1- Em Viseu não temos palácios majestosos, castelos imponentes, igrejas faustosas, nem praias paradisíacas. Nem se prevê que venhamos a ter, a não ser talvez uma praia, isto a julgar pelas alterações climáticas e consequente subida do nível do mar. Sorte a nossa, uma vez que o governo só investe no litoral, e assim sempre se matariam 3 coelhos de uma cajadada: a interioridade, o turismo e a falta de água.
Evidentemente que sem chamarizes só podemos ter um turismo residual, praticamente inexistente. O contrário, quando não é delírio, é alucinação. E nem os imensos cartazes na auto-estrada A1 ou as incomensuráveis festas conseguem alterar o paradigma.
Os poucos estrangeiros que ainda nos visitam, ao se depararem com a degradação da urbe, desatam a fugir com a promessa de nunca mais regressar, enquanto se questionam como é possível os de cá não se esquivarem também. E nem me parece que 6.500€ do governo consigam que os emigrantes para cá regressem.
Aqueles poucos que ainda nos visitam, deixo um aviso: tragam água, já que os últimos dias ficaram marcados pelo alerta oficial para o colapso do abastecimento de água na cidade. Digo na cidade porque nas aldeias há muito que já colapsou, e se não fossem os imensos poços e furos particulares, a paisagem rural certamente faria lembrar o sahara. Isto enquanto o município esbanja dinheiro em mais umas festanças, talvez na crença que meter o povo a dançar aos deuses provoque umas chuvadas.
Conclui-se que por cá a autarquia vai metendo muita água, mas não é nas canalizações. Até porque cumpridos quase 6 anos à frente dos destinos do município, o maior feito do edil foi ter trazido o futebolista João Felix aos paços do concelho, isto a contar pela propaganda que tal feito conseguiu nos jornais e tv’s.
2- Decorrem as comemorações do aniversário da Força Aérea em Viseu. A localidade foi escolhida para as celebrações talvez por ter políticos que adorariam voar, não fosse o povo cortar-lhes as asas nas eleições. Por aqui não há anjos que voem, e aos que ainda acreditam em fadas-madrinha recordo que estas não existem mesmo.
Infelizmente Viseu não voa nem sai da cepa torta, e aos habitantes não lhes é permitido sonhar. Além da cidade não ter asas, por cá troca-se redbull por tinto do dão, e apesar da localidade ter saídas de emergência, não tem pára-quedas. Caso se despenhasse, o comandante levaria uma data de passageiros com ele. Mas tal é só uma questão de quando.
Bom Domingo
(PHE - recebido por email)