Muitas vezes, achamos erroneamente, que as coisas são brancas ou pretas, isto ou aquilo e ficamos presos numa rede maniqueísta que nos faz ignorar o terceiro lugar.
Isso aplica-se às nossas ideologias políticas, ao clube de futebol, aos nossos relacionamentos afetivos, aos nossos gostos pessoais, crenças religiosas, etc. Nada melhor para quebrar as nossas certezas do que sair da zona de conforto, que é a nossa “ilusão” acerca de verdades absolutas. Uma maneira certeira de vivenciar essa quebra de paradigmas é morar fora do nosso país de origem, é ser estrangeiro.
Os caminhos que levam as pessoas a deixarem o seu país, são muitos e por diferentes motivos e eu já fiz parte de uma minoria. Deixei Portugal por 5 anos e fui com uma enorme bagagem, de vida, família e tralhas para outro país do outro lado do mundo. No começo tudo é novidade, nos encantamos e vivemos quase como turistas. Mais tarde, as coisas entram numa rotina, percebemos algumas falhas no que parecia perfeito e descobrimos, aos poucos, que problemas e dificuldades existem em todos os lugares e também que gente boa e gente má não são um predicado exclusivo dos portugueses. Mas, vamo-nos acomodando, aculturando e estabelecendo as bases de um novo quotidiano. A língua começa a ficar mais confortável, descobrimos novos amigos e começamos a envolver-nos socialmente dentro da nova realidade. Já adaptados, bate a saudade, e começam as perguntas, e se?
E se de repente, houvesse aqui um problema grave? E se houvesse aqui uma calamidade? Como proteger família e bens num mundo que sendo nosso não é em nada nosso? Será mesmo que aqui é tão melhor que em Portugal? Onde estão meus amigos e familiares? É então que percebemos que já não somos de cá, nem de lá e é aí que entra o “terceiro lugar”, habituamo-nos a ser cidadãos do mundo com a certeza de que um dia seremos só memória e saudade. O homem é ele e as suas circunstâncias, já dizia o filósofo!
Vem isto a propósito de perceber em solidariedade e sentimento o quanto a comunidade brasileira (e as demais em menor número) residente em Viseu sofre ao, de repente num país que não é o deles, se ver forçada a ter que viver com a pandemia que a todos por igual ameaça.
Do alto da Sé, à luz dos valores do herói lusitano, um olhar critico, independente e exigente sobre as terras e gentes da região de Viriato. Com as referências do passado, as preocupações do presente e a esperança no futuro, olha-se para esta encruzilhada de gentes e vontades beirãs nesta linda Cidade Museu no coração de Portugal!...
14/07/2020
A mobilidade e o ambiente urbano do nosso Concelho e Cidade Viseu
A gestão do quotidiano da nossa cidade e do concelho encontra-se na actual conjectura a ser alvo de consecutivas aparições com anúncios públicos de acções de requalificação urbana sem nenhuma fase de discussão pública. O desespero em apresentar trabalho interno dos serviços de planeamento camarários, quer os resultados ou a implementação no terreno da lista de promessas de obra feita elaborada nas últimas eleições, origina um frenesim de propaganda pública dia sim, dia sim.
Um executivo com uma percepção errada ou com excessivo autoconvencimento de que as tomadas de decisão são impregnadas de inovação, a grande maioria se for analisada resumindo-se ao puro seguidismo de tendências em voga, sem a mínima noção se será prejudicial, se se adequa ao espaço público (especialmente ao casco histórico) e à paisagem urbana, se tem impacto social, relação custo-benefício, ou se prejudica a imagem da cidade agudizando problemas ao quotidiano do mais simples cidadão frequentador da cidade, ao empresário, comerciante ou profissional liberal. Durante estes últimos 3 a 4 anos assistimos ao anúncio, à introdução e à implementação (suficiente) de um novo modelo de mobilidade urbana e intra concelhia, com a reformulação do modelo de prestação do serviço público de transportes, revolução nos modos de mobilidade da cidade, com a introdução de um veículo autónomo inteligente 100% eléctrico para 2019 (já era e não se sabe se dependente de energia renovável) e ultimamente a apresentação também tardia face ao prometido e adjudicação da reformulação de várias artérias da cidade, para a introdução dos corredores de circulação destinados como incentivo ao uso de bicicletas.
Viseu e as disputas políticas da actualidade
Embora sem outra motivação para lá do interesse na participação cívica, anuí ao desafio de comparar o incomparável e olhar criticamente o ambiente da surda guerrilha política cá pelo burgo.
