, existem independentemente do berço. 
Fica um exemplo: Imaginem um ex-presidente de concelhia, sem nome na praça, com uma visão política limitada pela sua própria incapacidade em ver mais longe e altamente condicionado pela imagem pública que procura transmitir; do outro lado uma jovem, com nome na praça, sem medo de arriscar e com vontade de a cada dia fazer mais, ultrapassar fronteiras, correndo todos os riscos, apesar do seu nome. Qual dos dois escolheria o leitor para um cargo de peso? Um ex-líder tolhido pela sua própria falta de recursos ou uma jovem que não se deixa limitar (por ela própria ou por terceiros)? 
Não é uma questão de nomes, é uma questão de capacidade ou incapacidade. Já a inveja é uma questão de mentalidades, sem limites de sobrenome ou classe social.

PS: Quando um homem de têmpera polemiza tem a obrigação de identificar as pessoas com quem polemiza, o contrário é cobardia, meu caro.