11/10/2020

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica - O concelho de Viseu - Opinião III

Na sequência do artigo anterior fica hoje aqui a opinião do terceiro jovem, numa perspectiva diferente de análise do Plano de Recuperação Económica e de Resiliência no que importa à região e a Viseu.

(...)

Abunda no meio mediático político alicerçado no plano de resiliência redigido pelo nosso governo pródigo em promessas infrutíferas, uma unanimidade seguidista sem o respaldo dos nossos representantes locais. Tudo e todos iludem o pobre cidadão na esperança de melhores dias.

O uso abusivo do termo resiliência (que merece uma maior dignificação) sem o menor conhecimento ou sustentação teórica e histórica deste, assume nos escombros desta crise sanitária. A resiliência é explorada pelas ciências sociais nos estudos teóricos sobre a “organização dos sistemas” baseadas no indivíduo, integrado numa sociedade, numa economia, num ecossistema, presente nos núcleos urbanos e território rural e que usufrui de infraestruturas e serviços.

Perante o colapso de entidades prestadoras de serviços e cuidados bem como a economia, a resiliência tem como fim útil, o exercício reflectivo, rumo a estratégias inovadoras com vista a fortalecer, o tecido social, produtivo, civil e ambiental bem preso por “arames” em Portugal e na nossa região. Para todas as crises deve ser definido um ciclo resiliente, infelizmente este está negligenciado e ocultado por quem nos governa e que elucida a imagem.

 


Por isso urge com urgência a formação de grupos interdisciplinares com conhecimento técnico especializado que apresente soluções de perspectiva de longo prazo e que coloque de parte o planeamento racional (muito útil para o atraso nas infraestruturas na década de 80) que só utiliza o betão. A redundância, eficiência e a autonomia são os focos inovadores que reforçam planeamento territorial e revestem a resiliência de um forte significado e conteúdo que deve os tecidos descritos acima transparecer futuramente.

O foco primordial do planeamento resiliente é mitigar os impactos que os diversos sectores que constituem a sociedade para que possam retornar à sua forma original. O foco assistencial, empregador e de protecção social de qualquer organismo público ou privado deve sair fortalecida para que futuros impactos não causem sequelas ou deficiências. Todos estes aspectos e características inegociáveis não se encontram explanados no Plano de Recuperação e Resiliência apresentados pelo governo, já que este não elucida o modo de mitigação dos impactos. Através da criação de novas interdependências dos sistemas sociais, económicos da nossa região o modo de governança tem de ser alterado, evitando a burocracia e aumentar a produtividade e competitividade (ver figura).

 


Nesta altura é primordial arquitectar soluções flexíveis e reformas estruturais de diversos organismos, dependentes da heterogeneidade espacial da região, a função produtiva e mudança temporal da demografia. Mas por favor não banalizem, negligenciem o termo resiliência já que tudo o que falam só transparece o analfabetismo crónico grassante, porque o planeamento resiliente é muito abrangente e essencial para o futuro. Lanço neste espaço, várias propostas, com vista à Eficiência com a optimização de sistemas em actividade na busca de Equidade material associada à coesão social, no acesso aos recursos e propensão em transpor as adversidades.

 

Promoção da qualidade de vida e cuidados de saúde

  • Construção de uma unidade geriátrica com serviços de ambulatório e de urgência para idosos com profissionais habilitados libertando as urgências do hospital de Viseu

 

  • Unidade de recobro  e recuperação das sequelas da COVID19 de referência nacional na vila do Caramulo com vista a melhoria da qualidade vida

 

  • Reabilitação do hospital psiquiátrico de Abraveses, com possível unidade de ensino e unidades habitacionais de transição (internamento rumo à independência).

 

Ensino e Investigação

  • Reformulação das ofertas educativas da região, com novos cursos com ênfase para as ciências climáticas, planeamento da mobilidade, robótica, neurociências, e cuidados seniores e infantis no IP Viseu.

 

Economia

  • Capitalização das empresas para incremento da competitividade

 

  • Bolsa de estágios interdisciplinares e novo programa Erasmus destinados a recém diplomados estrangeiros associados à indústria

 

  • Compromisso empresas Estado-Empresas com vista à estabilização fiscal a médio prazo (acabar com subidas de impostos) e simplificação fiscal.

 

Planeamento urbano, territorial e Ambiental


  • Laboratório de adaptação e monitorização in loco da biodiversidade, alterações climáticas,com uma gestão equitativa dos recursos físicos na Estação Agrária

 

  • Instalação e descentralização de uma unidade da direção geral do território para a realização do cadastro e revisão do plano regional de ordenamento do território

 

  • Revisão dos regulamentos de edificação municipais com vista à unificação de procedimentos e novas exigências ao nível hidrotérmica, sustentabilidade e conforto ambiental, estabelecimento de mais áreas de reabilitação urbana.

 

Protecção Civil

  • Reforço dos meios pesados e equipamento para disposição dos bombeiros, aquisição de novo meio aéreo ligeiro permanente para combate a ignições no verão para resgate e evacuação de doentes no inverno sob gestão regional (CIMVDL) mais autonomia face ao centro de decisões centralizadas em Lisboa

Tudo isto é exequível, basta uma maior dignificação do diálogo, se possível mais filantropia e a organização da sociedade independente e altruísta para concorrer às várias instituições, municípios e associações empresariais, o que seria fantástico para Viseu. 

 

 

JP

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