É vulgar dizer-se
que Viseu nasceu de um cruzamento de vias romanas e José Coelho chega a apontar
uma dúzia delas. E fala-se nisso para mostrar a importância geográfica, geoestratégica
até de Viseu no espaço ibérico. O facto é que o concelho e região de Viseu pela
sua localização geográfica, privilegiada em relação ao restante território
(proximidade espacial ao litoral e a Espanha) não encontra no seu território um
conjunto de acessibilidade que corresponda aos padrões europeus. O IP3 é uma
miséria há anos e vai continuar a ser mas de cara lavada com mais uns milhões
em cima, as AE resultaram da adaptação vulgar dos ex-IP´s e Viseu cá continua
ano após ano, a ser esta encruzilhada em que as vias servem mais para levar que
trazer!
A oferta de boas
acessibilidades, é condição essencial para que a região possa competir através
de factores que advêm indirectamente das infraestruturas de comunicação são
elas, a competitividade com redução dos custos de transporte, a redução de
tempos de duração de viagem e a segurança dos viajante. Isto tudo com a devida
manutenção ao piso, adequada sinalização, atenção à sinistralidade, ao volume
de tráfego, a correção de traçados ou a construção de variantes às povoações.
Todas estas obras são cobertas pelos impostos cobrados através do imposto de
circulação e o adicional aos dos combustíveis, entre outros esbulhos ao bolso
do contribuinte.
Na região os
últimos grandes investimentos ocorreram com a construção da ligação da R 230
Tondela-Carregal do Sal, da A 24 de raiz (a 2ª autoestrada com menos tráfego do
país) e da A 25 com a destruição parcial do IP 5, que culminou sem a oferta de
uma via rápida sem custos para o utilizador (esmifrado pelas parcerias público
privadas em que a ministra da (des)coesão ainda não arranjou uma solução). A
região continua à espera da conclusão do IC 12 (Canas-Mangualde A 25), do IC 6
(Tábua-Seia), do IC 37 (Viseu-Seia) e da EN 329 (Vila Nova de Paiva-Moimenta)
nada se sabe. Durante os últimos anos aos nossos governantes (incluindo os locais),
nunca lhes passou pela cabeça a elaboração de um grande plano de beneficiação
de estradas nacionais que visasse a eliminação de traçados sinuosos (as curvas
que bordejam os vales dos rios), construção de viadutos para vencer desníveis,
construção de variantes às povoações e
adição de faixas para veículos lentos. Muitos kilómetros de estrada
beneficiariam deste efeito nomeadamente a EN 231 Viseu-Nelas, a EN 232
Mangualde-Gouveia, a EN 229 Sátão-Aguiar da Beira e a EN 228 Vouzela-Mortágua.
Recentemente a
EN229 veio para os jornais, uma vez mais uma questão muito politizada, com a
inútil demissão de responsabilidades por parte de todos os agentes políticos,
autarcas, deputados eleitos pelo círculo eleitoral, com o contributo
involuntário e invisível, da passividade das gentes locais. A desculpa da falta
de fundos, mesmo quando o advento dos fundos comunitários jorravam dinheiro
para a construção de estradas, os senhores decisores nunca se lembraram de
amealhar para mandar efectuar e efectivar estudos de traçados prévios. Para
acabar de vez com a chaga, para acabar com uma estrada com elevado volume de
tráfego, os atravessamentos de núcleos urbanos (que cresceram exponencialmente
nas últimas décadas e que não são qualificados no que concerne ao espaço
público), com geometria de via, herdada do início século passado e não adaptada
aos veículos que permitem circular em alta velocidade.
A EN229 é também
ela o melhor retrato da qualidade dos politicos locais, muito poderosos no
Rossio mas completamente ignorados no Terreiro do Paço. Já teve promessas de 4
faixas do PS, Junqueiro pois então quem havia de ser, de protocolos laranja de
Ruas a Almeida Henriques e no final, é agora alvo de mais um contrato
compromisso que logo que passem as eleições é um contrato pró lixo!
A EN 229 é um
exemplo exímio do que não deve ser uma via de comunicação, com a agravante de
ser um eixo de ligação entre Viseu e o Alto douro Vinhateiro com ligação, a
Aguiar da Beira, Sernancelhe, Penedono e São João da Pesqueira, e parte dos
percursos decididos pelos condutores que vêm de Moimenta da Beira e Vila Nova
de Paiva. Ademais o traçado entre o Sátão e Viseu é suporte das deslocações
pendulares diárias e dos veículos de socorro que se deslocam para o hospital de
Viseu. Anos e anos de espera, discussão nos gabinetes, passar de culpas,
desresponsabilização de obrigatoriedades, encontrou-se soluções amputadas
carregadas de polémica, com uma tímida contestação logo tomada por interesses
partidários para luta política e na busca de protagonismo. A polémica centra-se
no concelho de Viseu, na freguesia de Rio de Loba, com a preconização de uma
solução viária, um troço variante para servir com uma única premissa a zona
industrial de Mundão e requalificação do restante troço com a contribuição da
Câmara Municipal de Viseu e do Sátão. Uma ligação que tem como ponto de partida
uma curva da antiga IP 5, um futuro nó de acesso que atravessará o Vale de
Fachas, tudo isto já representado no Plano Director Municipal. (ver figura).
Este “vale” possui uma importante reserva de subterrânea de água com captações
para abastecimento de água potável aos residentes da freguesia, como dois reservatórios de Água dos Serviços
Municipalizados, mancha florestal consistente com espaços agrícolas e percurso
pedestre (grande rota de mamaltar de Fachas) instalações desportivas sem
esquecer o património arqueológico. Também se prevê rasgar o tecido urbano do
centro de Rio de Loba, com ligação à circular de Viseu (ver fígura) uma solução
com impactos negativos como a poluição ou o ruído. A elaboração do plano
director municipal, oculta-se, não se representa graficamente as restrições e
condicionantes ambientais e físicas que o extenso território possui, para
evitar chatices e aborrecimentos prolongados a algum técnico. Denota-se também
um desconhecimento crónico do território e suas particularidades que só se
vislumbra com visitas aos locais. Assim legitima-se uma solução com impactos
ambientais incalculáveis, sem a exploração de traçados alternativos,
respeitando as condicionantes que o território possui, que não prejudique os
aglomerados urbanos e que ofereça mais valias já referidas atrás. O edil e
restante vereação local escusa-se e omite todas estas atitudes para legitimar
outras apostas (como o parque industrial de Mundão), só se preocupa com a sua
imagem e com jogo político de passa culpas nem questiona ou negoceia
alternativas com a Infraestruturas de Portugal que se serviu do pré traçado
para o desenho rigoroso. Deixo aqui um humilde e franco contributo, não muito
rigoroso (com possíveis alternativas) com prováveis debilidades ou
inconsistências (já que quem contesta também não apresenta alternativas).
Foram tidos em
conta os seguintes parâmetros:
●
Afastamento de localidades;
●
Possibilidade de valorização de
infraestruturas industriais e logísticas com a aproximação a estas;
●
Minimização de impactos negativos
na estrutura ecológica, agrícola, linhas de água e zonas de erosão;
●
Possibilidade de alargamento
futuro no número de faixas de rodagem;
●
Desvio de fluxos de trânsito
provenientes de outras zonas geográficas.
Alternativa 1
Permite um acesso
qualificado ao aeródromo e a Lordosa, permite desviar o trânsito viário para a
A24, gozaria de uma orografia favorável com pouco impacto na estrutura
ecológica municipal, mas necessitaria de protecção devido à presença de uma
cabeceira de uma linha de água. O Traçado inicia-se e aproveitaria numa estrada
municipal projectada no Plano director municipal, e alguns caminhos rurais, o
traçado é mais extenso, uma verdadeira alternativa à parte mais saturada da EN
229, possibilita um alargamento futuro de vias e maior velocidade
praticada.
Alternativa 2
Permite um acesso
qualificado à zona industrial de Mundão, com orografia um pouco desfavorável
mais a norte, com impacto na estrutura agrícola que pode ser contrariado pela
construção de um viaduto, mas com impacto paisagístico (um possível motivo de
satisfação pela população local). O traçado inicia-se e aproveitaria numa
estrada municipal projectada no Plano director municipal, o traçado é menos
extenso, desvia o trânsito dos aglomerados urbanos da EN 229, a velocidade
praticada seria um pouco menor face à alternativa 1.
Todas estas
alternativas implicam um aumento de trânsito na radial de Santiago, mas
aproxima os habitantes da quinta do Catavejo e do bairro da Torre ao Centro da
Cidade e a qualificação do espaço público da EN 229 na zona de Travassós e da
Quinta de São João da Carreira, que tão bem necessita e anseiam os moradores.
Para ilustrar o
raciocínio exponho atrás as condicionantes que foram tidas em conta, para
mostrar como se deve exercer o desígnio público de transparência para o bem de
todos e se possa discutir abertamente. Valem o que valem e também não duvido
que quem as devia valorizar as ignora. Pérolas a porcos, dizem-me alguns.
Talvez, mas ainda há muitos e muitos e tantos e tantos viseenses que merecem
melhor, melhores vias de comunicação e melhores vidas para si e para as gerações
vindouras.