20/12/2020

O CHTV merece o apoio de todos!

 Poucos serão os viseenses que não tenham uma divida de gratidão para com o CHTV. Muitos acrescentarão a isso também uma critica negativa, mas é só até ao dia em que tenham que recorrer em último recurso àquele serviço. Pessoalmente, os meus filhos mais novos foi ali que viram o mundo pela primeira vez, foi ali que acorri em aflição pensando que a vida ia acabar e renasceu a troco de uma vesícula e ali acorro quando a falta de saúde assim obriga. É ali que encontramos excelentes profissionais, desde o corpo clínico aos voluntários hospitalares passando pelo pessoal de enfermagem, auxiliares e funcionários das diversas áreas de apoio. Não há instituições perfeitas é facto, mas foi ali que durante os últimos anos os gestores hospitalares Alexandre Ribeiro, Ermida Rebelo e Cilio Correia, emprestaram um humanismo ao serviço que o cotou como um dos melhores a nível nacional. A nova equipa de gestão tem igual desafio pela frente a que soma os difíceis tempos de combate ao Covid.

Os recursos humanos disponíveis não estão blindados nem ao vírus nem ao cansaço do combate diário, os equipamentos e os consumíveis são perecíveis, os orçamentos curtos face às necessidades e a única coisa que não mudam são os doentes, todos os dias acorrem ao CHTV. Há dias chamou-me a atenção a preocupação da gestão em humanizar os serviços, através de uma nova candidatura do Sistema de Apoio à Modernização Administrativa (SAMA) através do projecto DIR@CHTV- Desmaterializar, Integrar e Robotizar. É importante, mas no momento não passa de um projecto de intenção. Há todo um caminho a percorrer para tornar isso realidade, até que essa facilidade melhore a vida aos utentes, familiares e profissionais.

Porém, e na mera opinião de um leigo utente, há questões estruturais que são estrangulamentos maiores e que esperam resposta e merecem melhor atenção da tutela da saúde e não só da equipa de gestão. É certo que as necessárias obras da urgência estão em curso mas é bom não esquecer que este hospital foi inaugurado em 1997, já lá vão 23 anos e nada resiste ao tempo sem carinho, atenção e manutenção!

Nem vou relembrar a necessidade do Centro Oncológico e o teatro patético que PSD e PS estrearam na AR ou à ópera bufa (mais uma) que os deputados municipais PSD e PS ensaiaram na AM. É politiquice inconsequente, sem visão e sem expressão da real e momentânea necessidade do CHTV e dos profissionais que ali fazem serviço. O CHTV precisa de muito mais que uma pintura exterior (também já faz falta) para a fotografia a colocar nas redes sociais da politiquice local. O foco tem que estar no essencial ao momento. A saber:

- Hospital de dia médico e cirúrgico;

- Reinstalação da medicina física e de reabilitação;

- Melhoria da capacidade laboratorial;

- Alargamento do número de camas da UCI e intermédios;

- Projecto de Centro Oncológico;

- Aumento do número de gabinetes de consultas externas, sua funcionalidade e condições de atendimento;

- Reinstalação da psiquiatria no campus do Hospital S. Teotónio;

- Destino a dar ao actual Centro saúde mental de Abraveses;

Em suma, melhoria das condições actuais do serviço e das condições de trabalho dos profissionais de saúde em favor de uma melhor qualidade ao dispor dos utentes. No fundo, há que adaptar o modelo funcional do CHTV às novas tecnologias e exigências, designadamente nos exames especiais (cardíacos, respiratórios, gástricos, imunológicos, neurológicos, etc) e remodelação da actual urgência pediátrica e gineco-obstetrícia com sala de partos dedicada para libertar salas de bloco operatório central para mais tempos operatórios em programação normal e adicional para recuperar listas de espera nos sete dias da semana. Disso depende toda uma região envelhecida e com cada vez mais doentes.

A experiência recolhida com o Covid obriga a que o “novo CHTV” seja estudado, calendarizado e financiado... apostar no SNS em Viseu é isto, sem esquecer as políticas de apoio aos RH na captação, qualificação e fixação na região. O rebuçado do prémio do Covid é curto e só adoça a boca de alguns! O esforço tem que ser de todos, dos que cá trabalham e dos que em Lisboa decidem. Lisboa não pode ser só o sitio onde se fazem as jogadas palacianas e Viseu não pode continuar a ser o local de depósito das sobras do País!

O CHTV para acompanhar os novos tempos precisa de uma “bazuca” de investimentos em termos estruturais, tecnológicos e técnicos das várias áreas clínicas, mas para isso tem que haver compromisso e acompanhamento político efectivo, senão é gestão de mercearia de bairro e teatro burlesco dos deputados e eleitos locais com os utentes do CHTV a assistir. Sem esse compromisso estamos sempre com as calças na mão, a ver o pequeno conflito corporativo e a ver profissionais qualificados saltar para o privado, tendo que aceitar contratos de prestação de serviços minimalistas só para ter resposta às necessidades básicas e doseadas.

Já vai esquecido na memória dos tempos o aplauso aos profissionais da saúde nos primeiros tempos do combate ao Covid. Já entrou na insensível rotina dos dias o anúncio de mais 80/90 óbitos por dia devido a essa mesma doença. Não podemos permitir que o CHTV continue sozinho neste combate até porque não sabemos o dia em que precisaremos de uma cama nos UCI e de profissionais de saúde motivados a devolverem-nos o gosto pela vida. A saúde é o bem mais precioso que temos na vida e o CHTV o melhor que o SNS tem no distrito. A nossa luta contra o Covid passa pela atitude pessoal no respeito das regras da DGS e pela nossa cidadania na luta pela melhoria do CHTV.

1 comentário:

VISEU, a nossa terra. disse...

Nuita fixe Boas festas.