10/11/2020

A gestão da crise pandémica em Viseu tem sido “pandemónica”

A experiência da primeira vaga desta pandemia com início em Março e a própria História permitem tirar algumas lições e a primeira é a certeza de que não dura para sempre, iremos vencer mais este desafio.

É provável que a doença Covid-19 continue a existir, mas irá surgir um momento em que deixará de ter condições para se propagar de forma tão contagiosa e passará a ser mais uma circunstância do quotidiano.

Outra lição é de que existirão efeitos secundários de dimensão, quer do ponto de vista social quer económico, e não havendo tratamentos milagrosos tudo o que a governação pode fazer é tentar minimizar estes impactos.

Se alinharmos pela ideia dos negacionistas de que “isto é só mais uma espécie de gripe”, o impacto na economia não deixará de ser negativo e mesmo os que atiram com o modelo sueco para a frente, se tiverem alguma seriedade intelectual constatarão que a Suécia tem um mau resultado na saúde – com quase seis vezes mais mortos por milhão de habitantes do que a vizinha Dinamarca, por exemplo – e na economia o panorama também é mau com o PIB sueco a cair no segundo trimestre de 2020 de 8,6%.

É evidente que não temos economia capaz de aguentar um novo confinamento geral como o de Março e o Estado não tem capacidade para suportar as famílias e as empresas durante esse tempo e portanto, teremos que encontrar um ponto de equilíbrio entre manter escolas e comércio aberto, as empresas e os restaurantes, a agência bancária e o barbeiro, os cafés e os ginásios, etc., mas com a garantia de manter os locais higienizados e arejados, as pessoas fisicamente distanciadas e protegidas com máscara e mesmo assim assumir que haverá sempre risco.

Contudo, combater a pandemia e manter a economia a funcionar ao mesmo tempo é uma falsa dicotomia e haverá sempre prejuízos a lamentar, e na minha modesta opinião de humanista convicto, o que é mau para a saúde é no curto prazo péssimo para a economia. Perguntarão então, o que fazer? A solução passa por ser proactivo e preventivo, tomando em tempo e oportunidade as medidas necessárias para combater a propagação da doença, para evitar a perda de mais vidas e da economia cair ainda mais e mais tempo demorar na recuperação.

A gestão da crise pandémica em Viseu tem sido “pandemónica”, quer pela omissão e inaptidão das medidas do executivo, quer pela incompetência e falta de visão do autarca local secundado pelo silêncio cúmplice da autoridade de saúde, ou até pela ignorada figura do coordenador regional do centro no combate ao SarsCov2.