A cidade e o concelho de Viseu vivem uma certa angústia, (bem notória) advinda de uma total desorganização de pensamento da cidade quanto ao seu futuro. Os infelizes acontecimentos recentes e a longa pandemia que se vive agravam este sentimento. A falta de uma liderança coerente e de um pensamento estratégico urbano, provoca diversas confusões na comunidade acompanhadas de uma falta de transparência na divulgação dos projectos que pretendem mudar a vida quotidiana.
Estas atitudes suscitam dúvidas e perplexidade,
receando-se a má gestão dos recursos financeiros associados a opções sem o
devido debate público. Os problemas disruptivos da cidade continuam a subsistir
no tempo com repercussões na economia local, no conforto dos equipamentos
públicos, na imagem e na atractividade da cidade.
O exemplo último mais flagrante reside no mercado 21 de Agosto, localizado dentro de um quarteirão, confronta com diversos logradouros de edifícios de diferentes épocas de construção, passa totalmente despercebido aos visitantes ávidos de conhecer a cidade.
É reconhecido pelos maus acessos para pessoas com
dificuldades de locomoção que com o peso das compras lentamente sobem as rampas
ou escadarias quer se dirijam para Avenida Alberto Sampaio ou para a galeria de
acesso à Avenida António José de Almeida e Rossio.
Facilmente desistem desta rotina com o avançar da
idade ou pelas condições atmosféricas adversas e até mesmo o simples comerciante
que continuamente carrega a mercadoria para o estabelecimento ou banca perde a
vontade de ali vender o produto do seu trabalho.
O mercado actual é desconfortável para utentes e
comerciantes no espaço térreo dedicado aos lavradores, onde pousam o fruto do
seu trabalho em minúsculas e desajustadas bancas (que mais parecem de cozinha)
para obterem os seus rendimentos. Subsistem espaços apertados para a circulação
que ficam mais apertados quando cliente e vendedor estão no acto de compra e
venda (nada sanitário para os dias de hoje). São acompanhados à sua volta por
um estacionamento confuso partilhado entre todos os usufruintes deste equipamento e
acessos que se congestionam aos fins de semana. Os espaços interiores não estão
ajustados para uma boa ventilação, uso sustentável de luz e água.
Em suma um espaço
acabrunhado, austero, nada acolhedor, por vezes húmido, com pouca luz solar,
pobre nos parâmetros térmicos implantado em terreno com orografia íngreme, não
estruturante no tecido urbano da cidade.
A solução provisória apresentada pela
autarquia é despesista, arquitectonicamente pouco difere de um barracão desconfortável
e nada funcional que não resolve o problema no médio longo prazo e que no final
tende a tornar-se provisória. A obra que resulte no futuro da proposta demolição
que a autarquia defende (mais custos) não deixará de por mais emblemática que seja
de estar localizada numa zona escura e escondida da cidade onde em tempos foi
conhecida por ter mais “actividade” à noite que venda de produtos endógenos ao
dia.
A alternativa constitui-se urgente em tempos de
pandemia, devidos a normas sanitárias que poderão ser mais exigentes a nível da
segurança alimentar.
Como já aqui foi exposto a alternativa é a
deslocalização para o espaço vizinho adjacente ao edifício da segurança social
com o seguinte programa.
-Piso subterrâneo para estacionamento;
Uso
exclusivo para clientes
-Piso logístico para cargas e descargas com espaços
de apoio;
Zona exclusiva e restrita para
comerciantes com espaço de contacto para as autoridades sanitárias e do
município. Deve comportar os camiões frigoríficos
-Piso comercial;
Espaço
“open space” funcional que reúna
todas as áreas alimentícias num só espaço, as fachadas devem ser construídas
com alguma transparência. Este piso deve ser visível e acessível através do
exterior deve-se considerar a delimitação de zonas de estadia prolongada,
ingresso convidativas e de espera (dos transportes públicos).
-Cobertura acessível.
Espaço exterior com zona de
ingresso para o piso comercial, do movimento de pessoas que advêm do edifício
da segurança social. Abre-se a possibilidade de este piso acolher quiosques,
esplanadas e exposições ao ar livre ou uma estufa fria (jardim de inverno). Este
piso deveria dispor de uma área de apoio aos comerciantes e produtores locais,
um espaço de gabinetes/vestiário com um apoio comum administrativo/contabilístico
para suporte das actividades comerciais resultantes da compra/venda no novo
mercado.
Para o actual mercado exclui-se a sua demolição total, ao
invés sugere-se a sua reconversão funcional.
No piso superior é destinado à
instalação de projectos de negócio
próprio para jovens em início de actividade profissional com desenho de uma nova fachada
(menos betão).
Na zona de peixaria (actualmente
pouco aproveitada) é reconstruída e no seu lugar nasce um moderno edifício para
instalação do centro Vissaium XXI 2 com espaços dedicados às “start ups”.
Já na zona dedicada aos lavradores,
ficam localizadas oficinas de manualidades para artistas locais ou um espaço de formação profissional
destinadas a grandes grupos das associações recreativas do concelho.
Para tudo isto é necessária astúcia
programática, um esforço adicional (sem soluções provisórias e dispendiosas) do
executivo e da oposição na busca do objetivo de adoptar a cidade de uma moderna
infraestrutura comercial catalisadora da economia local.
Esta pode contribuir para a
constituição de um forte eixo urbano, entre a zona do Massorim, escadinhas de
Santo Agostinho, Fórum Viseu e o Campo e Cava de Viriato.
Melhores ideias, certamente, haverá, mas de momento
e à falta de melhor fica este contributo para a discussão sobre uma área
fulcral para a cidade e para os produtores concelhios. É importante que este
debate se faça já e em tempo, sob pena de daqui a uns anos estarmos a cometer o
mesmo erro que foi cometido com o mercado 2 de Maio.


1 comentário:
O grande problema reside no prédio da segurança social, ao que sei já com graves deficiências estruturais. Antes de agir sobre essa zona é preciso pensá-la como bem diz para os anos seguintes.
Penso que o 1º passo deveria ser a demolição completa do prédio da segurança social e fazer uma reconversão de toda a área para que possa albergar os mesmos serviços (se necessários) começando por um parque de estacionamento subterrâneo que sirva não só clientes do "mercado" mas também demais viseenses. Não sou apologista de um "novo centro comercial, pois pelo li é isso que fica subentendido da sua proposta, ressalvo que o mercado para os produtores será bem vindo desde que pensado a longo prazo. Em achega a esta zona poderiam ser transferidos para a mesma os remanescentes serviços da loja do cidadão e criada uma zona de estudo / biblioteca. O principal problema da cidade é que as suas ancoras de vida estão fora do centro e as que resistem têm sido completamente abandonadas. Não esquecer que uma revolução deste tipo terá de estar em consonância com as obras do MUV nomeadamente a que está a ser realizada na estação de camionagem.
WW
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