22/06/2019

Crítica Social da Semana - O mau político

Estava para aqui a imaginar como seria um mau político, o pior político possível, daqueles sem escrúpulos nem vergonha. Daqueles que metem a mulher a trabalhar numa entidade semi-pública sob a alçada deles, por eles controlada, ao melhor estilo de um nepotismo descarado e indecoroso.

Evidentemente que um mau político desses pagaria um ordenado principesco à esposa, e muitas vezes essa “senhora” nem tinha de estar no posto de trabalho. De seguida o cacique criava várias empresas. Imaginemos que essas empresas se chamam GRUPO MIDGET LDA (nome fictício). Obviamente que o agora político/empresário arranja vários testas de ferro, com uns negócios em nome da mulher, outros em nome da cunhada, e torna esses negócios fornecedores de serviços dessa entidade semi-pública, tipo um saco azul.

Como mau político que se digne, desprovido de princípios, ética ou valores morais, a criatura cria protocolos entre as suas empresas MIDGET LDA e outras entidades públicas semelhantes, de outros municípios, também sacos azuis, e põe a mulher e as suas várias empresas a fornecer serviços para esses municípios e entidades. Para tal, a esposa recorreria aos meios da própria entidade pública onde supostamente trabalha para fazer trabalhos que vende como dela e faz pagar principescamente.

A cereja no topo do bolo, é esse político/empresário acreditar que, para que ninguém saiba da marosca e promiscuidade criadas, omitindo as contas dessa entidade, não as publicando, não as tornando públicas, disfarça a tramóia.

Agora imaginemos que todo este surrealismo acontece em pleno séc. XXI. O pior é que eu tenho conhecimento dele, tu também sabes, toda a gente sabe, e ninguém faz nada, nem mesmo as autoridades... pelo menos por enquanto!

Pela minha parte, humildemente reconheço a minha incapacidade para fazer algo, assumindo que não faço ideia do que vai na cabecinha da criatura, se participação económica em negócio, conflito de interesses, prevaricação, abuso de cargo, favorecimento a empresa, abuso de poderes ou dever de lealdade. Ou tudo junto.

Confesso que por vezes apetece-me abrir o crânio a esse tipo de gentalha, para ver se, pelo menos, têm alguma coisa lá dentro, ou confirmar se, efectivamente, é somente pura maldade. Mas como as coisas não se devem resolver à paulada, resta-me aguardar que uma alma misericordiosa interne essa escumalha compulsivamente, ou que, havendo justiça, o prendam.

Fosse eu Aristóteles que prescrevia alguma virtude. Se eu fosse Padre, prescreveria duas dúzia de sessões de exorcismo.

Bom fim-de-semana

(PHE - recebido por email)

Sem comentários: