O desenvolvimento urbano das cidades ao longo dos tempos, sofreu inúmeras transformações desencadeadas por factores económicos, militares (defesa), políticos (novos regimes institucionais), demográficos e pelos desastres naturais. Transformações essas que resultaram de estímulos advindos da sociedade civil, do comércio, de individualidades culturais, bem como a ameaças à integridade física (invasões de forças estrangeiras) ou de reacções reivindicativas com vista à ruptura de condições de vida degradantes das gentes citadinas. Assim as cidades, têm sido um resultado de inúmeras metamorfoses ocorridas durante séculos. Desde o século XIX com a revolução industrial, as cidades foram palco da introdução de inúmeras novidades tecnológicas, a começar com o vapor, até aos dispositivos electrónicos comutados em rede (o mundo virtual) dos nossos dias. Com o desenvolvimento tecnológico num ritmo acelerado, este impõe-se no nosso quotidiano e é forçosamente equacionado na gestão urbanística, na mobilidade, ao serviço da economia e da qualidade de vida. As cidades são o meio fulcral para oferecer de um modo equitativo as benesses geradas pela tecnologia, mas depende de muitos factores que não podem ser negligenciados rumo a uma cidade inteligente (smart city). Os factores ou pilares que consolidam a ideia de “smart city” devem ser trabalhados com vista à constituição de fortes bases que impeçam a ruptura ou o fracasso do novo modelo de “cidade inteligente” e são os seguintes:
Factores
imprescindíveis de transformação para constituir uma “smart city”
● Uma
sociedade inteligente sendo imperioso existir:
§
Altos níveis de produtividade laboral e
indivíduos com graus académicos elevados;
§
Abertura e coesão territorial;
§
Abordagens flexíveis sobre o trabalho (em casa)
e o quotidiano;
§
Diversidade social e étnica com perspectiva
cosmopolita da vida urbana na geração de mais valias urbanas;
§
Foco permanente para a geração de
empreendedorismo e zelo profissional;
§
Cidadania activa, preocupada e participativa no
desenvolvimento urbano e pluralidade cultural, sem clientelas.
● Uma
economia inteligente sendo imperioso existir:
§
Alto nível de emprego a tempo inteiro e
produtividade económica elevada;
§
Atracção de empreendedores exteriores e de
diversas geografias com fixação de empresas sólidas financeiramente;
§
Força de trabalho capacitada profissionalmente e
com formação ao longo da vida;
§
Apoio ao 1º emprego (jovem) e às pequenas
empresas;
§
Evitar a extemporaneidade das medidas de apoio
económico;
§
Geração de ideias inovadoras associados aos produtos
de fabrico local.
§
Boas acessibilidades e com conectividade
internacional com manutenção devida;
§
Sistemas de transporte de emissões reduzidas (ou
ecológicas) ajustados à população, dimensão territorial e aos movimentos
pendulares;
§
Segurança física garantida pela integridade
estrutural e sistemas de monitorização e controlo do tráfego, da capacidade
logística;
§
Caracterização estatística do volume do tráfego,
de suporte às apps de informação de mobilidade.
●
Uma qualidade de vida inteligente sendo imperioso existir
§
Grau de literacia elevada e global no domínio
dos sistemas digitais de informação e acesso facilitado a todas as faixas
etárias;
§
Melhores cuidados de saúde na comunidade e de
proximidade;;
§
Combate a situações de isolamento social
(idosos);
§
Planeamento e gestão urbana e territorial
inovador(a), integrada com outras disciplinas (economia);
● Um
modelo de governação inteligente (o mais fundamental e imperioso
implementar)
§
Acesso à informação sem restrições nem perdas de
tempo, bem como a instalações e serviços de apoio;
§
Participação democrática activa e bom
relacionamento pessoal entre executivo e oposição e respeito pelas intervenções
vindas de todas as gerações etárias;
§
Promover o policiamento de proximidade, controlo
da criminalidade e vigilância florestal sem restrição de meios materiais;
§
Suportes que influenciem um planeamento urbano
resiliente;
§
Respostas às queixas e requisitos dos cidadãos
com garantias de resposta a situações inesperadas e oferta de dados abertos
para estimular a investigação;
§
Recolha de informação de segurança para gestão
dos riscos naturais das plataformas de comércio online, cloud e finalmente,
● Um
modelo de gestão ambiental inteligente capaz de realizar a:
§
Gestão de proximidade e em tempo real dos
recursos aquíferos, resíduos sólidos urbanos (domésticos e industriais) e da
biomassa florestal;
§
Gestão, monitorização e manutenção das
infraestruturas de energia para o seu uso ser eficiente;
§
Controlo e monitorização das partículas de
poluição, pragas e medição do ruído
Estas são as
premissas que permitem uma aposta indefectível com garantias de sucesso para
tornar territórios em espaços de inteligência urbana.
