05/07/2019

Viseu e a real ficção II – Ler o amanhã em 2021

A discussão conduzida pela Assembleia Municipal, saída das eleições autárquicas de 2021, sobre a requalificação da envolvente da torre da Segurança Social foi muito participada e com transmissão online das sessões.

Várias foram as soluções propostas pelos partidos para aquela zona, mas acabou por vingar o projecto apresentado pelo grupo de cidadãos independentes. O caso do prédio Coutinho fez escola no PS, sempre tão sem ideias propondo a implosão da torre, o que seria um perfeito disparate pelos custos e riscos associados na obra. Já o PSD defendia a redução da torre removendo os 5 pisos superiores, uma solução boa para uma conversa de café. Da aprovação do projecto à sua execução o tempo passou rápido e até os habituais cartazes de propaganda foram dispensados. A prioridade agora era outra, menos festa e mais obra, menos Rossio e mais concelho.


A torre da Segurança Social com os seus 16 andares da autoria do arquitecto Luís Amoroso Lopes que curiosamente foi, na época, também o principal responsável pelos trabalhos de recuperação do centro histórico de Viseu, apareceu como forma de afirmar de modo intencional um contraponto contemporâneo à zona antiga da cidade e por isso nasceu numa avenida larga, rasgada a partir do Rossio, que desenvolveu a cidade para norte e ao longo dos anos e da avenida António José de Almeida, instalou-se a central de camionagem cuja obra de remodelação só se realizou com este novo executivo que lhe acrescentou novas funcionalidades, bancos, escritórios, instituições, edifícios de habitação, restaurantes, centros comerciais, etc.

Crítica Social da Semana

1- Mais umas festas na urbe, desta vez várias em simultâneo, uma delas intitulada “Festa da saúde”.
Questiono-me se os médicos e enfermeiros das unidades de saúde locais partilham da folia, isto a julgar pelas greves, pela falta de material, de medicamentos, e de pessoal.

Parece que “A Câmara atribuiu à Festa da Saúde um apoio no valor de 25 mil euros”, pode ler-se num jornal. Curiosamente foi precisamente esse valor que a mesma Câmara Municipal atribuiu ao Centro Social de Orgens para a construção de um Lar. Conclui-se que para certos políticos as festas tem mais importância que as infra-estruturas sociais básicas, e que esses políticos são melhores como mordomos de uma comissão de festas do que como edis.

Imagino que esses “líderes” nunca terão lido os manuais de funcionamento da cidade. No fundo é como conduzir um autocarro sem ter tirado a carta, ou sequer ter lido o código da estrada. Se não forem parados pela polícia numa operação stop ainda podem provocar acidentes.

30/06/2019

Crítica social de fim-de-semana

1- Em Viseu não temos palácios majestosos, castelos imponentes, igrejas faustosas, nem praias paradisíacas. Nem se prevê que venhamos a ter, a não ser talvez uma praia, isto a julgar pelas alterações climáticas e consequente subida do nível do mar. Sorte a nossa, uma vez que o governo só investe no litoral, e assim sempre se matariam 3 coelhos de uma cajadada: a interioridade, o turismo e a falta de água.

Evidentemente que sem chamarizes só podemos ter um turismo residual, praticamente inexistente. O contrário, quando não é delírio, é alucinação. E nem os imensos cartazes na auto-estrada A1 ou as incomensuráveis festas conseguem alterar o paradigma.

Os poucos estrangeiros que ainda nos visitam, ao se depararem com a degradação da urbe, desatam a fugir com a promessa de nunca mais regressar, enquanto se questionam como é possível os de cá não se esquivarem também. E nem me parece que 6.500€ do governo consigam que os emigrantes para cá regressem.

Aqueles poucos que ainda nos visitam, deixo um aviso: tragam água, já que os últimos dias ficaram marcados pelo alerta oficial para o colapso do abastecimento de água na cidade. Digo na cidade porque nas aldeias há muito que já colapsou, e se não fossem os imensos poços e furos particulares, a paisagem rural certamente faria lembrar o sahara. Isto enquanto o município esbanja dinheiro em mais umas festanças, talvez na crença que meter o povo a dançar aos deuses provoque umas chuvadas.

Conclui-se que por cá a autarquia vai metendo muita água, mas não é nas canalizações. Até porque cumpridos quase 6 anos à frente dos destinos do município, o maior feito do edil foi ter trazido o futebolista João Felix aos paços do concelho, isto a contar pela propaganda que tal feito conseguiu nos jornais e tv’s.

2- Decorrem as comemorações do aniversário da Força Aérea em Viseu. A localidade foi escolhida para as celebrações talvez por ter políticos que adorariam voar, não fosse o povo cortar-lhes as asas nas eleições. Por aqui não há anjos que voem, e aos que ainda acreditam em fadas-madrinha recordo que estas não existem mesmo.

Infelizmente Viseu não voa nem sai da cepa torta, e aos habitantes não lhes é permitido sonhar. Além da cidade não ter asas, por cá troca-se redbull por tinto do dão, e apesar da localidade ter saídas de emergência, não tem pára-quedas. Caso se despenhasse, o comandante levaria uma data de passageiros com ele. Mas tal é só uma questão de quando.

Bom Domingo
(PHE - recebido por email)