14/10/2020

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica - O concelho de Viseu - Opinião IV

Fui desafiado pelo Fernando Figueiredo para escrever umas curtas linhas sobre o Plano de Recuperação Económica. 

Depois de ponderada análise, optei por não ler um novo documento cozinhado nos escritórios do Eixo Lisboa - Porto. Eixo que nos conduziu à situação que hoje vivemos. Eu, como qualquer jovem do interior (nascido nos últimos 40 anos), se quer ter acesso ao elevador social, tem de estudar e trabalhar e referido Eixo Lisboa - Porto ou emigrar como fizeram os avós, os pais e os tios de muitos jovens do interior. O referido Eixo Lisboa - Porto, quase sempre contando com a complacência dos eleitos locais, muitas vezes contando com o apoio dos "nossos" autarcas, deputados, secretários de estado, ministros, tratou de garantir que a ascensão social é missão impossível no interior. Desse modo, lamento Fernando, eu sou do interior, não vou ler mais um papel impresso num gabinete de Lisboa, desenhado à medida dos interesses da capital e do porto, não posso cometer essa traição à minha gente. No entanto, estou certo que aquele plano em nada nos representa, em nada representa os interesses do interior. Por isso não obrigado, estou farto de ouvir as boas intenções de Lisboa e do Porto! Provoca em mim o mesmo tipo de interesse que ouvir um milionário a discutir contra um reduzido aumento do ordenado à senhora que veio de um país subdesenvolvido para lhe limpar a casa e aturar os filhos a troco de 600 euros, mais coisa menos coisa o ordenado do viseense comum. 

11/10/2020

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica - O concelho de Viseu - Opinião III

Na sequência do artigo anterior fica hoje aqui a opinião do terceiro jovem, numa perspectiva diferente de análise do Plano de Recuperação Económica e de Resiliência no que importa à região e a Viseu.

(...)

Abunda no meio mediático político alicerçado no plano de resiliência redigido pelo nosso governo pródigo em promessas infrutíferas, uma unanimidade seguidista sem o respaldo dos nossos representantes locais. Tudo e todos iludem o pobre cidadão na esperança de melhores dias.

O uso abusivo do termo resiliência (que merece uma maior dignificação) sem o menor conhecimento ou sustentação teórica e histórica deste, assume nos escombros desta crise sanitária. A resiliência é explorada pelas ciências sociais nos estudos teóricos sobre a “organização dos sistemas” baseadas no indivíduo, integrado numa sociedade, numa economia, num ecossistema, presente nos núcleos urbanos e território rural e que usufrui de infraestruturas e serviços.

Perante o colapso de entidades prestadoras de serviços e cuidados bem como a economia, a resiliência tem como fim útil, o exercício reflectivo, rumo a estratégias inovadoras com vista a fortalecer, o tecido social, produtivo, civil e ambiental bem preso por “arames” em Portugal e na nossa região. Para todas as crises deve ser definido um ciclo resiliente, infelizmente este está negligenciado e ocultado por quem nos governa e que elucida a imagem.