Aqui chegados impõe-se a seguinte pergunta ao atento leitor:
As acções do actual executivo camarário coadunam-se com as
premissas atrás referidas? Está conforme a ladainha desenhada na Divisão de
Comunicação da Viseu marca paga pelo erário público ou mnemónica proferida pelo
edil? A propaganda está alinhada com a realidade quotidiana da cidade?
Deixo a resposta para o leitor mas permitam que adiante
alguns considerandos para melhor reflexão. Só uma abordagem multidisciplinar
com a devida independência dos profissionais alocados ao estudo e aprofundamento
das estratégias se garante que no futuro os benefícios atinjam todos os
cidadãos. Se todos tivéssemos incutidos nessa nova realidade, todos já
gozaríamos dos seguintes benefícios
● Uma vida
sustentável com qualidade de vida segurança, social, sem necessidades
económicas, de estima de cada indivíduo e ambiente urbano saudável;
●
Desenvolvimento urbano que garanta a segurança física dos moradores, ao mesmo
tempo em que optimiza o uso dos recursos naturais, sem esquecer as ferramentas
de info-mobilidade, e o transporte inteligente;
● De
participação pública e discussão online com liberdade de expressão com partilha
de conhecimento entre os residentes, governo, e parceiros económicos;
● Cultura
para fornecer liberdade para os agentes culturais serem criativos (com a
realidade virtual) e oferecer experiências de bons momentos com amigos e
família.
Abstraindo da soberba de alguém que para se afirmar nesta
matéria assina a correspondência como coordenador da secção de cidades
inteligentes da ANMP vamos a factos e evidências.
A propaganda refere 100 mil
habitantes no concelho o que não sendo exacto não é senão uma pequena inverdade
uma vez que nos últimos 20 anos a cidade tem estado a perder população e no
mandato em causa desde 2013 o concelho no total perdeu 1175 habitantes embora
se registe com agrado o aumento de 258 pessoas no último ano estatístico (INE)
fruto porventura de uma maior imigração especialmente brasileira na cidade,
cidade essa que só atinge as 50 mil pessoas se incluir nessa contagem as freguesias
periurbanas e de inverdades em inverdades se vai fazendo a “smart city”
e havendo, “donkey citizens” só tem que se lhe colocar a palha como deve
ser. Portanto onde é que está a dinâmica
positiva de mais de 16 mil habitantes que o edil refere nas palestras que vende
pelo palco mediático que vai comprando por aí fora com o dinheiro público como
no recente jornal das 20h da TVI que custou a módica quantia de 24.321€? Smart guy!!
O mesmo se passa com o número de alunos do Ensino Superior
que apesar de ligeiro aumento nos últimos anos tem mantido tal como na
população uma tendência negativa, pelo que os 7000 estudantes só na imaginação
do edil existem tal como já existiram nos anos em que tomou posse pela primeira
vez dos destinos da autarquia.
A prova provada da “urban
intelligence” é a instalação das 509 luminárias LED além da maior luminária
da equipa, o marido da directora do Viseu Marca que acompanhado do seu ainda
mais minorca amigo exemplo de “cidadania” e profundo conhecedor da Rua das
Bocas emprestam toda uma outra gigantesca inteligência cultural e até
estratosférica dimensão à cidade. Smart as a whip!
Nem tudo é mau e a ideia lançada
em 2014 do Viseu Estaleiro Escola foi pena ter sido abandonada. Teria sido um
bom laboratório para se responder a 3 fundamentais questões sobre o caminho a
tomar numa futura Viseu Cidade Inteligente:
- Que cidade temos?
- Que cidade queremos?
- Como activar a nossa cidade?
Sem sabermos exactamente onde
estamos, para onde queremos ir e como poderemos lá chegar continuaremos como
Alice no País das Maravilhas, perdidos num qualquer caminho. Ainda estamos a
tempo de reunir a massa critica da cidade e pensar como fazemos de Viseu um
concelho inteligente.
Enfim, para ocultar uma saga sem fim de inconseguimentos em obra feita e sem contributos para uma criar uma sociedade viseense próspera, assiste-se a este constante delírio comunicacional vazio de conteúdo. Não vale a pena usar argumentos estapafúrdios para legitimar opções ou condutas políticas com malabarismo de palavras para justificar apostas sem resultados visíveis. Viseu não necessita de gabarolas com descreve uma fábula de Esopo, porque garganta têm eles muita, resultados positivos é que nem vê-los. Aliás os viseenses preocupados com o futuro dos seus filhos e do concelho não são burros e não vale a pena insistir na receita da sobremesa de São Mateus, doce na confecção, mas amarga no consumo, já enjoa.
2021 está próximo. Viseenses, be smart!