Dois partidos, o mesmo sistema. Ao primeiro, em luta pela federação PS Viseu, dedicarei apenas umas linhas pois na balança num prato está a pobreza política e no outro a ruina partidária. Ao segundo, as eleições na concelhia PSD opõem candidatos tão distintos e com tão diferenciados programas que merecem umas linhas mais.
Se de um lado está o deputado José Rui Cruz cuja actividade parlamentar pouco releva e fora da política a actividade profissional deixa desconfianças no ar e a presunção da inocência até que a Justiça fale, do outro o insider do sistema e homem dos sete ofícios, de Secretário do Estado do Desporto a coordenador regional do Covid, passando por produtor de mirtilos e quiçá na jota socialista vira frangos nos churrascos das campanhas, arrasta atrás dele só incertezas, queixas arquivadas na Justiça e suspeitas de favorecimento ao ex-sócio nas páginas dos jornais nacionais ou à suposta influência na colocação de familiares no IPV, a acabar nas graçolas constantes que sobre ele caem nas redes sociais.
Portanto, em breve nas urnas irão a votos estas duas formas de estar na política. Um de quem pouco ou nada fazendo também pouco ou nada se espera que acrescente à política regional e o outro com uma agenda de interesses pessoais e partidários que continuará a manter o status instalado e tudo no mesmo limbo de corrupção, conluio, nepotismo e compadrio.
O candidato à CMV também já está escolhido e no caso do candidato de Santa Comba só haverá vantagem em o apoiar para ganhar importância na capital distrital, enquanto o outro, com os apaniguados viseenses, tudo fará para gáudio do padrinho senador, para desmontar e minar a campanha de João Azevedo, conste ou não da lista, sendo que o constar é logo garantia segura de derrota. Irão a votos brevemente. Ganhará claramente o pior como outra coisa não será de esperar. Parabéns PS Viseu.
Viseu, o estado da arte
Inevitavelmente, números tão maus como os dos infectados com o Covid-19 estão a chegar ao nosso quotidiano.
Agora são os do desemprego que disparou um aumento brutal de 25% na região centro e em breve a isto se juntarão os números das insolvências das empresas e do desespero das famílias.
Estes números merecem muita preocupação social pois é de dramas pessoais que se trata e não podem deixar de merecer uma resposta por parte dos organismos oficiais, do poder central aos locais.
A primeira forma de lidar com um problema é reconhecer que ele existe, facto que este executivo viseense tem muita dificuldade em encarar dado que para azar dos munícipes não se encaixa nas suas agendas pessoais.
Esta pandemia veio para ficar e não vale a pena desenhar cenários fictícios ou negacionistas da situação que o País vive, sendo o mais importante o preparar e pôr em campo medidas e soluções que minimizem os efeitos arrasadores na economia.
Se porventura chegamos ao frio do Outono e das gripes invernais com esta situação rotineira de contágio, cedo a pressão sobre o SNS se fará sentir e isso obrigará a novas medidas restritivas da vida das famílias e das empresas com tudo o que de péssimo isso trará.
Sejamos honestos, no concelho de Viseu os baixos salários e um poder de compra per capita inferior de todas as capitais de distrito da região não permitem que as famílias vivam fora da gestão do dia 30 de cada mês. Poucas serão aquelas que têm capacidade financeira e níveis de poupança que permitam viver além desse dia com uma perda de rendimento ou de salários alargada no tempo.
As empresas na sua generalidade e o pequeno comércio também não andam longe desta trágica análise. Poucas ou nenhumas dispõem de fundo de maneio capaz de suportar as despesas operacionais e os vencimentos dos funcionários num mercado de consumo de 20 a 30% ou até 50% do habitual, como a lei agora impõe nalguns casos.
Estamos, pois, na minha modesta opinião, longe do ponto de tranquilidade, da desejada normalidade e segurança pessoal, ainda que sujeita a novas regras de higienização e ética respiratória.
As máscaras que a autarquia finalmente ofereceu às famílias (nem todas) vieram para ficar e, portanto, ao fim de 5 lavagens teremos que adquirir outras para garantir a eficácia requerida de protecção.
Igual preocupação terão os inúmeros comerciantes a quem não chegaram (e não chegarão, infelizmente) ainda os kit´s de protecção individual que o executivo diz ter já distribuído pelos estabelecimentos das 25 freguesias.
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