14/07/2020

Viseu e as disputas políticas da actualidade


Embora sem outra motivação para lá do interesse na participação cívica, anuí ao desafio de comparar o incomparável e olhar criticamente o ambiente da surda guerrilha política cá pelo burgo. Dois partidos, o mesmo sistema. Ao primeiro, em luta pela federação PS Viseu, dedicarei apenas umas linhas pois na balança num prato está a pobreza política e no outro a ruina partidária. Ao segundo, as eleições na concelhia PSD opõem candidatos tão distintos e com tão diferenciados programas que merecem umas linhas mais. Se de um lado está o deputado José Rui Cruz cuja actividade parlamentar pouco releva e fora da política a actividade profissional deixa desconfianças no ar e a presunção da inocência até que a Justiça fale, do outro o insider do sistema e homem dos sete ofícios, de Secretário do Estado do Desporto a coordenador regional do Covid, passando por produtor de mirtilos e quiçá na jota socialista vira frangos nos churrascos das campanhas, arrasta atrás dele só incertezas, queixas arquivadas na Justiça e suspeitas de favorecimento ao ex-sócio nas páginas dos jornais nacionais ou à suposta influência na colocação de familiares no IPV, a acabar nas graçolas constantes que sobre ele caem nas redes sociais. Portanto, em breve nas urnas irão a votos estas duas formas de estar na política. Um de quem pouco ou nada fazendo também pouco ou nada se espera que acrescente à política regional e o outro com uma agenda de interesses pessoais e partidários que continuará a manter o status instalado e tudo no mesmo limbo de corrupção, conluio, nepotismo e compadrio. O candidato à CMV também já está escolhido e no caso do candidato de Santa Comba só haverá vantagem em o apoiar para ganhar importância na capital distrital, enquanto o outro, com os apaniguados viseenses, tudo fará para gáudio do padrinho senador, para desmontar e minar a campanha de João Azevedo, conste ou não da lista, sendo que o constar é logo garantia segura de derrota. Irão a votos brevemente. Ganhará claramente o pior como outra coisa não será de esperar. Parabéns PS Viseu. 

No PSD a disputa política é concelhia e comparar as candidaturas em jogo é até confrangedor por tão evidentes serem as diferenças. De um lado o aparelhista da máquina e instalado no Rossio com acesso privilegiado ao caderno de encargos do apoio rural, estatuto e condição que garante à partida o apoio maioritário dos militantes enraizados nos vários sindicatos de voto e que terá dado ao também vereador a confiança para se afirmar candidato. Do outro Carlos Costa, um homem simples como se apresenta, com uma sólida situação profissional e com uma discreta mas activa presença na vida política local, tendo sido já líder concelhio, vereador de Fernando Ruas e ainda deputado municipal, a que soma a presidência dos BVV, onde o único erro que se aponta e que joga seu favor pois só se entende no interesse colectivo, terá sido o de chamar um desgastado socialista para a mesa da Assembleia Geral e ainda assim encosto menos interessante que a almofada socialista do adversário. Enquanto o vereador concorre com toda a estrutura a seu favor que fica perceptível no site de campanha, no marketing associado a que não será estranho ter por detrás o especialista do marido da directora do Viseu Marca, conta ainda com a simpatia (certamente paga a troco de publicidade) nos jornais e imprensa local. O bombeiro Costa faz o que pode com os militantes desinteressados, autodidatas das redes sociais como é fácil de percepcionar e sem o encanto e deslumbramento que o poder oferece, ainda que a sua voz seja mais melodiosa e colocada que a cavernosa e arrastada do adversário. A título de exemplo, se quiserem comparar nas entrevistas televisionadas do pasquim, o vereador ganha em quase 10 minutos mais a favor de Carlos Costa, se bem que este aproveitasse bem melhor o menor tempo disponível com um alinhamento claro de ideias, assertivo, lúcido, uma postura corporal descontraída e sobretudo com uma linguagem simples e determinada sobre o que fazer no futuro com o PSD e como fazer, coisa que no adversário do Viseu + Forte, lema imposto pela subconsciente análise do seu trabalho, é uma entediante mão cheia de nada, mais um conselho estratégico que vai formar um conselho consultivo que nada mais é do que a assembleia de militantes, para no final nem uma ideia capaz ter para um concelho, “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, como o próprio assume. Da linguagem do “Eu” por parte do Viseu + Forte à linguagem do “Nós” do Todos por Viseu, é fácil perceber as lógicas associadas, basta atentar nas pessoas, o que é sempre discutível ou nas obras feitas o que é inquestionável. Deixemos as pessoas pois todos as conhecem e todos sabem porque uns estão numa lista e os outros na outra, o que acontecerá a uns se não detiverem cargos políticos e o nada que muda na vida dos outros se perderem, e vamos então às obras. MUV a bandeira do vereador é o pior pesadelo na vida dos seus utilizadores, um monte de propaganda e marketing enganoso, desde as bicicletas elétricas às trotinetas e vá lá, com o receio de lhe serem úteis não se lançou nos patins, quanto às obras nas freguesias é falarem com os munícipes e nas obras na cidade é risível o trabalho do autarca. Da obra do engenheiro Carlos Costa é falar com os Bombeiros e perguntar como se gere uma casa que responde em socorro e prontamente pondo em risco a vida a favor de pessoas e bens sem orçamento e com dificuldades de tesouraria dia a dia, ou então questionar o ex Presidente Fernando Ruas de como foi trabalhar com o seu vereador de então! Portanto, comparar isto é um exercício que melhor que eu os alentejanos resumem numa frase, ou seja, comparar os cabeças de cartaz do Todos por Viseu com o Viseu + Forte é como comparar a Feira de Borba com o olho do dito. No final, apesar de todas estas diferenças Carlos Costa irá ser colado a Fernando Ruas, enquanto o leal vereador fugirá ao máximo a ser colado ao criador, na esperança quiçá de ser o próximo sucessor e será sem dúvida nesta refrega o vencedor. Parabéns PSD Viseu. Perde o PS o momento de fazer uma inversão distrital e crescer em valor tanto quanto em números mesmo com a pouca dinâmica de José Rui Cruz, perde o PSD a oportunidade de se refrescar, de agregar eleitorado e de ganhar a genuinidade de Carlos Costa. O concelho continuará a queixar-se da mesma interioridade e a ter de viver com a mesma mediocridade. Mas a vida é assim, feita de escolhas. Nos quatro candidatos eu saberia, pese os prós e os contras, em quem votar. Mas isso sou eu e a minha opinião nem um voto vale. Nota final, se conseguiram ler até aqui avisem o CDS que é altura de se organizarem e realizarem as eleições concelhias. Se esperam muito nem os cacos apanham, já o CHEGA que realizou as distritais e avança para a concelhia ficou com eles. E pronto, tal como nas eleições que se avizinham já ganhei 30 por cento de admiradores e 70 por cento de “amigos”!

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